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é influenciado por fatores como grau, cronicidade e local da injúria medu- lar 38,39


. As consequências do trauma da me-


dula espinhal variam desde compressão mínima em herniações discais discretas até ruptura completa da medula espinhal em fraturas vertebrais com deslocamen- to e, por isso, os níveis de deficiência neurológica variam de discreta ataxia, perda de propriocepção consciente e pa- resia até perda completa dos movimen- tos, que pode ser acompanhada de dimi- nuição ou ausência da sensação de dor profunda 40,41


. As afecções agudas e crônicas da me-


dula espinhal são síndromes clinicopa- tológicas distintas, com diferentes sinais clínicos, graus de lesão e tempo de recu- peração 14,17


um fator importante na avaliação da lesão42,43


. Por isso, o tipo de trauma é . Uma compressão gradual lenta


tem um prognóstico mais favorável que uma compressão aguda, pois possibilita a acomodação da medula espinhal e, assim, a disfunção neurológica inicial é menor. Nesse caso, não há hemorragia aguda e necrose e a função da medula permanece preservada7,38,44


. Clinicamen-


te, o trauma crônico é caracterizado por déficit neurológico lentamente progres- sivo, diminuição da propriocepção e pa- resia, algumas vezes intercalados por períodos de normalidade. Nesse caso, a substância branca é a principal estrutura acometida com desmielinização e perda dos axônios 7,14


. Já as lesões agudas são acompanha-


das por hemorragia, reação inflamatória e edema, que começam na substância cinzenta e em poucas horas se estendem até a substância branca e segmentos


medulares adjacentes 5,38


. A substância cinzenta é mais sensível ao trauma agu-


do e à isquemia que a substância branca 7


, conforme discutido anteriormente. A recuperação neurológica após uma compressão crônica é proporcional ao tempo de duração e, portanto, a descom- pressão precoce propicia melhores chances de reparação 7,13,14,43


. Em cães, o canal vertebral é relativa-


mente estreito comparado com o diâme- tro da medula, em especial na região to- racolombar, justificando assim a maior frequência de disfunções por com- pressão nesse local 1


. As afecções espi-


nhais toracolombares tendem a causar lesões mais graves que os cervicais, pois na região cervical o canal vertebral é proporcionalmente maior em relação à medula, o que determina maior tolerân- cia à compressão. A região torácica é a mais estável da coluna vertebral do cão, sendo, em contrapartida, a junção tora- colombar a de maior ocorrência de fra- turas, luxações e discopatias 1,7,38,45


. A gravidade dos déficits sensorial e


motor está diretamente relacionada à in- tensidade da injúria e à área de tecido nervoso danificado. Portanto, o conhe- cimento da função das vias sensitivas e motoras da medula espinhal auxilia na determinação da intensidade e na locali- zação da lesão medular (Figura 7)46-52


. O


controle da locomoção é regulado pelos tratos contidos nos funículos ventrais e ventrolaterais, isto é, tratos reticuloespi- nhal, vestibuloespinhal e projeções do proprioespinhal. As lesões dos tratos dos funículos dorsais (corticoespinhal e ru- broespinhal) danificam gravemente a precisão dos movimentos, mas permitem boa recuperação funcional locomotora,


incluindo a sustentação do peso. En- tretanto, o controle refinado e o equilí- brio durante a locomoção permanecem deficientes 50,51,53


. Quando o trauma agudo ocorre em


uma área de substância cinzenta essen- cial para a locomoção, como nas intu- mescências cervical (C6- T2) e lombos- sacra (L4-S3), em geral os neurologistas afirman que o prognóstico tende a ser desfavorável, pois essa substância é mais sensível a esse tipo de injúria 54


, mas os


resultados de trabalho recente relacio- nado à doença do disco intervertebral que afeta a medula lombosacral contes- tam esse postulado55


. Como essas regiões


inervam respectivamente os membros to- rácicos e pélvicos, uma lesão envolven- do a substância cinzenta de uma delas re- sultará em sinais de neurônio motor infe- rior (NMI) para os membros correspon- dentes14,16,39


(Figura 8). Os sinais de uma


lesão que afeta os neurônios motores in- feriores são: fraqueza, diminuição ou au- sência dos reflexos espinhais, diminui- ção do tônus muscular, paralisia flácida e atrofia muscular grave e precoce. Uma lesão grave da substância cin-


zenta no segmento cervical caudal, além de afetar os membros torácicos, pode danificar os neurônios que originam o nervo frênico, resultando em falência res- piratória e até mesmo na morte do ani- mal. Já uma lesão na intumescência lom- bossacra pode afetar a inervação da be- xiga, determinando incontinência uriná- ria38


(Figura 6). Entretanto, se existe aco-


metimento de área de substância cinzen- ta não essencial para os membros, como o segmento de T3 a L3, a lesão não vai acarretar déficit relevante sobre a loco- moção e terá pouco significado clínico,


Figura 7 - Representação esquemática de corte transversal da medula espinhal, mostrando as posições relativas dos tratos ascendentes e descendentes


78


Figura 8 - Representação esquemática dos segmentos medulares correlacionados com sinais clínicos de neurônios motores superior (NMS) ou inferior (NMI) para os membros torácicos e pélvicos, de acordo com a localização da lesão


Clínica Veterinária, Ano XV, n. 87, julho/agosto, 2010


Karen M. Oliveira e Bruno B. J. Torres


Karen M. Oliveira e Bruno B. J. Torres


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