bico. Em galináceos (pavão, mutuns, ja- cutingas), a deformidade da rinoteca pode estar associada a deficiências em- briogênicas de ácido fólico, biotina e ácido pantotênico 5
.
Exemplos de problemas adquiridos envolvem más-formações, necrose do bico ou traumas que incluem perfura- ções, lacerações, rachaduras e avulsões. As anormalidades do bico podem tam- bém ocorrer como resultado de má nu- trição, incubação inapropriada, infecção viral, bacteriana, fúngica e parasitária e ainda por traumas 1,2
. Esses fatores
podem gerar crescimento exagerado do bico, cruzamento de rinoteca e gnatoteca (“bico em tesoura”), encurtamento do bi- co superior (prognatismo), infecções, necrose e fraturas 1-3
. As fraturas de rino-
teca e gnatoteca são decorrentes de trau- mas intensos devido a disputas entre ma- chos, agressões interespecíficas, agres- sões entre companheiros de recinto e choques mecânicos contra objetos do recinto (principalmente em animais recém-introduzidos no cativeiro) 6
. As lesões decorrentes de traumatis-
mos são as mais prevalentes das lesões de bico e variam de acordo com a inten- sidade do trauma. As fendas e fissuras são decorrentes de traumas leves e nor- malmente são tratadas por meio de an- tissepsia local e recobertas com resina acrílica, de forma a evitar infecções se- cundárias 1-3
. As lesões perfurantes são
decorrentes de traumas específicos por meio de materiais pontiagudos e devem
ser recobertas com resina acrílica ou composta até a completa reposição de queratina, que ocorre entre duas e três semanas 1
. Já as fissuras e lesões perfu-
rantes pouco extensas podem ser reco- bertas com esparadrapo à base de celu- lose e cola instantânea à base de ciano- crilato. Muitas vezes são utilizados pro- dutos comerciais não produzidos para área médica, que possuem substâncias potencialmente tóxicas que podem acar- retar problemas aos animais quando depositadas diretamente sobre o bico. Em casos de infecção bacteriana secun- dária, utiliza-se antibiótico sistêmico, preferencialmente após teste de cultura e antibiograma. As fraturas necessitam de fixação e estabilização, de forma a reposicionar corretamente os fragmentos 1,5-7
e pro-
mover imediato retorno do bico à sua função. Fraturas horizontais sobre o eixo nasomaxilar apresentam maior complicação no reparo, necessitando de maior tempo transcirúrgico e prognósti- co reservado. Por sua vez, fraturas ver- ticais completas de rinoteca são relati- vamente comuns e envolvem extrema dificuldade de reparo, principalmente em tucanos, necessitando de próteses complexas e com grande número de insucessos no tratamento. Nos demais tipos, o tratamento está diretamente li- gado à extensão da fratura e do local da ranfoteca acometido, sendo as loca- lizadas próximo à face mais complica- das, em função das forças biomecânicas
envolvidas durante o pós-cirúrgico 5,8
.
Proposição Diversos fatores – como a anatomia particular e o peso bastante reduzido do bico, além do desconhecimento da in- tensidade e da distribuição das forças aplicadas regularmente sobre estes e da interação das resinas com a superfície de queratina – são responsáveis por um grande número de insucessos nos trata- mentos5,8
. O presente relato visa descre-
ver uma técnica cirúrgica que culminou em sucesso de tratamento de correção de fratura de rinoteca em papagaio (Amazona aestiva), que apresentou re- generação óssea maxilar e poderá con- tribuir para futuros estudos de padroni- zação da técnica cirúrgica de correção de bicos de aves.
Relato de caso clínico Um papagaio-verdadeiro (Amazona
aestiva), adulto, de sexo indefinido e mantido como animal de companhia, foi encaminhado à Fauna Especialidades Veterinárias apresentando deformidade na rinoteca e incapacidade de preensão de alimento. Na anamnese evidenciou- se histórico de trauma contra objetos da gaiola e consequente fratura da rinote- ca, cerca de seis meses antes do atendi- mento. No exame clínico observou-se fratura unilateral longitudinal esquerda (paralela ao eixo crânio caudal), como demonstrado na figura 1. A avaliação radiográfica evidenciou
Clínica Veterinária, Ano XV, n. 87, julho/agosto, 2010
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