Trauma medular em animais de companhia
Spinal cord injury in companion animals Trauma medular en animales de compañía
Resumo: As consequências do trauma medular são graves e a abordagem imediata dos pacientes é primordial para evitar a progressão dos danos e permitir a restauração da função neurológica. Amedula espinhal sofre inicialmente um trauma primário que não pode ser evitado e é caracterizado por necrose tecidual no local do impacto. Após esse evento, inicia-se uma cascata de alterações celulares e moleculares que dão origem à lesão secundária, caracterizada por morte celular programada em áreas distantes do local primeiramente acometido. O entendimento dos mecanismos da lesão secundária pode favorecer a identificação de novas estratégias terapêuticas. A identificação e a localização precisas da lesão são pri- mordiais para que seja possível uma intervenção apropriada, antecipando e amenizando as consequências em curto, médio e longo prazo. Como ainda não existe uma terapia capaz de reverter os danos decorrentes do trauma medular, busca-se, por meio dos recursos disponíveis até o presente momento, o incremento do potencial regenerativo dos neurônios lesados e a promoção de plasticidade dos circuitos sobreviventes. Unitermos: cães, gatos, neurologia, fisiopatologia, tratamento
Abstract: The consequences of spinal cord injury are severe and the immediate patient assistance is paramount to prevent the progression of damage and allow the restoration of neurological function. The spinal cord is affected at first by a primary trauma that can not be avoided, which is characterized by tissue necrosis at the site of impact. This event triggers a cascade of cellular and molecular changes that lead to secondary injury, characterized by programmed cell death in distant areas from the first site damaged. Understanding the mechanisms of secondary injury may facilitate the identification of new therapeutic strategies. The identification and precise localization of the lesion are essential in order to intervene properly, anticipating and alleviating the consequences in short, medium and long terms. Since at the moment no therapy is able to revert damage resulting from spinal cord injury, one tries to increase the regenerative potential of injured neurons and promote plasticity of surviving circuits. Keywords: dogs, cats, neurology, physiopathology, treatment
Resumen: Las consecuencias del trauma medular son severas y la asistencia inmediata de los pacientes es fundamental para prevenir la progresión de los daños y permitir el restablecimiento de la función neurológica. La médula espinal sufre una lesión primaria que no puede evitarse, que se caracteriza por necrosis del tejido en el lugar del impacto. Después de este evento se inicia una cascada de cambios celulares y moleculares que conducen a la lesión secundaria, que se caracteriza por muerte celular programada en las zonas alejadas de los primeros sitios afectados. La comprensión de los mecanismos de lesión secundaria puede facilitar la identificación de nuevas estrategias terapéuticas. La identificación y localización precisas de la lesión son esenciales a fin de intervenir adecuadamente, anticipar y minimizar las consecuencias a corto, mediano y largo plazo. Todavía no existe tratamiento capaz de curar el daño de la lesión espinal, por eso se busca por medio de los recursos disponibles por el momento, el aumento del potencial de regeneración de las neuronas lesionadas y la promoción de plasticidad de los circuitos supervivientes. Palabras clave: perros, gatos, neurología, fisiopatología, tratamiento
Clínica Veterinária, n. 87, p. 72-86, 2010
Introdução As espécies domésticas são frequen-
temente acometidas por afecções neuro- lógicas, dentre as quais a lesão da me- dula espinhal é uma das mais comuns. Esse quadro patológico, além de com- prometer a qualidade de vida, pode evo- luir para a morte ou determinar a euta- násia do paciente acometido1,2
. O trauma medular é causado por fa-
tores extrínsecos e/ou intrínsecos que acometem a coluna vertebral, a medula espinhal ou ambas. Os fatores extrínse- cos incluem atropelamentos, quedas, chutes e pisoteios, mordidas e projéteis de armas de fogo e comumente acarre- tam fratura ou luxação vertebral 3,4
. As
causas intrínsecas compreendem pro- trusão ou extrusão do disco interverte- bral, má-formação vertebral, fraturas
72
patológicas devido a osteopenia, osteo- mielite e massas compressivas extra- meduares, como abscessos e neopla- sias 5-7
. Quando um paciente se apresenta
com trauma agudo da medula espinhal, o tempo é seu maior inimigo. Aaborda- gem terapêutica imediata é primordial para a restauração da melhor função neurológica possível, visto que a pro- gressão dos danos teciduais encontra-se concluída entre oito e 24 horas após uma injúria aguda e grave. Portanto, para que um tratamento seja efetivo, ele deve ser instituído nesse período 8
. Além do restabelecimento da fun-
ção neurológica, o controle da dor e o curto período de hospitalização con- stituem objetivos importantes no trata- mento da lesão medular, evitando
assim complicações em longo prazo. Dessa maneira, busca-se o incremento do potencial regenerativo dos neurô- nios lesados, seja pela limitação das consequências do dano celular secun- dário ao trauma inicial, seja pela pro- moção de plasticidade em circuitos so- breviventes por meio de procedimen- tos de reabilitação 9-11
. Estudos abordando a fisiopatologia
das injúrias medulares têm se tornado cada vez mais frequentes. Existe um ex- pressivo interesse em reconhecer e en- tender os mecanismos de degeneração e reparo neuronais, a fim de aumentar as chances de sucesso da recuperação dos pacientes 12
. Diante dessa afecção que
acarreta disfunções consideráveis, o objetivo que se impõe é descobrir um medicamento capaz de reverter o qua- dro patológico e que possa ser emprega- do nas medicinas humana e veterinária. Portanto, a presente revisão tem por fi-
nalidade aproximar do médico veteriná- rio o conhecimento profundo dos meca- nismos da lesão envolvidos no trauma medular, discorrer sobre os sinais clínicos e a localização das lesões, os tratamen- tos experimentais e correntes, e os de- mais cuidados de que nossos pacientes necessitam em longo prazo.
Clínica Veterinária, Ano XV, n. 87, julho/agosto, 2010
Bruno Benetti Junta Torres
MV, especialista, MSc., doutorando
brunobjtorres@yahoo.com.br
Fátima Maria Caetano Caldeira MV, MSc., doutoranda
Depto. Clínica e Cirurgia Veterinárias - EV/UFMG
caldeirafat@yahoo.com.br
Karen Maciel de Oliveira MV, mestranda
Depto. Clínica e Cirurgia Veterinárias - EV/UFMG
karenmacieloliveira@yahoo.com.br
Eliane Gonçalves de Melo MV, MSc, DSc, profa. assoc.
Depto. Clínica e Cirurgia Veterinárias - EV/UFMG
elianemelo@ufmg.br
Page 1 |
Page 2 |
Page 3 |
Page 4 |
Page 5 |
Page 6 |
Page 7 |
Page 8 |
Page 9 |
Page 10 |
Page 11 |
Page 12 |
Page 13 |
Page 14 |
Page 15 |
Page 16 |
Page 17 |
Page 18 |
Page 19 |
Page 20 |
Page 21 |
Page 22 |
Page 23 |
Page 24 |
Page 25 |
Page 26 |
Page 27 |
Page 28 |
Page 29 |
Page 30 |
Page 31 |
Page 32 |
Page 33 |
Page 34 |
Page 35 |
Page 36 |
Page 37 |
Page 38 |
Page 39 |
Page 40 |
Page 41 |
Page 42 |
Page 43 |
Page 44 |
Page 45 |
Page 46 |
Page 47 |
Page 48 |
Page 49 |
Page 50 |
Page 51 |
Page 52 |
Page 53 |
Page 54 |
Page 55 |
Page 56 |
Page 57 |
Page 58 |
Page 59 |
Page 60 |
Page 61 |
Page 62 |
Page 63 |
Page 64 |
Page 65 |
Page 66 |
Page 67 |
Page 68 |
Page 69 |
Page 70 |
Page 71 |
Page 72 |
Page 73 |
Page 74 |
Page 75 |
Page 76 |
Page 77 |
Page 78 |
Page 79 |
Page 80 |
Page 81 |
Page 82 |
Page 83 |
Page 84 |
Page 85 |
Page 86 |
Page 87 |
Page 88 |
Page 89 |
Page 90 |
Page 91 |
Page 92 |
Page 93 |
Page 94 |
Page 95 |
Page 96 |
Page 97 |
Page 98 |
Page 99 |
Page 100 |
Page 101 |
Page 102 |
Page 103 |
Page 104 |
Page 105 |
Page 106 |
Page 107 |
Page 108