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Amostras de todos os órgãos devem


ser fixadas em solução de formol a 10%, para posterior realização de exame histopatológico. A melhor zona para a coleta é a zona de transição en- tre a lesão e o tecido normal adjacente9


.


Deve-se evitar a coleta de amostras muito pequenas ou fragmentadas, que correm o risco de se perderem na ma- nipulação ou não conterem material suficiente para o processamento e a análise, impedido assim a emissão de um diagnóstico 9


. Sugerem-se amostras


com dimensão aproximada de no má- ximo de 1cm x 1cm x 1cm, para me- lhor penetração do formol e conse- quente fixação de melhor qualidade. É importante armazenar as amostras em frasco de boca larga, para melhor manuseio por parte do patologista ve- terinário 4


. Se necessário, coletam-se amostras


para exames microbiológicos ou toxi- cológicos, se a anamnese ou os acha- dos clínicos indicarem alguma doença infecciosa ou intoxicação 4,10,11,12


. Para


amostras de interesse toxicológico, co- letam-se amostras de rim, fígado (cada um de 50 a 100g) e todo o conteúdo gástrico, estocando-os em sacos plásti- cos e mantendo-os sob refrigeração para envio aos centros de análise competentes. Quando for necessária a colheita de sangue (devendo ser colhi- dos de 10 a 20mL), esta pode ser ar- mazenada em tubos sem anticoagu- lantes, exceto para a análise de chum- bo, para a qual o sangue deve ser armazenado em tubos contendo hepa- rina ou EDTA13


. Para amostras micro-


biológicas, por sua vez, devem ser obtidas amostras livres de contami- nantes (utilizando-se de precauções de assepsia semelhantes às utilizadas para procedimentos cirúrgicos), usando ins- trumentos como agulhas, seringas e te- souras esterilizadas e alocando as amostras em sacos plásticos ou tubos de coleta próprios com meios de culti- vo adequados, substâncias anticoagu- lantes, etc., para posterior resfria- mento 4,8,14,15


.


Considerações finais Com o recente avanço das técnicas


de diagnóstico ante mortem, muitos profissionais têm negligenciado a exe- cução do exame post mortem do ani- mal 11


. Entretanto, essa prática ainda 70


constitui uma ferramenta importantíssi- ma de diagnóstico e proporciona uma correlação melhor entre os sinais clíni- cos apresentados por um animal em vida com as lesões e achados macros- cópicos observados após a morte, vali- dando os achados ante mortem e muitas vezes encontrando outros que não foram aparentes durante a vida 4,8,14


.


Anecropsia convencional tem menor aceitação junto aos proprietários por não manter o aspecto externo dos ani- mais e desfigurar os cadáveres. Atécni- ca de necropsia cosmética, por sua vez, aumenta a aceitação do procedimento pelos proprietários ao seguir o mesmo princípio das autópsias humanas não desfigurativas, que possibilitam a reali- zação do exame post mortem de forma que ao final de sua execução o cadáver esteja o mais próximo possível de seu estado externo original 14


. Isso confere


as condições ideais para a avaliação da conduta médica e terapêutica ao com- pará-las com os achados de necropsia, prática fundamental na instituição do diagnóstico, aprendizado e controle da qualidade da atividade do médico vete- rinário. É importante ressaltar que a ne-


cropsia cosmética baseia-se na preser- vação de cadáveres, o que torna inte- ressante sua aplicação também nos animais silvestres ou selvagens para fins científicos e educacionais 16-18


,


visto que atualmente os clínicos têm se mostrado cada vez mais interessa- dos na medicina de animais de com- panhia exóticos 19


.


Salienta-se também que a necropsia cosmética é uma técnica de maior cus- to do que a convencional, já que ofe- rece dificuldades de execução, necessi- tando de mais tempo para a realização das incisões, a retirada dos órgãos e as dermorrafias, além de requerer pessoal especializado. Nesse contexto, ressal- ta-se a importância da supervisão e do auxílio do patologista veterinário, figura indispensável para que se consi- ga uma análise acurada da causa da morte 14


.


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Clínica Veterinária, Ano XV, n. 87, julho/agosto, 2010


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