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enviada para cultura. Com base no ex- posto, o diagnóstico firmado foi de oni- codistrofia lupoide simétrica ou oniqui- te lupoide. Diante do diagnóstico e após explicações ao proprietário, este optou por não realizar nenhum tratamento adi- cional, alegando falta de condições fi- nanceiras, e após isso não mais houve retorno.


Discussão As onicopatias representam aproxi- madamente de 1,3 a 2,2% dos casos atendidos por dermatologistas veteriná- rios especialistas 1


, sendo a OL uma das


causas menos frequentes de desordens ungueais3


. Além disso, seborreia primá-


ria, cinomose, leishmaniose, infestação severa por áscaris, nematódeos, defi- ciência nutricional e ergotismo também podem causar variadas anormalidades nas unhas 7


. Apesar do exposto acima, a


suspeita e o diagnóstico só foram feitos após insucesso do tratamento empírico. O histórico de vacinação deve ser ava- , pois a reação de hipersensibilidade


liado5


do tipo II ou III pode ocorrer, e é possível que agentes vacinais possam promover reações cruzadas com proteínas na junção epiderme-derme da unha, resultando na lesão lupoide característica. A detecção de antígenos virais rábicos foi evidencia- da em parede vascular sanguínea 13


. Essa


possibilidadde foi prontamente descarta- da, pois o cão do presente relato não havia sido vacinado recentemente. O cão em discussão não tinha raça de-


finida, encontrando-se dentro do referido na literatura, que diz que as raças mais predispostas são pastor alemão, rottweiler, schnauzer gigante, golden retriever, labra- dor retriever e cães sem raça definida 14,15


.


Outros referem os pastores alemães e rottweilers como raças predispostas 8


. A


referência a predisposição racial sugere envolvimento genético 3


,o que não pode


ser confirmado neste caso. A idade dos cães acometidos por OL varia de três a oito anos, sendo que o referido estava abaixo dessa faixa etária, pois tinha dois anos no momento do diagnóstico. Os animais apresentam onicomadese, onicorrexe, onicomalácia e onicoclasia, mostrando-se sadios em relação a outros sistemas 3


. Todas as unhas do animal


deste relato apresentavam paroníquia, onicomadese, onicomalácia e leuconíquia e os espaços interdigitais e os leitos un- gueais apresentavam crostas melicéricas.


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Aproximadamente metade dos cães acometidos apresenta dor e claudicação de intensidade leve a moderada3,4


e o cão


deste trabalho claudicava havia um mês. Em todos os casos de OL, devem-se


realizar testes de triagem, como exame parasitológico por raspado de pele, análi- se citológica e culturas bacteriana e fún- gica10


descartando-se causas fúngicas e por ácaros. Optamos por não realizar testes para leishmaniose 11


, por se tratar de ani-


mal oriundo de área livre da doença. O diagnóstico definitivo da OL é rea-


lizado por histopatologia da unha e do lei- to ungueal; amostras da avulsão ou de restos de tecido morto da unha raramente são úteis, pois não contêm a matriz un- gueal que é frequentemente necessária para estabelecer diagnóstico12


. Optou-se


por realizar onicoectomia em dois dedos do membro posterior direito, sendo uma amostra enviada para exame histopa- tológico e outra para cultivo fúngico. Co- mo descrito na literatura, pôde-se chegar ao diagnóstico por meio da histopatologia. De acordo com outra técnica descrita , que fornece amostras


em literatura 12


apropriadas do epitélio ungueal, retira- se apenas parte do leito ungueal, evitan- do-se a amputação da terceira falange. As vantagens desse procedimento em re- lação à amputação da terceira falange incluem rapidez de execução, duração mínima de anestesia geral e diminuição da dor e do desconforto pós-operatórios, uma vez que somente parte da matriz ungueal é removida. Optamos por outra técnica descrita 4


, com amostras obtidas


por amputação da terceira falange, pois a amostragem é maior, além de que uma remoção parcial do epitélio do leito un- gueal resulta em uma unha permanente- mente desfigurada. Após a exposição dos fatos, optamos pela amputação da terceira falange, sendo que o resultado estético e principalmente o pós-operatório foram considerados excelentes pelo proprietário. Os achados histopatológicos na OL


incluem uma faixa de infiltrado mono- nuclear com dermatite de interface, de- generação de células hidrópicas basais, degeneração ou necrose de queratinóci- tos individuais na camada de células basais e incontinência pigmentar, sem a presença de banda de lúpus confirmada pela imunofluorescência direta 11,16


. A


dermatite de interface e o infiltrado mononuclear são sugestivos de lúpus


, o que foi feito no caso em questão,


eritematoso discoide e lúpus eritemato- so sistêmico em cão, porém, na OL não há sinais sistêmicos como títulos eleva- dos de anticorpos antinucleares (ANA), anemia, trombocitopenia ou evidência de glomerulonefrite baseada na urináli- se e no painel bioquímico15


. Os cortes histológicos demonstraram


unha com alterações na junção com a pele. Na epiderme da porção dorsal da unha, observou-se degeneração hidrópi- ca da camada basal e focos de espongio- se. Na derme verificou-se processo in- flamatório mononuclear de interface, constituído por linfócitos, histiócitos, poucos plasmócitos e melanófagos. Não se observaram coleções purulentas, fun- gos ou outro agente etiológico. O osso falangiano apresentou-se histologica- mente normal, e não houve crescimento fúngico na amostra enviada para cultu- ra. Em vista desses achados histopatoló- gicos, foi possível tanto descartar outras doenças definitivamente quanto firmar o diagnóstico de onicodistrofia lupoide. Asuplementação com ácidos graxos


ômega-3 e ômega-6 pode ser utilizada, e a resposta a eles varia de boa ou parcial a ruim10,17


. Em casos não responsivos aos


ácidos graxos na OL, é recomendado o uso associado de tetraciclina e niacina- mida, ou doxiciclina e niacinamida 6,14


.


Quando esse tratamento falhar, é indica- do o uso de pentoxifilina, uma metil- xantina que age como imunomodulado- ra 6


. Diferentemente do que diz a litera-


tura, optamos por manter a cefalexina, pois já havíamos obtido uma resposta favorável com esse antibiótico. A prednisolona, em dose imunossu- , pode ser utilizada como tera-


pressora10


pia de doenças imunomediadas devido a sua atividade anti-inflamatória e imu- nossupressora, porém, deve-se tomar cui- dado para evitar efeitos adversos. Aaza- tioprina também pode ser utilizada na OL, juntamente com a prednisolona 10 ou com a pentoxifilina 6


.


unhas mostram-se onicodistróficas, de- formadas e distorcidas 10


Quando o crescimento é retomado, as . O proprietário


do cão deste relato optou por não reali- zar nenhum tratamento adicional, ale- gando falta de condições financeiras, e após isso não mais houve retorno para acompanhamento da evolução do qua- dro, o que não deve ter sido um grande contratempo, pois após a correção cirúr- gica o quadro evoluiu bem.


Clínica Veterinária, Ano XV, n. 87, julho/agosto, 2010


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