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Acidente vascular cerebral (AVC) – denominado atualmente, com seu con- ceito ampliado, de acidente vascular en- cefálico (AVE) – é a apresentação clíni- ca mais comum de doenças cerebrovas- culares. É definido como um ataque re- pentino de sinais cerebrais focais não progressivos secundários a uma doença cerebrovascular. Por convenção, esses sinais devem continuar por mais de 24 horas para qualificar o diagnóstico de AVE, que é frequentemente associado com o dano permanente do encéfalo ou sequela. Se os sinais clínicos se resolve- rem em até 24 horas, o episódio é cha- mado de ataque isquêmico transitório (AIT). Do ponto de vista patológico, as lesões que afetam os vasos sanguíneos cerebrais são divididas em duas vastas categorias: isquemia com ou sem infar- to secundário à obstrução de vasos san- guíneos e hemorragias causadas por ruptura de parede de vasos sanguíneos4


.


AVE isquêmico Com reserva limitada, o encéfalo precisa de suplemento permanente de


glicose e oxigênio para manter a função da bomba iônica. Quando a pressão de perfusão cai para níveis críticos, desen- volve-se a isquemia, que resulta em in- farto se isso persistir por tempo sufi- ciente. Um infarto é uma área de parên- quima cerebral comprometida, causada pela oclusão de um ou mais vasos san- guíneos. Isso pode se dar devido tanto a uma obstrução vascular que se desen- volve em vasos ocluídos (trombose) co- mo devido a material obstrutivo origina- do de outro leito vascular que viaja até o encéfalo. Dependendo do tamanho do vaso envolvido, o infarto pode ser visto como a consequência de uma doença de vaso pequeno (infarto lacunar) ou de uma doença de vaso maior (infarto terri- torial). Em contraste com o núcleo, on- de a isquemia é severa e o infarto se de- senvolve rapidamente, as áreas ao redor do centro (chamadas de penumbra) mostram um decréscimo moderado do fluxo sanguíneo cerebral e podem toler- ar durações maiores de estresse isquê- mico. Na penumbra, os neurônios con- tinuam viáveis, mas correm o risco de


se tornarem irreversivelmente lesados 4 O AVE isquêmico é relatado com


.


pouca frequência na literatura médica veterinária quando comparado com a li- teratura médica 4


. A maioria é baseada


em resultados post mortem de cães que vieram a óbito – ou passaram por euta- násia – como resultado de um AVE is- quêmico severo. Isso pode afetar a de- tecção da real prevalência e o tipo de causa básica, já que apenas os mais se- veramente afetados – ou os cães com in- farto ocorrido secundariamente a uma doença com prognóstico ruim – morre- ram e foram necropsiados. As causas básicas identificadas em casos histolo- gicamente confirmados incluem: trom- boembolismo séptico, aterosclerose asso- ciada ao hipotireoidismo primário, mi- gração parasitária ou êmbolo parasitário (Dirofilaria immitis), êmbolo de células tumorais metastáticas, linfoma intravas- cular e embolismo fibrocartilaginoso 5


.


Em um recente estudo baseado na sus- peita clínica e no diagnóstico de AVC isquêmico nas imagens por ressonância magnética, foi detectada em pouco mais


Clínica Veterinária, Ano XV, n. 87, julho/agosto, 2010


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