Contrariamente à literatura consultada, o animal apresentado era do sexo feminino1,11,12,21
. Neste relato, o fato de o animal ser
ovário-histerectomizado pode ter influenciado o desenvolvi- mento da neoplasia, já que nos casos de quimiodectoma o estado reprodutivo do animal parece ter relação com o desen- volvimento da neoplasia, uma vez que as fêmeas ovário-histe- rectomizadas apresentam um risco relativo 3,8 vezes maior de de- senvolver essa neoplasia, em comparação às fêmeas intactas12 Os sinais clínicos de intolerância ao exercício, cansaço fá-
.
cil, cianose e dispneia apresentados pelo animal são consisten- tes com as manifestações clínicas apresentadas em diversas doenças que acometem o sistema cardiovascular 1,10,15
. Em-
bora o quimiodectoma seja uma doença de frequência inco- mum, deve ser incluído nos diagnósticos diferenciais quan- do esses sinais estiverem presentes. As características macroscópicas encontradas neste caso coincidem com as descritas na literatura. Os tumores de cor- po aórtico geralmente são massas solitárias, encapsuladas, intrapericárdicas, próximas à base cardíaca, com origem na camada adventícia de grandes vasos1,22 tronco aórtico 3 12,5cm1,3,19,22
e a aorta ascendente 19 mente lobulada 8,19
, podendo circundar o e medir entre 0,5 e
. Asuperfície externa pode ser lisa ou irregular- e é comum encontrar focos necróticos e
hemorrágicos na superfície de corte, o que confere coloração heterogênea ao tumor1,8,19,22
pressão tumoral observado também é citado na literatura 1 Não foram encontrados indícios de invasão local de estru-
. O deslocamento atrial por com- .
turas adjacentes tais como o pericárdio, o epicárdio, o mio- cárdio e/ou a parede vascular, como é frequentemente des- crito 1,3
cundado pelo tecido neoplásico, não houve evidência de constrição vascular, como descrito pela literatura 1
. Embora o tronco aórtico tenha sido totalmente cir- .
As neoplasias de corpo aórtico em animais tendem a ter comportamento mais benigno quando comparadas às do cor- po carotídeo4,20,23
e baixo potencial metastático 1,3,8,10,11,21
. Apresentam crescimento lento e expansivo . No paciente avaliado,
não foram encontrados sinais de metástase em outros órgãos, especialmente no fígado e no pulmão, órgãos sabidamente preferenciais24
miodectomas e outros tumores primários de origem endócrina em cães, porém neste caso não foi verificada tal associação3,21 Para o diagnóstico por imagem das afecções do corpo aórti-
. Há relatos de ocorrência concomitante de qui- .
co dispomos de diversas modalidades, entre as quais o exame radiográfico – que funciona como triagem –, o ultrassonográ- fico e o tomográfico, este último mais sensível – pois evita so- breposições – tornando-se de eleição para a avaliação da re- gião mediastinal, onde se encontram o corpo aórtico e a base cardíaca 25
. Massas mediastinais são comuns em cães e gatos, sendo
os linfomas e os timomas as causas neoplásicas mais fre- quentemente descritas, seguidos de cistos idiopáticos, tumo- res tireoidianos ectópicos e o quimiodectoma25-27
.
Aavaliação radiográfica do mediastino é limitada, pois as estruturas ali presentes, excetuando-se a traqueia, possuem radiopacidade muito próxima, o que torna a localização da lesão e as suas dimensões informações importantes para um diagnóstico mais acurado. Para isso, o mediastino é dividido radiograficamente em três áreas – cranial ou pré-cardíaco, médio ou pericárdico e caudal ou pós-cardíaco –, e também
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em ventral e dorsal por uma linha imaginária que passa pelo hilo pulmonar28-30
. Encontramos na porção cranial, entre outras estruturas, a
traqueia, o esôfago, os linfonodos mediastinais craniais, o timo, o ducto torácico, a veia ázigo, as artérias carótidas comuns e as artérias e veias subclávias, além de vasos linfá- ticos e nervos, enquanto o coração e as estruturas da base cardíaca são encontrados na porção média28,29
. Na descrição do presente caso, o aumento de volume
estava localizado no terço médio da porção cranioventral do mediastino e caracterizava-se como um aumento mediasti- nal focal, de margens parcialmente definidas, o que conduz a princípio aos seguintes diagnósticos diferenciais; absces- sos, cistos, granulomas, timo, timoma, linfoma tímico, lin- foadenopatia (metastática ou reativa), tumores ectópicos de tireoide ou paratireoide e alargamento esofágico. A locali- zação radiográfica encontrada neste relato não é a mais fre- quente nos casos de tumores de base cardíaca descritos pela literatura 28,30,31
.
Por envolverem estruturas presentes na porção média ou peri-hilar mediastinal, os tumores da base cardíaca resultam, normalmente, no aumento da radiopacidade ao redor da bi- furcação atrial, podendo causar ou não a compressão dos brônquios principais 29
. A ultrassonografia do mediastino cranial é considerada
um meio diagnóstico útil e de baixo custo. No presente caso, o animal não apresentava efusão pleural ou alterações pul- monares com pouco ou nenhum ar que proporcionassem acesso à região mediastinal, logo, foi utilizada a janela car- díaca. Tal modalidade também é capaz de detectar massas mediastinais não encontradas no exame radiográfico e dife- renciar alargamentos mediastinais secundários ao acúmulo de gordura de massas, nódulos, edema e hemorragia, entre outras lesões 27,29,32
.
Os achados ultrassonográficos foram fundamentais no diagnóstico. Por meio desse exame descartou-se o compro- metimento dos linfonodos mediastinais craniais e do timo, sendo possível a localização precisa da lesão. Encontrou-se uma massa adjacente à aorta, cranial à base cardíaca, hetero- gênea e pouco vascularizada, características essas que dimi- nuíram a possibilidade de linfoma ou timoma, uma vez que essas neoplasias têm como sinais ultrassonográficos mais comuns, respectivamente, uma grande massa hipoecogênica, de contornos finos e extensa vascularização, e uma massa com grandes lojas, no caso dos timomas26,29
.
As características histológicas dos tumores de órgãos qui- miorreceptores são similares, visto que derivam do corpo aórtico ou carotídeo1
. O principal diagnóstico histológico di-
ferencial são as neoplasias tireoidianas ectópicas com arran- jo sólido, geralmente caracterizadas por conter células me- nores, não consistentemente subdivididas em pequenos ni- nhos por faixas finas de tecido conjuntivo, estroma menos proeminente e células gigantes tumorais infrequentes 1
. A
avaliação de múltiplas secções histológicas do tumor não re- velou a presença de estruturas foliculares primitivas ou folí- culos preenchidos por coloide, derivados de células neoplá- sicas foliculares em neoplasias tireoidianas ectópicas 1,22
.
Os critérios histológicos observados no presente relato dis- pensaram a utilização de técnicas mais específicas. No entanto,
Clínica Veterinária, Ano XVI, n. 90, janeiro/fevereiro, 2011
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