os parâmetros de normalidade estabele- cidos na literatura internacional 23,24,25,26
.
Foi utilizado como referência normal do índice de resistividade para as artérias cerebrais (rostral, média e caudal) o valor de 0,55 ± 0,05, conforme citado na literatura 24
.
Resultados e discussão Os acidentes vasculares encefálicos
são eventos que culminaram na ruptura e/ou oclusão de um ou mais vasos cere- brais, ocasionando morte celular do ter- ritório irrigado pelo vaso ou vasos em questão, observados na necropsia e/ou confirmados no exame histológico. So- mente em dezesseis cães observou-se oclusão total ou parcial de um ou mais vasos ocasionando áreas isquêmicas. A presença de ruptura de pelo menos um vaso em decorrência de oclusão por in- filtrado inflamatório foi detectada em se- te animais. Em vinte animais detectou- se oclusão associada a fragilidade vas- cular com pelo menos um vaso apresen- tando ruptura e área de hemorragia. Em seis cães observaram-se áreas de hemor- ragia e em três cães essas áreas foram associadas à presença de rede vascular anômala decorrente de neoplasia. Me- diante as informações das fichas clíni- cas e dos achados histopatológicos, a distribuição de frequência das causas de base encontra-se descrita na figura 1. Foram revistos os laudos ultrassonográ- ficos dos animais selecionados e a dis- tribuição de frequência dos achados ul- trassonográficos foi resumida e disposta nas figuras 2 e 3. No modo B observou- se que as lesões focais únicas e/ou múl- tiplas foram mais numerosas em relação às difusas. As imagens de alterações he- morrágicas de parênquima encefálico geralmente tendem à hiperecogenicida- de, assim como em afecções onde há substituição do tecido original por outro de densidade maior 20
. Este achado é
inespecífico e pode ser complementado com as informações hemodinâmicas fornecidas pelo estudo Doppler trans- craniano. Neste estudo, em cinco ani- mais o IR das artérias cerebrais princi- pais obtido pelo mapeamento duplex Doppler colorido apresentou-se dimi- nuído em um ou mais vasos, ou seja, menor que 0,50. Essa condição geral- mente está relacionada a processos que aumentam a permeabilidade do leito vascular ou a condições que aumentam
36
o calibre dos vasos, como, por exemplo, em processos inflamatórios. As encefa- lites, meningoencefalites e as vasculites (idiopáticas ou desencadeadas pela pre- sença de hematozoários) ocasionam processos inflamatórios 17
. Em 38 animais observou-se IR au-
mentado (ou seja, maior que 0,60) em um ou mais vasos e em nove animais não se observaram alterações doppler- velocimétricas dos parâmetros analisa- dos. Sabe-se que as áreas hemorrágicas também podem ocasionar efeito de massa nos vasos adjacentes, assim como neoplasias ou outras afecções que levam à estenose vascular 23
. O mapea-
mento Doppler pulsado de um vaso ce- rebral com estenose pode demonstrar uma alteração na morfologia da onda capaz de caracterizar e, em alguns ca- sos, de quantificar a estenose vascular23,25
. Causas
base de AVE diabetes
diabetes e hiperadrenocorticismo hiperadrenocorticismo hipotireoidismo
hiperlipemia do schnauzer meningoencefalite do pug
angiopatia amiloide cerebral hemoparasitas
distúrbios de coagulação origem desconhecida Total
Achados ultrassonográficos em modo B
lesão focal hiperecogênica única lesão focal hiperecogênica múltipla lesão focal hipoecogênica única lesão focal hipoecogênica múltipla lesão difusa: aumento da ecogenicidade lesão difusa: diminuição da ecogenicidade ausência de lesões sonográficas Total
Achados Doppler ultrassonográficos IR diminuído em um ou mais vasos IR aumentado em um ou mais vasos
ausência de alterações no mapeamento Doppler Total
O cérebro possui mecanismos hemodi- nâmicos compensatórios eficientes que são capazes de manter a pressão intra- craniana e índices de resistividade (IR) normais, porém a morfologia da onda pode apresentar-se alterada no vaso do território afetado 25
. Embora a deposição
de placas ateromatosas não aconteça na- turalmente no processo de senescência do cão, sabe-se que as doenças que levam a alterações do metabolismo do colesterol podem ocasionar estenose vascular no cão semelhante à que ocorre na espécie humana4,8,9
. Essas placas pro-
movem estenose vascular em diversos graus, que podem ser detectados princi- palmente por meio do estudo Doppler pulsado 21
.
Os dados referentes à distribuição de frequência de sexo, raça e idade foram dispostos nas figuras 4, 5 e 6.
Número absoluto de Percentagem de
meningoencefalite granulomatosa neoplasias
animais acometidos animais acometidos (%) 5 1 6 1 3 1 6 3
10 2
11 2 6 2
11 6
14 8 2 2
52 Número
de animais 13 5 1 3
15 5
10 52
27 15 4 4
100
Figura 1 - Distribuição de frequência das causas base de acidentes vasculares encefálicos (AVE) em cães entre agosto de 2007 a junho de 2008
Percentagem de animais (%)
25 10 2 6
29 10 18
100
Figura 2 - Distribuição de frequência de achados ultrassonográficos em cães com acidentes vascu- lares encefálicos entre agosto de 2007 e junho de 2008
número de animais 5
38 9
52
Figura 3 - Distribuição de frequência dos achados Doppler ultrassonográficos em cães com aciden- tes vasculares encefálicos entre agosto de 2007 e junho de 2008
Clínica Veterinária, Ano XV, n. 87, julho/agosto, 2010
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