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pontos Sultan empregando fio de náilon monofilamento 2-0. O testículo ipsilateral foi tracionado até a incisão, o cordão espermático foi ligado e o ligamento da cauda epididimal seccio- nado, para finalizar a orquiectomia. Após a aproximação do tecido subcu- tâneo e a redução do espaço morto com fio de poliglactina 2-0 em padrão simples separado, a pele foi suturada com pontos simples interrompidos com fio de náilon 3-0 em padrão con- tínuo. Procedeu-se, em seguida, a or- quiectomia contralateral por incisão pré-escrotal. Não ocorreram complicações transo- peratórias e o cão apresentou boa recu- peração anestésica. Após uma semana, retornou ao hospital para reavaliação e encontrava-se em ótimo estado geral, com as feridas cirúrgicas cicatrizadas, ausência de recidiva e pequena quanti- dade de fibrose ao redor da sutura no canal inguinal. Os pontos cutâneos foram retirados após dez dias e o cão recebeu alta.


Discussão A presença de hérnia inguinal no cão


macho é rara, o que pode ser observado pela escassa literatura disponível. Os mecanismos pelos quais a enfermidade se manifesta na cadela são bem esclare- cidos, ao passo que nos machos várias teorias tentam elucidar a hérnia inguino- escrotal. Vários autores sugerem que a ocor-


rência concomitante de hérnia perineal e inguinal no macho pode estar relaciona- da à ação hormonal, bem documentada, sobre o diafragma pélvico 1-3,8


.


Em cães jovens, sugere-se que o re- tardamento na migração do testículo para a bolsa escrotal possa manter uma via pérvia no canal inguinal e facilitar a saída de vísceras 2


.Entretanto, no caso


relatado, o cão tinha idade superior à ci- tada pela literatura e não apresentava ectopia testicular 2,3


. Também se sugere


a ocorrência de hérnia inguinal em machos de até dois anos e acredita-se que ela esteja mais associada a trauma- tismo 1,7


. Durante a anamnese, o


proprietário do animal não relatou ter notado nada de diferente no cão até o aumento de volume referido no atendi- mento e também negou a ocorrência de traumas. Acaracterística súbita do quadro está


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de acordo com algumas citações, entre elas, um estudo com 35 casos, em que onze cães apresentavam hérnia inguinal não traumática, observada pelo proprie- tário no máximo sete dias antes do diagnóstico 7


. O diagnóstico de hérnia inguinal


pode ser feito pelo exame físico e por anamnese. Exames complementares como o radiográfico e o ultrassonográ- fico podem fornecer maiores infor- mações sobre a quantidade de vísceras encontradas e se há alças intestinais ou outros órgãos herniados 1,2,4,5


. No caso


relatado, o diagnóstico foi feito apenas pelo exame físico e pela história clínica, que se demonstraram eficientes. A pos- sibilidade de redução manual do con- teúdo e a palpação do anel inguinal foram decisivos, além do ótimo estado geral do paciente, o que seria incom- patível com um quadro de encarcera- mento com necrose ou isquemia de órgãos. Se essas manobras não fossem possíveis, seria imprescindível fazer exames complementares para comple- tar o diagnóstico e avaliar o estado do conteúdo herniário. Apresença de alças isquêmicas no conteúdo herniário ca- racteriza urgência cirúrgica e altas taxas de infecção e mortalidade 1,2,7


.


Apesar de o conteúdo herniário estar composto somente de epíploo, a neces- sidade de ampliação do anel durante a cirurgia para recolocação das vísceras indicou aumento de volume do conteú- do herniário, uma vez que durante o exame físico o conteúdo podia ser re- duzido manualmente. O aumento de volume pode ter ocorrido por con- gestão decorrente de estrangulamento pelo anel inguinal. O encarceramento e a isquemia do conteúdo herniário podem provocar peritonite e agravar o quadro do paciente 1,2


. Um estudo


demonstrou que o índice de compli- cações observadas em 35 cães submeti- dos a cirurgias de correção de hérnia inguinal foi de 17%, e o de mortali- dade, de 3%7


.


Optou-se pela remoção do testículo ipsilateral ao da hérnia inguinal devido à proximidade do funículo espermático e à possibilidade de orquite inflamatória ou aderência na sutura da túnica. A orquiectomia contralateral foi decidida de comum acordo com o proprietário, já que é incerta a característica hereditária da hérnia inguinoescrotal 1,3


e devido ao


fato de o cão conviver com outra fêmea da mesma raça.


Considerações finais É certo que a grande maioria das hér-


nias inguinais em cães ocorre nas fê- meas e sua descrição em machos é rara. As causas não traumáticas da ocorrência de hérnia inguinal no cão macho ainda são obscuras. Relatos isolados de hérnia inguinal, com detalhes sobre seu apare- cimento, padrão racial e evolução, po- dem ser agrupados em estudos maiores de revisão e iluminar proposições para o aparecimento desta afecção nos cães machos.


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Clínica Veterinária, Ano XIV, n. 83, novembro/dezembro, 2009


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