This page contains a Flash digital edition of a book.
submandibulares e subescapulares do lado direito. Nos pulmões foram obser- vados múltiplos nódulos, variando de 0,5 a 3cm de diâmetro, firmes e esbran- quiçados, distribuídos aleatoriamente pelo parênquima (Figura 5). Aavaliação microscópica permitiu caracterizar essas lesões como decorrentes de recidi- va e metástases do AGTP.


Discussão No presente caso, não foi possível a avaliação clínica do olho e de seus ane- xos, pois o neoplasma recobria e inva- dia essas estruturas. Há descrições de que o AGTP se caracteriza clinicamente como um nódulo sólido, de coloração rosada, localizado na região do canto medial ocular, e pode apresentar com- portamento invasivo, acarretando desor- dens estruturais e funcionais do olho e de seus anexos7,10


. Existem várias glândulas localizadas


na região periorbital. O neoplasma epi- telial orbital primário pode se originar da glândula da terceira pálpebra, da glândula salivar zigomática, da glândula lacrimal ou da glândula sudorípara cutâ- nea. Esses neoplasmas apresentam ca- racterísticas histológicas e de comporta- mento biológico semelhantes, tornando o diagnóstico definitivo problemático11-13


.


No presente relato, a determinação da ori- gem do neoplasma foi confirmada histo- logicamente pela observação da prolife- ração de tecido epitelial neoplásico adja- cente à cartilagem da terceira pálpebra. Alguns autores preconizam que técnicas histoquímicas podem auxiliar na defi- nição da histogênese do neoplasma11,14 Para neoplasmas adequadamente exci-


.


sados, o AGTP apresenta baixa taxa de recorrência e as metástases são descritas como raras ou inexistentes 10


. Em uma


série de sete cães acometidos por AGTP, quatro apresentaram recidivas e um sofreu eutanásia sete meses após a ci- rurgia, por apresentar possível metásta- se em linfonodo submandibular e no tórax, mas a necropsia não foi realiza- da 7


. No presente caso, observaram-se


metástases nos linfonodos e nos pul- mões durante a avaliação clínica e ra- diográfica, confirmadas posteriormente pelo exame histopatológico. As metás- tases do AGTP ocorrem em casos crôni- cos e negligenciados 15


, o que possivel-


mente ocorreu nesse caso, pois o animal em questão era um cão errante.


36


Figura 5 - Detalhe histológico do tecido neoplá- sico demonstrando células epiteliais com pleo- morfismo intenso e com padrão de ácinos (ca- beças de seta) (HE, Obj 100x)


A aparência histológica do AGTP


varia de bem diferenciada, com padrão de ácinos evidente, a pobremente dife- renciada, constituída por tecido epitelial sólido. As margens dessa lesão neoplási- ca geralmente são indistintas, com pa- drão infiltrativo, requerendo exérese ci- rúrgica com ampla margem de segurança para remoção completa10


. No presente re-


lato, embora se pudessem observar áreas com padrão de ácinos, havia pleomorfis- mo celular e nuclear acentuado e mar- gens indistintas; no entanto, a ocorrência de mitoses não foi frequentemente obser- vada. Nos casos em que o componente epitelial é muito indiferenciado, a imu- noistoquímica pode ser utilizada para di- ferenciação de lesões inflamatórias 10,16 A cirurgia com remoção completa da


.


terceira pálpebra é descrita como o tra- tamento de eleição para o AGTP, pois diminui consideravelmente a taxa de re- cidiva1,7


. Atécnica cirúrgica realizada no


animal deste relato teve caráter paliativo, pois havia invasão intensa dos tecidos adjacentes e metástases nos linfonodos regionais e nos pulmões. Adicionalmen- te, além do aspecto estético, havia o desconforto produzido pela massa e pe- la ulceração, que possibilitava a perda crônica de sangue, a contaminação da ferida e o autotraumatismo 17


.


Considerações finais O AGTPé um neoplasma maligno ra-


ramente diagnosticado em cães. Há es- cassos relatos de casos nos quais lesões metastáticas foram confirmadas histolo- gicamente. O estado avançado dessa doença pode produzir aumento de volu- me orbital e periorbital, dificultando o diagnóstico clínico e histopatológico, pois nessa região outros tecidos epite- liais e não epiteliais podem sofrer alte- ração neoplásica.


Referências 01-SLATTER, D. Third eyelid. In: Fundamentals of veterinary ophthalmology. Philadelphia: W. B. Saunders Company, 3. ed. , p. 247-257, 2001.


02-CARNEIRO FILHO, L. Manual de oftalmologia veterinária: um guia prático para clínicos ve- terinários. São Paulo: Editora Roca, p. 1-2, 1997.


03-CABRAL, V. P. ; LAUS, J. L. ; DAGLI, M. L. Z. ; PEREIRA, G. T. ; TALIERI, I. C. ; MONTEIRO, E. R. ; MAMEDE, F. V. Canine lacrimal and third eyelid superficial glands macroscopic and morphometric characteristics. Ciência Rural, v. 35, n. 2, p. 391-397, 2005.


04-WARD, D. A. ; HENDRIX, D. V. Doenças e cirurgia da terceira pálpebra do cão. In: GELATT, K. N. Manual de oftalmologia vete- rinária. São Paulo: Ed. Manole, p. 113-124 , 2003.


05-LIAPIS, I. K. ; GENOVESE, L. Hemangiosarcoma of the third eyelid in a dog. Veterinary Ophthalmology, v. 7, n. 4, p. 279-282, 2004.


06-NIKULA, K. J. ; BENJAMIN, S. A. ; ANGLETON, G. M. Ultraviolet radiation, solar dermatosis, and cutaneous neoplasia in beagle dogs. Radiation Research, v. 129, p. 11-18, 1992.


07-WILCOCK, B. ; PEIFFER, R. J. Adenocarcinoma of the gland of the third eyelid in seven dogs. Journal of the American Veterinary Medical Association, v. 193, n. 12, p. 1549-1550, 1988.


08-AMARAL, A. V. C. ; LIMA, A. M. V. ; CHAVES, N. S. T. ; MIGUEL, M. P. ; MOURA, V. M. B. D. ;MORAES, J. M. Neoplasia da terceira pálpebra em cães. Acta Scientiae Veterinariae, v. 35, supl. 2, p. 637-639, 2007.


09-SOUZA, A. L. G. ; WOUK, A. F. P. F. ; MONTIANI-FERREIRA, F. Neoplasias dos anexos oculares em cães e gatos. Clínica Veterinária, n. 54, ano 10, p. 48-54, 2005.


10-DUBIELZIG, R. R. Tumors of the eye. In: MEUTEN, D. J. Tumors in domestic animals. 4. ed. Iowa State Press, Iowa , p. 739-754, 2002.


11-WANG, F. I. ; TING, C. T. ; LIU, Y. S. Orbital adenocarcinoma of lacrimal gland origin in a dog. Journal of Veterinary Diagnostic Investigation, v. 13, n. 2, p. 159-161, 2001.


12-CULLEN, C. L. ; GRAHN, B. H. ; WOLFER, J. ; KERR, M. Diagnostic ophthalmology. Primary glandular orbital epithelial neoplasm in a dog. Canadian Veterinary Journal, v. 41, n. 8, p. 645-647, 2000.


13-REBHUN, W. C. ; EDWARDS, N. J. Two cases of orbital adenocarcinoma of probable lacrimal gland origin. Journal of American Animal Hospital Association, v. 13, p. 691-694, 1977.


14-MARTIN, C. L. ; MUNNELL, J. ; KASWAN, R. Normal ultrastructure and histochemical characteristics of canine lacrimal glands. American Journal of Veterinary Research, v. 49, n. 9, p. 1566-1572, 1988.


15-WILCOCK, B. P. The eye and ear. In: JUBB, K. V. F. ; KENNEDY, P. C. ; PALMER, N. Pathology of domestic animals. London: Academic Press, 4. ed., v. 2, p. 407-424, 1993.


16-KLOSTERMAN, E. ; COLITZ, C. M. H. ; CHANDLER, H. L. ; KUSEWITT, D. F. ; SAVILLE, W. J. A. ; DUBIELZIG, R. R. Immunohistochemical properties of ocular adenomas, adenocarcinomas and medullo- epitheliomas. Veterinary Ophthalmology,v. 9, n. 6, p. 387-394, 2006.


17-GILSON, S. D. Principles of surgery for cancer palliation and treatment of metastasis. Clinical Techniques in Small Animal Practice, v. 13, n. 1, p. 65-69, 1998.


Clínica Veterinária, Ano XIV, n. 83, novembro/dezembro, 2009


Thomas Normanton Guim


Page 1  |  Page 2  |  Page 3  |  Page 4  |  Page 5  |  Page 6  |  Page 7  |  Page 8  |  Page 9  |  Page 10  |  Page 11  |  Page 12  |  Page 13  |  Page 14  |  Page 15  |  Page 16  |  Page 17  |  Page 18  |  Page 19  |  Page 20  |  Page 21  |  Page 22  |  Page 23  |  Page 24  |  Page 25  |  Page 26  |  Page 27  |  Page 28  |  Page 29  |  Page 30  |  Page 31  |  Page 32  |  Page 33  |  Page 34  |  Page 35  |  Page 36  |  Page 37  |  Page 38  |  Page 39  |  Page 40  |  Page 41  |  Page 42  |  Page 43  |  Page 44  |  Page 45  |  Page 46  |  Page 47  |  Page 48  |  Page 49  |  Page 50  |  Page 51  |  Page 52  |  Page 53  |  Page 54  |  Page 55  |  Page 56  |  Page 57  |  Page 58  |  Page 59  |  Page 60  |  Page 61  |  Page 62  |  Page 63  |  Page 64  |  Page 65  |  Page 66  |  Page 67  |  Page 68  |  Page 69  |  Page 70  |  Page 71  |  Page 72  |  Page 73  |  Page 74  |  Page 75  |  Page 76  |  Page 77  |  Page 78  |  Page 79  |  Page 80  |  Page 81  |  Page 82  |  Page 83  |  Page 84  |  Page 85  |  Page 86  |  Page 87  |  Page 88  |  Page 89  |  Page 90  |  Page 91  |  Page 92  |  Page 93  |  Page 94  |  Page 95  |  Page 96  |  Page 97  |  Page 98  |  Page 99  |  Page 100