This page contains a Flash digital edition of a book.
pois nenhum grande grupo muscular ou órgão vital será desnervado 14,16,38,39 Nos traumatismos cervicais craniais


.


ou toracolombares, os sinais clínicos re- fletem, primariamente, danos aos tratos ascendentes e descendentes da substân- cia branca 38


. Uma lesão da substância


branca em qualquer local afeta a coor- denação dos membros, produzindo pa- resia e ataxia, por interferir com a con- dução do impulso a partir e através de estruturas supraespinhais. A injúria da substância branca cranial a um membro produz sinais de neurônio motor supe- rior (NMS) para aquele membro 16,39


. A


injúria do NMS causa tônus muscular normal ou aumentado (espasticidade), paresia ou paralisia tônica e reflexos es- pinhais exacerbados 56


. Os tratos de substância branca da me-


dula espinhal são compostos por fibras nervosas de diferentes diâmetros, a maioria das quais tem estrato mielínico. As fibras de diâmetro maior são mais suscetíveis a lesões por compressão do que as mais delgadas. É necessário um trauma grave na medula espinhal para interromper a sensação de dor profun- da, carreada por fibras delgadas e amielínicas 39,54


. Desse modo, em trau-


mas e compressões medulares, a per- cepção de dor profunda caudal à lesão constitui o teste prognóstico mais im- portante do exame neurológico e é um indicador confiável da integridade fi- siológica da medula espinhal 3,41,56


. Por-


tanto, a propriocepção consciente se perde em primeiro lugar, seguindo-se a atividade motora voluntária, a função de micção, a sensação da dor superfi- cial e a sensação da dor profunda. A recuperação neurológica ocorre na ordem inversa, entretanto, a perda de propriocepção pode ser permanente 38 (Figura 9).


Tratamento do trauma medular Estabilização primária do paciente traumatizado O tratamento do paciente com trau-


matismo medular (Figura 10) deve co- meçar durante seu resgate e transporte, momento no qual toda a coluna deve ser imobilizada com o objetivo de evitar lesões adicionais ou a complicação das já existentes. O principal objetivo do tratamento emergencial consiste na ma- nutenção e no restabelecimento das fun- ções vitais do paciente, das vias aéreas, da respiração e da circulação, de modo que o tratamento específico da lesão medular é realizado somente após a re- solução dessa fase 57,58


.


Após o trauma medular, o paciente de-


senvolve choque neurogênico, cuja gravi- dade está relacionada com a magnitude da injúria e com o nível de comprometi- mento anatômico. Embora a frequência cardíaca, a pressão sanguínea e o nível de catecolaminas possam estar momen- taneamente aumentados após o trauma, geralmente são seguidos de bradicardia e de hipotensão prolongadas. Nessa eta- pa, o tratamento visa prevenir o desenvol- vimento de hipotensão e hipoperfusão sis- têmicas (que futuramente irão exacerbar a injuria isquêmica medular) por meio de monitoramento hemodinâmico e de fluidoterapia associada a suporte vaso- pressor, quando necessário 57,58


.


Figura 9 - Representação esquemática de corte transversal da medula espinhal, mostrando a relação entre o diâmetro da fibra, sua localiza- ção e respectivas funções


Figura 10 - Tratamento emergencial e de apoio do paciente com trauma medular agudo Clínica Veterinária, Ano XV, n. 87, julho/agosto, 2010 79


Karen M. Oliveira e Bruno B. J. Torres


Karen M. Oliveira e Bruno B. J. Torres


Page 1  |  Page 2  |  Page 3  |  Page 4  |  Page 5  |  Page 6  |  Page 7  |  Page 8  |  Page 9  |  Page 10  |  Page 11  |  Page 12  |  Page 13  |  Page 14  |  Page 15  |  Page 16  |  Page 17  |  Page 18  |  Page 19  |  Page 20  |  Page 21  |  Page 22  |  Page 23  |  Page 24  |  Page 25  |  Page 26  |  Page 27  |  Page 28  |  Page 29  |  Page 30  |  Page 31  |  Page 32  |  Page 33  |  Page 34  |  Page 35  |  Page 36  |  Page 37  |  Page 38  |  Page 39  |  Page 40  |  Page 41  |  Page 42  |  Page 43  |  Page 44  |  Page 45  |  Page 46  |  Page 47  |  Page 48  |  Page 49  |  Page 50  |  Page 51  |  Page 52  |  Page 53  |  Page 54  |  Page 55  |  Page 56  |  Page 57  |  Page 58  |  Page 59  |  Page 60  |  Page 61  |  Page 62  |  Page 63  |  Page 64  |  Page 65  |  Page 66  |  Page 67  |  Page 68  |  Page 69  |  Page 70  |  Page 71  |  Page 72  |  Page 73  |  Page 74  |  Page 75  |  Page 76  |  Page 77  |  Page 78  |  Page 79  |  Page 80  |  Page 81  |  Page 82  |  Page 83  |  Page 84  |  Page 85  |  Page 86  |  Page 87  |  Page 88  |  Page 89  |  Page 90  |  Page 91  |  Page 92  |  Page 93  |  Page 94  |  Page 95  |  Page 96  |  Page 97  |  Page 98  |  Page 99  |  Page 100  |  Page 101  |  Page 102  |  Page 103  |  Page 104  |  Page 105  |  Page 106  |  Page 107  |  Page 108