cirurgia 11
, é justificada pela inexistência de circulação no enxerto12. O período de
imobilização do enxerto com bandagem durante as primeiras 72 horas após a ci- rurgia é importante para auxiliar o pro- cesso de inosculação, durante o qual os pequenos vasos contidos no enxerto irão se anastomosar com os vasos oriundos do leito receptor. O período ideal para a troca das ban-
dagens após a enxertia, segundo a litera- tura consultada, ainda é um assunto controverso. No presente trabalho, a pri- meira troca de bandagem foi feita 72 horas após a operação, com a finalidade de observar o acúmulo de fluido 9
. As
. Em alguns estudos com enxertia de pele 13,14, foram realizadas trocas diárias
bandagens diminuem os riscos de mobi- lidade durante o período crítico das 48 horas iniciais, razão pela qual devem ser trocadas três a cinco dias após o enxer- to 10
das bandagens após enxertos em malha. O intenso manuseio do local enxertado pode favorecer a ruptura do selo de fi- brina entre o leito doador e receptor 15
.
No presente caso, foram realizadas tro- cas de bandagens ao quinto e décimo dias e a manipulação não proporcionou descolamento do enxerto do leito recep- tor. Entretanto, poucas trocas de banda- gens podem favorecer o crescimento bacteriano e algumas dessas bactérias podem causar a dissolução das ligações de fibrina ou produzir exsudato sufi- ciente que pode descolar o enxerto do seu leito receptor 9
. No presente caso, os
autores observaram que após um inter- valo de cinco dias entre as trocas de bandagens, não havia ocorrido forma- ção de exsudato suficiente a ponto de comprometer a ligação do enxerto com o leito receptor. O uso de bandagem de crepom em lugar da bandagem elástica favoreceu a estabilização do enxerto junto ao leito receptor, sem provocar compressão excessiva. Nos casos em
que ocorre compressão sobre o enxerto em decorrência do efeito elástico da bandagem, associado ao aumento de vo- lume tecidual por consequência do ede- ma pós-operatório, pode ocorrer com- prometimento parcial ou total do resul- tado da operação. Quanto ao resultado estético, o cres-
cimento piloso foi mais uniforme na re- gião submetida à enxertia em malha quando comparado ao que sucedeu à en- xertia por pinçamento, pois o enxerto de espessura total favorece o crescimento dos pelos quando comparado ao de es- pessura parcial 4,16
. Nas regiões repara-
das cirurgicamente por enxerto de es- pessura parcial, o crescimento piloso ocorreu de forma dispersa, resultando em locais sem pelos, pois a cicatrização ocorreu por epitelização 4,17
.
Conclusão Diante dos resultados obtidos, pode-
se concluir que a associação entre as técnicas de enxertia cutânea em malha e por pinçamento proporcionou resulta- dos satisfatórios para o tratamento da perda cutânea sobre a articulação do joelho dessa paciente, principalmente no aspecto funcional. Quanto ao aspecto estético, considerou-se adequado o re- sultado obtido diante das dimensões e da gravidade da lesão.
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Clínica Veterinária, Ano XIV, n. 83, novembro/dezembro, 2009
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