mesmos padrões foi recolocada e a pa- ciente permaneceu com ela por mais cinco dias. Abandagem foi então remo- vida ao final do décimo dia e a ferida foi novamente higienizada, observando- se “pega” de todo o tecido enxertado (Figura 4B). Diante do sucesso da primeira inter-
venção, a paciente foi submetida a uma nova cirurgia para a realização de en- xertia em malha, com a finalidade de complementar a reparação na ferida do membro, em sua face medial e lateral. Nesse último procedimento, a região doadora utilizada foi a região cervical dorsal. A bandagem realizada seguiu os padrões da realizada no procedimento anterior, sendo mantida imóvel até o quarto dia, quando as trocas passaram a ser diárias. A paciente continuou rece- bendo curativos por mais um período de 30 dias até o completo fechamento da ferida (Figura 5).
Resultado e discussão Antes de ser submetida ao procedi-
A
mento de enxertia, a ferida recebeu ade- quado tratamento pelo período de quin- ze dias, para proporcionar a formação de um tecido de granulação viável e li- vre de infecção no leito receptor, pois essas são as prerrogativas básicas para a realização de um enxerto cutâneo2
. Are-
moção de tecido desvitalizado por de- bridamento cirúrgico acelera o processo de limpeza da ferida, reduzindo o traba- lho das células fagocitárias. Aaplicação adequada de curativos previamente à ci- rurgia auxilia a controlar a infecção, fa- vorecendo a formação de tecido de gra- nulação e a migração epitelial, e produ- zindo redução do ferimento por cicatri- zação de segunda intenção. O tecido de granulação viável cobrindo o leito re- ceptor é fundamental para a nutrição do enxerto livre e o sucesso do procedi- mento.
Durante o transoperatório, foi neces-
sário cuidar da lesão de contratura de flexão que se formou sobre a articulação do joelho devido ao acúmulo de tecido cicatricial provocando a diminuição da
B
mobilidade articular 3
. A contratura
ocorreu na parte posterior da articula- ção, envolvendo o bíceps femoral e mantendo consequentemente o membro em posição de semiflexão. Além disso, a cinta fibrosa produziu compressão da veia safena, provocando edema na ex- tremidade distal do membro acometido. Embora a fisioterapia isolada pudesse auxiliar a mobilizar o membro estimu- lando o desenvolvimento de vasculari- zação colateral compensatória, a cirur- gia certamente demandaria tempo signi- ficativamente menor para a resolução do problema. Ao final do procedimento cirúrgico,
o enxerto apresentava-se de coloração empalidecida, o que é justificado pela ausência de elementos hemáticos, pois os enxertos devem sobreviver à transfe- rência inicial por meio da absorção de fluidos teciduais do leito receptor pela ação capilar durante as primeiras 48 horas 10
. A coloração levemente azul-
arroxeada apresentada após a primeira troca de bandagem, 72 horas após a
Figura 5 - A) visualização da cicatrização e “pega” da enxertia no membro pélvico esquer- do (MPE), B) evolução da cicatrização da feri- da na articulação femorotibiopatelar da região caudal e lateral, C) evolução da cicatrização da ferida do MPE e diminuição do edema na extremidade do membro, D) aspecto medial mostrando a evolução da cicatrização total da articulação, E) aspecto lateral da articulação mostrando a evolução da cicatrização total da articulação
C 50
D
E Clínica Veterinária, Ano XIV, n. 83, novembro/dezembro, 2009
Fabiano Zanini Salbego
Fabiano Zanini Salbego
Fabiano Zanini Salbego
Fabiano Zanini Salbego
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