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apresentar gastrenterites que evoluem para óbito se não tratadas adequada- mente. Para isso, tratamentos profiláti- cos à base de protetores de mucosa gastrentérica e inibidores de secreção gástrica devem ser associados a essas terapias 1,80


. Uma das consequências do trauma


medular consiste na depressão do siste- ma imune, que expõe os pacientes a um alto risco de desenvolver infecções res- piratórias, urinárias e dermatológicas, que podem inclusive evoluir para uma septicemia. Entretanto, a utilização de antibióticos profiláticos deve ser desen- corajada, sendo que nesses casos a reali- zação de antibiogramas faz-se necessá- ria para a prescrição da antibioticotera- pia adequada83,85


. Pacientes que não conseguem se mo-


vimentar, como é o caso dos tetraparalí- ticos, estão propensos à desidratação e precisam ser monitorados – e, caso seja necessário, devem receber líquidos por via oral ou por via intravenosa. Inicial- mente, as taxas metabólicas desses pa- cientes traumatizados aumentam e eles devem receber aporte nutricional ade- quado para minimizar a tendência à de- pressão proteica do organismo. Por outro lado, um cão inativo necessita de redução do aporte nutricional, pois o ganho de peso excessivo sobrecarrega diretamente a coluna 41,89


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O decúbito prolongado e a falta de movimentação geram contraturas mus- culares, dos tendões e dos ligamentos e a irrigação sanguínea de tais estruturas se reduz e enfraquece. Complicações subsequentes ao enfraquecimento ósseo, principalmente fraturas, são frequente- mente observadas devido ao desenvolvi- mento de um processo de osteoporose 80 Afim de reduzir o tempo de decúbito


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do paciente, diminuindo assim as chan- ces de desenvolvimento de muitas das complicações anteriores, a fisioterapia é um suporte imprescindível, que deve ser instaurado precoce e efetivamente. Massagem ou movimentação passiva por meio de movimentos de flexão e extensão de membros, natação, hidro- massagem, utilização de ultrassom, neuro e mioestimulação elétrica e acu- puntura são procedimentos de reabili- tação que visam fortalecer o sistema mus- culoesquelético, combater a dor e promo- ver a plasticidade dos circuitos sobre- viventes, o que vai ajudar no retorno


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precoce das funções e da deambulação, elevando assim a qualidade e a ex- pectativa de vida do paciente 9,11,80,85,90-92


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Perspectivas futuras Estudos experimentais continuam buscando um melhor entendimento das interações entre os mecanismos fisiopa- tológicos que ocorrem imediatamente após o trauma medular, a fim de intervir com novas estratégias terapêuticas que diminuam a lesão neurológica 12,15,84,93-95


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Dentre essas estratégias há uma di- versidade de abordagens que visam blo- quear esses mecanismos, permitindo assim a regeneração axonal, seja por meio da utilização de oxigenioterapia hiperbárica para diminuir a isquemia medular, seja pelo desenvolvimento de proteases que atuam bloqueando a sín- tese de certas proteínas e interrompendo a instauração ou a progressão da apop- tose neuronal, como é o caso dos inibi- dores de calpaína ou da caspase-3, ou ainda pelo bloqueio dos receptores res- ponsáveis pela excitotoxicidade34,58,84,96,97 O avanço do conhecimento sobre o


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trauma medular e o entendimento da resposta imune contribuirão para a mo- dulação da inflamação e do suporte neu- rotrófico específico para cada tipo de lesão, com o intuito de promover a rege- neração tecidual 12,21,23,96,98


. Por último, recentes pesquisas utili-


zando neurotofinas – que são fatores de crescimento neuronal – e transplante de células e tecidos, associados ou não entre si, vêm demonstrando que essas são opções importantes e promissoras para a terapia, preservando o tecido ner- voso, interrompendo o avanço das lesões e revertendo os danos neuronais provocados por traumas medulares. Esses estudos necessitam de maior in- vestigação e podem, em um futuro pró- ximo, ser a base do tratamento e da re- cuperação de pacientes portadores de déficits neurológicos 10,92,95,99,100


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Considerações finais Pacientes com trauma medular de-


vem ser tratados em caráter emergen- cial, a fim de se evitar que os danos se- cundários à lesão inicial se propaguem. Para isso, o conhecimento dos mecanis- mos da lesão, das estruturas anatômicas envolvidas e de sua relação com os si- nais clínicos apresentados é imprescin- dível para a identificação e a localização


Clínica Veterinária, Ano XV, n. 87, julho/agosto, 2010


precisa da lesão. Direcionar esforços contra a cascata de mecanismos se- cundários vem sendo o grande objetivo do desenvolvimento de novas interven- ções terapêuticas que impeçam a pro- gressão da lesão, revertam os danos causados por ela e resgatem a capaci- dade neurológica do paciente.


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