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Pesquisa Substância cancerígena tem atuação desvendada * A


aflatoxina, substância tóxica produzida por alguns tipos de fungos em nozes,


amendoim e outras sementes oleosas, pode causar câncer do fígado se ingerida em grandes quantidades, reforça estudo feito nos Estados Unidos e publicado em 22 de outubro de 2009 na revista Nature. O novo estudo revela o processo por meio


do qual ocorre esse papel cancerígeno, o que pode levar ao desenvolvimento de métodos de controle. Segundo a pesquisa, a toxina destrói um gene que atua na prevenção de câncer em humanos, conhecido como p53. O trabalho aponta que, sem a proteção do


p53, a aflatoxina pode comprometer a imu- nidade, interferindo com o metabolismo e cau- sando grave desnutrição e, finalmente, câncer. Shiou-Chuan (Sheryl) Tsai, da Universidade


da Califórnia em Irvine (UCI), e colegas da mesma instituição e da Universidade Johns Hopkins descobriram também que uma proteína


chamada PT é fundamental para que a aflato- xina se forme em fungos. Até então, não se sabia o que disparava o crescimento da toxina. “A proteína PT é a chave para fazer o vene-


no. Com esse conhecimento, talvez possamos combatê-la com drogas, inibindo a capacidade do fungo de fazer a aflatoxina”, disse Sheryl. Destruir o fungo é o método tradicional de descontaminação, mas se trata de um processo caro. Eliminar a proteína seria uma alternativa muito mais eficiente. “Essa descoberta levará a um aumento no conhecimento de como a aflatoxina causa cân- cer de fígado em humanos. Ela deverá permitir o desenvolvimento de inibidores e de, assim es- peramos, uma nova abordagem de prevenção química contra essa doença mortal”, disse Frank Meyskens, diretor do Centro de Pesquisa do Câncer da UCI. O estudo aponta que, por causa da legisla- ção insuficiente, cerca de 4,5 bilhões de pessoas


em países em desenvolvimento estão critica- mente expostas a alimentos com grandes quan- tidades de aflatoxina, até centenas de vezes as quantidades consideradas seguras. Em países como China, Vietnã e África do


Sul, a combinação de aflatoxina com a exposi- ção ao vírus da hepatite B aumenta os riscos de ocorrência de câncer de fígado em 60 vezes. “É realmente chocante como esses fungos


podem afetar a saúde pública”, disse Sheryl. A aflatoxina forma colônias e contamina grãos antes da colheita ou durante a estocagem. A Food & Drug Administration do governo norte-americano considera inevitável a conta- minação de alimentos por essa toxina, mas estipula limites toleráveis. O artigo Structural basis for biosynthetic


programming of fungal aromatic polyketide cyclization, de Shiou-Chuan Tsai e outros, pode ser lido por assinantes da Nature em www.nature.com.


* Fonte: Agência FAPESP - www.agencia.fapesp.br/materia/11254/divulgacao-cientifica/substancia-cancerigena-tem-atuacao-desvendada.htm Falso resultado positivo para leishmaniose visceral canina * D


e acordo com um estudo realizado na Universidade Estadual Paulista (Unesp),


em Botucatu, o diagnóstico unicamente com exames sorológicos pode apresentar falhas devido à possibilidade de ocorrências de rea- ções cruzadas com outros microrganismos. Segundo a pesquisa, foram analisados cães


nos municípios de Botucatu e Bauru, regiões consideradas como não-endêmica e endêmica, respectivamente. O exame convencional – so- rologia pela técnica de imunofluorescência in- direta (RIFI) pode detectar o parasita Leishmania sp. como o Trypanosoma cruzi, agente que causa a doença de Chagas. De acordo com professora Simone Baldini


Lucheis, pesquisadora científica da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta), órgão da Secretaria de Agricultura e Abasteci- mento do Estado de São Paulo, para evitar falsos positivos seria necessário realizar exames de contraprova, como o exame parasitológico di- reto e a PCR. “O exame convencional para Leishmania


pode apresentar resultados falsos positivos pois, no momento do exame, o animal pode ter produzido anticorpos contra outros parasitas que são da mesma família da Leishmania, como Trypanosoma cruzi. Em muitos casos, o animal só está infectado por um deles, mas o


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exame acusa a presença do outro protozoário” disse à Agência FAPESP. O trabalho foi publicado na revista Veterinary Parasitology. O estudo é resultado da disserta- ção de mestrado de Marcella Z. Troncarelli, da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Unesp de Botucatu, orientada por Simone com Bolsa da FAPESP. Na pesquisa, foram analisadas amostras de


100 cães do Centro de Controle de Zoonoses, em Bauru, área considerada endêmica para leishmaniose visceral, e outros 100 cães do Canil Municipal de Botucatu, município con- siderado indene para a doença. De acordo com Marcella, como há possibili-


dade de reações cruzadas à sorologia, objeti- vou-se com o estudo a elucidação diagnóstica por meio da associação de três técnicas. A RIFI, recomendada pelo Ministério da Saúde, além do exame parasitológico direto, a partir de fragmentos de fígado e baço, e o exame PCR. “A associação das três técnicas ajudou a


identificar os animais realmente infectados por Leishmania. E devido à elevada sensibilidade do PCR foi possível detecção de animais que haviam apresentado resultados negativos à so- rologia”, disse à Agência FAPESP. Os resultados do exame sorológico apontaram que 16% dos 200 testes tiveram resultado po-


sitivo para ambas as doenças. Nas amostras dos cães de Bauru, 65% dos testes sorológicos foram positivos para Leishmania e 40% para Trypanosoma cruzi. Entre os cães de Botucatu, todas as amostras foram negativas para Leishmania e apenas 4% foram positivas para o parasita da doença de Chagas. “Quando realizamos o exame parasitológico


e a PCR para Leshmania, foram obtidos, respectivamente, resultados positivos para 59% e 76% nas amostras de fígado, e 51% e 72% nas amostras de baço dos cães de Bauru. Nenhuma amostra foi positiva pela PCR para pesquisa de T. cruzi. Estes dados reforçam a ocorrência de reações cruzadas à sorologia", disse”, disse a veterinária, que atualmente faz o doutorado na Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ) da Unesp. Outro problema do exame sorológico, segundo


ela, é que o resultado pode apontar também os falsos negativos – isto é, o exame resulta nega- tivo, mas na realidade o animal está infectado. “Por estresse, imunodepressão causada pela doença, ou fatores individuais, o animal pode não produzir anticorpos em níveis detectáveis pelos testes sorológicos. Pela PCR, registra- mos um número maior de animais infectados do que a própria sorologia. Ou seja, esse exame elu- cidou os falsos negativos”, afirmou Marcella.


* Fonte: Agência FAPESP (Por Alex Sander Alcântara) - www.agencia.fapesp.br/materia/11225/especiais/resultados-cruzados.htm Clínica Veterinária, Ano XIV, n. 83, novembro/dezembro, 2009


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