para a detecção dessas lesões. No entan- to, são métodos muito caros, consomem muito tempo e não oferecem moni- toração contínua do fluxo sanguíneo cerebral 18
. Os estudos de imagem do encéfalo –
como a ressonância magnética e a tomo- grafia computadorizada – são necessá- rios para confirmar a suspeita de AVE, para definir o território vascular envol- vido e a extensão da lesão e para distin- guir entre AVE isquêmico ou hemorrá- gico. Também é necessário pesquisar outras causas de déficit neurológico, como, por exemplo, tumores e encefali- te 13
. Assim, é recomendável a obtenção
do estudo anatomopatológico, quando possível. Os testes diagnósticos auxiliares do
AVE isquêmico devem priorizar a ava- liação do animal em relação a hiperten- são (e sua potencial causa base), doen- ças endócrinas (hiperadrenocorticismo, hipotireoidismo, diabetes melito), doen- ças renais, doenças cardíacas e doenças metastáticas. No caso de AVE hemorrá- gico, os testes diagnósticos devem ser focados na pesquisa de distúrbio de coa- gulação (e possível doença de base), hi- pertensão (e possível causa) e doença metastática 4
. Aultrassonografia transcraniana
(USTC) é conhecidamente utilizada na medicina para examinar o cérebro dos seres humanos, e sua aplicação tem sido ampliada na veterinária 19
. Os ossos do
crânio da região frontal e da face de cães e gatos são muito mais espessos em
comparação com os dos humanos, difi- cultando a avaliação sonográfica por esses acessos. Porém, a região temporal possui espessura e trabeculação óssea mais fina, permitindo a formação de imagem em diversos planos de corte 19
.
A USTC parece ser um método de fácil acesso usado na medicina veterinária, com baixo custo e boa sensibilidade para a detecção de lesões focais cere- brais em pequenos animais 20
.
O ultrassom Doppler transcraniano (USDTC) é um método não invasivo, de baixo custo e efetivo em monitorar a ve- locidade sanguínea das grandes artérias intracranianas 21
.
Material e métodos Foi feito um estudo retrospectivo de
todos os laudos de ultrassonografia Doppler transcraniana (USDTC) reali- zados durante o período de agosto de 2007 a junho de 2008. Durante o perío- do selecionado, foram encontrados nos arquivos digitais 512 laudos de USDTC em cães encaminhados inicialmente para a realização do exame por apresen- tarem sinais clínicos de origem neuroló- gica central ou ataque focal repentino de caráter agudo e não progressivo 22
.
Foram incluídos nesse estudo os cães que vieram a óbito natural ou recebe- ram eutanásia, foram submetidos a ne- cropsia e cujo laudo histopatológico confirmou achados compatíveis com os provocados por acidente vascular ence- fálico. Os laudos histológicos foram rea- lizados no Laboratório Provet (6 casos)
e na FMVZ/USP (46 casos). Foram selecionados somente 52 cães de 16 ra- ças diferentes e idade entre um e dezoi- to anos. Foi utilizado um equipamento marca , modelo P5, com aplicativos
GE®
Doppler pulsado e colorido (modos du- plex e triplex), transdutores convexos multifrequenciais, um de 3 a 5MHz e outro de 4 a 6MHz, além de um transdu- tor linear de 7 a 10MHz. As imagens foram adquiridas pela saída USB em formato JPEG. Atécnica de avaliação ultrassonográ-
fica modo B foi realizada por um único examinador durante todo o período sele- cionado e conforme descrito em litera- tura 19,20
. Após a ultrassonografia modo
B, o encéfalo foi avaliado por meio do mapeamento Doppler colorido para es- tudo da arquitetura vascular. Foram observadas as artérias cerebrais (rostral, média e caudal) direitas e esquerdas e o sistema vertebrobasilar intracraniano. O Doppler pulsado foi acionado e o cursor foi posicionado nas artérias cerebrais principais, em janelas acústicas tempo- rais e/ou fontanela rostral quando aberta conforme descrito em literatura 23
.
Quando o traçado se apresentou livre de artefatos, a imagem foi congelada e após a correção do ângulo, procedeu-se à análise da morfologia das ondas. Fo- ram medidas: a velocidade de pico sis- tólico máximo e a velocidade diastólica final em cada um dos vasos observados, e também foram calculados os índices de resistividade (IR) destes, utilizando-se
Clínica Veterinária, Ano XV, n. 87, julho/agosto, 2010
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