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Correção de fratura de rinoteca em papagaio (Amazona aestiva): relato de caso


Rhinotheca fracture repair in a parrot (Amazona aestiva): case report


Corrección de fractura de rinoteca en loro amazona (Amazona aestiva): relato de caso


Resumo: O bico das aves é uma estrutura dinâmica em crescimento constante, constituída pelos ossos maxilares superior e inferior cobertos por bainhas epidérmicas queratinizadas. Exemplos de problemas adquiridos envolvem más-formações, necrose do bico ou traumas incluindo perfurações, lacerações, rachaduras e avulsões. Uma fratura unilateral de rinoteca foi diagnosticada em um papagaio verdadeiro (Amazona aestiva), com base no histórico, no exame clínico e nos achados radiográficos. O animal foi apresentado com histórico de trauma recente e subsequente inabilidade de preensão de alimento. Foi realizada intervenção cirúrgica para resolução do quadro. As margens da fratura foram debridadas e aproximadas por meio de sutura para guiar a cicatrização e o crescimento ósseo do bico, sendo a região coberta com resina fotopolimerizável. Após quatro semanas, a avaliação radiográfica evidenciou sensível crescimento ósseo na região afetada, e após oito meses o animal encontrava-se em bom estado, alimentava-se normalmente e também utilizava o bico para se locomover. Unitermos: ave, psitacídeo, bico, ranfoteca


Abstract: The avian beak is a dynamic structure in constant growth that is constituted by the maxillary and mandibular bones and covered by epidermic hems. Examples of acquired problems include malformations, necrosis of the beak or traumas such as perforations, lacerations, cracks and avulsions. A unilateral beak fracture was diagnosed in an adult Blue-Fronted Parrot (Amazona aestiva) on the basis of history, clinical examination, and radiographic findings. The bird had a history of recent head trauma and subsequent inability to apprehend food. Asurgical intervention was recommended. The margins of the fracture were debrided, approximated with suture to guide scar formation and growth of the beak, which was covered with photopolymerizable resin. Four weeks after the surgery, the radiographic evaluation showed considerable bone growth in the affected area and after eight months the animal was in good health and able to feed normally, using the beak for locomotion as well.


Keywords: avian, psitacide, beak, rhamphotheca


Resumen: El pico de las aves es una estructura dinámica en crecimiento constante, constituida por los huesos maxilares superior e inferior cubiertos por vaina epidérmica queratinizada. Ejemplos de problemas incluyen malformaciones, necrosis del pico o traumas como perforaciones, laceraciones, grietas y avulsiones. Una fractura unilateral de rinoteca fue diagnosticada en un loro amazona (Amazona aestiva) basado en la historia clínica, en el examen clínico y en hallazgos radiográficos. El animal fue presentado con historia de trauma reciente y subsiguiente incapacidad de aprehensión de alimento. Fue realizada intervención quirúrgica para resolución del cuadro. Las márgenes de la fractura fueron desbridadas y aproximadas por sutura para guiar la cicatrización y el crecimiento óseo del pico. La región fue cubierta con resina fotopolimerizable. Después de cuatro semanas la evaluación radiográfica evidenció sensible crecimiento del hueso en el área afectado y después de ocho meses el animal se encontraba en buena condición, se alimentaba normalmente y también utilizaba el pico para la locomoción. Palabras clave: ave, psitácida, pico, ranfoteca


Clínica Veterinária, n. 87, p. 42-46, 2010


Introdução e revisão de literatura O bico das aves é uma estrutura dinâ-


mica em crescimento constante, consti- tuída pelos ossos maxilares superior (pré-maxila e nasal) e inferior (mandíbu- la), cobertos por bainhas epidérmicas queratinizadas denominadas ranfoteca1,2


.


firme em Psitaciformes (papagaios, pe- riquitos e araras) e macia e flexível em Anseriformes (gansos) 2


. A ranfoteca é .


Além disso, outras estruturas, como fei- xes vasculonervosos, articulações e bai- nhas germinativas, compõem o bico 3 Anatomicamente, a ranfoteca é sub-


dividida em rinoteca (superior) e gna- toteca (inferior) 1


42 . Aconsistência da ran- foteca difere entre as espécies, sendo


considerada como estrato córneo do bico e a derme é bem vascularizada e conectada ao periósteo. Fatores causais como trauma e necro-


se da derme podem frequentemente re- sultar em lesões que induzem deformi- dades no bico2


. O crescimento da quera-


tina do bico ocorre sempre que houver uma camada germinativa subjacente (aderida ao periósteo), mas as linhas de crescimento inclinam-se no sentido da


ponta do bico4 . O tempo de reposição de


queratina da ranfoteca está intimamente ligado ao uso do bico. Em grandes psitacídeos a substituição completa da ranfoteca ocorre em aproximadamente seis meses, ao passo que nos ran- fastídeos há uma taxa de crescimento aproximada de 0,5cm num período de dois anos2


gnatoteca é substituída de duas a três vezes mais rápido do que a da rinoteca2


. Normalmente a queratina da .


Aranfoteca possui variadas funções em diferentes espécies de aves, como preensão de alimento e preparo para a deglutição, defesa e ataque, interação social e sexual, locomoção, bem como construção de ninhos 1-3


. A mucosa da


cavidade oral e da língua das aves é recoberta por epitélio escamoso estrati- ficado e o grau de queratinização varia de acordo com a localização do epitélio na cavidade oral 3


e a espécie animal.


Defeitos congênitos e adquiridos podem interferir na função normal do


Clínica Veterinária, Ano XV, n. 87, julho/agosto, 2010


Roberto Silveira Fecchio Médico veterinário


LOC/FMVZ/USP rfecchio@usp.com


Marcelo Silva Gomes MV, mestre


Zoológico de São Bernardo do Campo zoosbc.marcelo@gmail.com


Melissa Sanzone Cruz Mauro Médica veterinária


Fauna Especialidades Veterinárias melissascmauro@hotmail.com


Daniel Delafiori Médico veterinário


Fauna Especialidades Veterinárias danieldelafiori@hotmail.com


Rodrigo Filippi Prazeres


MV, especialista em pequenos animais, pós-graduando em animais selvagens e exóticos - Instituto Qualittas


rodrigo.prazeres@aspecto.com.br


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