This page contains a Flash digital edition of a book.
demonstram sua capacidade de aumen- tar o fluxo sanguíneo medular, reduzir o influxo de cálcio celular, aumentar a concentração de magnésio livre e a taxa bioenergética celular, além de modular a liberação de aminoácidos excitatórios. Seus efeitos benéficos foram constata- dos quando utilizada dentro de oito horas após o trauma medular22,57


.


Gangliosídeos São ácidos glicolipídicos complexos presentes em altas concentrações dentro das células do sistema nervoso central (SNC) que estão localizadas na camada externa da membrana celular. O monos- sialotetraexosilgangliosídeo (GM-1) é encontrado nos axônios, na bainha de mielina e nas células da glia, dentro da substância branca. Evidências experi- mentais sugerem que sua administração acelera o crescimento da placa neurítica e estimula a regeneração axonal. Tam- bém atenua a excitotoxicidade e previne a progressão apoptótica, além de regular a proteína quinase C, responsável pela velocidade da condução nervosa, au- mentando assim a plasticidade da fun- ção neurológica do paciente 25,27,68-70


.


Hormônio liberador de tirotropina (TRH) e análogos do TRH São tripeptídeos que estão sendo pes-


quisados no tratamento do trauma me- dular devido a seus efeitos de prevenir e amenizar tais lesões. Os mecanismos propostos para seus efeitos neuroprote- tores incluem propriedades anti-infla- matória, antioxidante e estabilizadora de membranas celulares. Demonstram ainda a capacidade de antagonizar os efeitos autodestrutivos dos opioides en- dógenos, do fator ativador de plaquetas, dos leucotrienos e dos aminoácidos ex- citatórios. Aumentam o fluxo sanguíneo medular, restauram o equilíbrio iônico e o estado bioenergético celular 57,60


.


Antioxidantes e varredores de radicais livres A peroxidação lipídica resultante do


trauma medular é atenuada pelos antio- xidantes endógenos. Entretanto, foi de- monstrado que os níveis de antioxidan- tes endógenos como -tocoferol (vita- mina E), ácido retinoico (vitamina A), ácido ascórbico (vitamina C), selênio e certas ubiquinonas, como a coenzima Q, estão diminuídos após o trauma. Por


82


Sulfato de magnésio Estudos comprovam sua ação neuro- protetora contra as convulsões induzi- das por receptores gabaérgicos e contra a neurodegeneração hipocampal em ratos. Seu efeito benéfico em lesões is- quêmicas induzidas no cérebro e na me- dula espinhal também foi demonstrado. Além de prevenir a excitotoxicidade por sua ação antagonista de receptores NMDAem estruturas neurais, o magné- sio parece inibir a ativação da caspase-3, exercendo um efeito antiapoptótico após lesões isquêmicas. Além disso, a suplementação do magnésio está asso- ciada à diminuição da peroxidação li- pídica, ao aumento significativo de ta- xas bioenergéticas celulares e, conse- quentemente, à melhora da função neu- rológica 34,71,72


.


Bloqueadores de canais de sódio Agentes anestésicos locais, antiarrít-


micos e certos anticonvulsivantes estão sendo avaliados por sua capacidade de bloquear canais de sódio, sugerindo efeito neuroprotetor. Estudos avaliaram a tetrodotoxina, um potente bloqueador de canais de sódio, em trauma medular de ratos. Após sua administração local observou-se preservação tecidual em longo prazo e diminuição dos déficits neurológicos. Outros estudos mostra- ram que a utilização do riluzole, outro agente dessa classe, em trauma medu- lar promoveu um efeito neuroprotetor significativo, preservando tanto a subs- tância branca quanto a cinzenta e me- lhorando a função neurológica 22,57,73,74


.


Antagonistas de receptores glutamatérgicos O reconhecimento de que a ativação


dos receptores NMDA ou não NMDA (AMPA ou kainato) tem um papel im- portante na lesão por excitotoxicidade após o trauma medular estimulou o de- senvolvimento de intervenções farma- cológicas que inibam esse mecanismo. Assim, antagonistas de receptores


Clínica Veterinária, Ano XV, n. 87, julho/agosto, 2010


isso, a reposição de tais antioxidantes é eficaz em amenizar lesões causadas pela peroxidação lipídica. Outros com- postos também mostram benefícios ao atuarem como varredores de radicais livres de oxigênio, dentre eles o su- peróxido desmutase, alopurinol, des- ferroxamina e o polietilenoglicol 28,57,67


.


NMDA como o MK801 e a gaciclidina (GK11) estão sendo investigados expe- rimentalmente, e têm apresentado efei- tos neuroprotetores e aumento da fun- ção locomotora, possivelmente pela re- dução da perda de células gliais na subs- tância branca. Tais agentes apresentam certa toxicidade, uma vez que sua admi- nistração sistêmica pode interferir com a transmissão sináptica em vias gluta- matérgicas essenciais. Portanto, é ne- cessário que se façam mais pesquisas, já que continuam sendo uma estratégia te- rapêutica promissora 15,22,30,31


.


Modulação do metabolismo do ácido araquidônico Os metabólitos resultantes da conver-


são do ácido araquidônico possuem um papel fundamental no mecanismo se- cundário das lesões medulares. Nessa etapa, a terapia farmacológica visa ini- bir as enzimas responsáveis pela con- versão do ácido araquidônico em tais metabólitos, sejam elas as COX (ciclo- xigenases) ou as LOX (lipoxigenases). Assim, diversos fármacos, dentre eles os anti-inflamatórios não esteroidais, que apresentam ações inibitórias contra essas enzimas, têm sido testados e vêm sendo indicados como os principais agentes farmacológicos no tratamento do trauma medular agudo. Os compos- tos inibidores específicos e seletivos de COX-2 demonstram efeitos neuroprote- tores, por aumentar o fluxo sanguíneo medular, diminuir a formação de radicais livres, impedir a agregação plaquetária e modular a resposta inflamatória 15,22,57


.


Progesterona Aprogesterona apresenta efeitos neu- roprotetores, por prevenir a morte ce- lular induzida pela excitotoxicidade presente nos traumas medulares. Sua função é modular o ácido -aminobutíri- co (Gaba) e os receptores NMDA, além de diminuir a permeabilidade da barrei- ra hematoencefálica e apresentar pro- priedades antioxidantes, inibindo assim a peroxidação lipídica. Todavia, contra- riando pesquisas prévias, alguns estudos não foram capazes de associar tais pro- priedades a efeitos neuroprotetores con- cretos 75-77


.


Dimetilsufóxido (DMSO) Esse agente possui um potencial be- néfico no trauma medular, devido a sua


Page 1  |  Page 2  |  Page 3  |  Page 4  |  Page 5  |  Page 6  |  Page 7  |  Page 8  |  Page 9  |  Page 10  |  Page 11  |  Page 12  |  Page 13  |  Page 14  |  Page 15  |  Page 16  |  Page 17  |  Page 18  |  Page 19  |  Page 20  |  Page 21  |  Page 22  |  Page 23  |  Page 24  |  Page 25  |  Page 26  |  Page 27  |  Page 28  |  Page 29  |  Page 30  |  Page 31  |  Page 32  |  Page 33  |  Page 34  |  Page 35  |  Page 36  |  Page 37  |  Page 38  |  Page 39  |  Page 40  |  Page 41  |  Page 42  |  Page 43  |  Page 44  |  Page 45  |  Page 46  |  Page 47  |  Page 48  |  Page 49  |  Page 50  |  Page 51  |  Page 52  |  Page 53  |  Page 54  |  Page 55  |  Page 56  |  Page 57  |  Page 58  |  Page 59  |  Page 60  |  Page 61  |  Page 62  |  Page 63  |  Page 64  |  Page 65  |  Page 66  |  Page 67  |  Page 68  |  Page 69  |  Page 70  |  Page 71  |  Page 72  |  Page 73  |  Page 74  |  Page 75  |  Page 76  |  Page 77  |  Page 78  |  Page 79  |  Page 80  |  Page 81  |  Page 82  |  Page 83  |  Page 84  |  Page 85  |  Page 86  |  Page 87  |  Page 88  |  Page 89  |  Page 90  |  Page 91  |  Page 92  |  Page 93  |  Page 94  |  Page 95  |  Page 96  |  Page 97  |  Page 98  |  Page 99  |  Page 100  |  Page 101  |  Page 102  |  Page 103  |  Page 104  |  Page 105  |  Page 106  |  Page 107  |  Page 108