animal de estimação um funeral, e muitas vezes temem que o cadáver seja manuseado de forma desrespeitosa. Esse pensamento é similar ao que ocorre entre os seres humanos 5,6
, tendo em vista a
posição atual dos animais na sociedade. Nesse contexto, é necessário ter em
mente a possibilidade de realizar uma ne- cropsia cosmética (do grego kosmetikós: o que serve para ornamentar), utilizando procedimentos que limitam as ações que desfigurem o cadáver. Cabe lembrar que a necropsia não é um simples retalha- mento ou um esquartejamento do animal, mas sim uma análise sistemática e cien- tífica de um cadáver, que deve ser reali- zada com todo o respeito 7
. Sendo assim, o objetivo deste traba-
lho é fornecer um guia prático de execu- ção da técnica de necropsia cosmética, bem como atentar para as vantagens e desvantagens da sua realização dentro da rotina médico-veterinária.
Execução da técnica e colheita de material De maneira semelhante ao que é
preconizado no exame post mortem ro- tineiro, deve-se analisar a história clíni- ca e realizar uma avaliação externa ri- gorosa do animal. É importante lembrar que o exame post mortem deve ser rea- lizado com o uso de paramentação ade- quada (macacões, aventais, jalecos, botas plásticas, luvas, óculos de pro- teção e máscara cirúrgica) e em local restrito ao acesso público, livre de inse- tos, coberto, com fonte de água cor- rente e luz de boa qualidade 4,8
. Como o exame necessita da realização
de incisões no cadáver animal, faz-se necessário discutir previamente com o proprietário a técnica a ser utilizada, bem como obter a sua autorização por escrito para a execução da necropsia no animal. O principal fator a ser definido para a realização de uma necropsia cosmética é limitar o número de incisões. Ao pla- nejá-las, algumas questões devem ser consideradas, como o local e o tamanho das incisões, considerando sempre a acessibilidade aos órgãos. Na técnica de necropsia cosmética, o mais indicado é que o cadáver do
animal fique posicionado em decúbito dorsal, com os membros amarrados à mesa para estabilizar a carcaça. A partir da região xifoidiana esternal até a região da cicatriz umbilical, deve-se fazer uma incisão longitudinal na pele com o uso de um instrumento cortante (faca Magarefe ou bisturi, preferencialmente). A pele e a musculatura do abdômen devem ser dissecadas para propiciar o acesso à cavidade abdominal (Figura 1). Com a cavidade abdominal exposta,
deve-se observar se há ou não a existên- cia de líquidos. Em caso afirmativo, tais líquidos devem ser analisados e sua
Figura 1 - Incisão longitudinal pré-umbilical sobre a linha alba
Clínica Veterinária, Ano XV, n. 87, julho/agosto, 2010
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Daniela Bernadete Rozza
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