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média 4


. As radiografias subestimam a


gravidade das doenças do ouvido médio, especialmente nos casos preco- ces ou quando as alterações ósseas estão ausentes 10


. Um estudo revelou que esse método


possui sensibilidade de 80% e especifi- cidade de 65% para detecção de fluidos em bula timpânica 11


. As alterações do ouvido médio que


podem ser avaliadas radiograficamente incluem osteopatia craniomandibular, otite média, pólipos inflamatórios, neo- plasia, presença de corpos estranhos ra- diopacos, alterações ósseas, anomalias congênitas, fraturas e doenças da região petrosa do osso temporal 6,12


. Os pólipos inflamatórios são comuns


em gatos, sendo uma das causas mais frequentes de otite média nessa espécie. Em felinos jovens, um pólipo inflama- tório pode desenvolver-se no ouvido médio e estender-se para dentro da fa- ringe. Acausa dos pólipos é desconheci- da e não se sabe ao certo se a otite média é precursora ou sequela dos pólipos 8,12


.


Essas estruturas usualmente produzem um aumento da densidade e espessa- mento ósseo da bula timpânica 7


. A otolitíase consiste na deposição de


material mineral na bula timpânica. É de ocorrência rara em cães e pode estar relacionada com otite média crônica. Há relatos de sua identificação como acha- do radiográfico característico 13


. O carcinoma de células escamosas e


os adenocarcinomas são tumores malig- nos que podem afetar a bula timpânica e causar proliferação ou destruição com- pleta dos ossos da bula, dos ossos tem- porais petrosos e de outras estruturas ósseas adjacentes ao ouvido médio e ex- terno 8,12


. A radiografia pode ser útil na deter-


minação de lises associadas com neo- plasias, mas a extensão do envolvimen- to é subestimada pelo método4


.


co de escolha para avaliação do ouvido interno 1


Aradiografia não é o meio diagnósti- . A anatomia da região petrosa


do osso temporal é complexa e embora a esclerose do osso temporal possa ser identificada na radiografia, a otite inter- na não fornece sinais radiográficos fa- cilmente aparentes em muitos animais, o que faz com que o diagnóstico de otite interna seja baseado, principalmente, nos sinais clínicos 12


. Embora existam desvantagens, a


radiografia convencional ainda é reco- mendada como método de avaliação das doenças do ouvido médio1


.


Recomendam-se radiografias se- quenciais ao tratamento da otite média, para avaliar a evolução da doença 1


. As


alterações radiográficas sempre devem ser correlacionadas com os sinais clíni- cos, já que elas podem persistir enquan- to os sinais clínicos já estão resolvidos e vice-versa 8


.


Radiologia contrastada positiva (canalografia) A radiografia contrastada positiva do


ouvido ou canalografia tem sido propos- ta como método de avaliar a integridade da membrana timpânica1


. Ela é conside-


rada um método útil, barato e eficiente de acusar otite média2


. Essa técnica consiste em instilar con-


trastes positivos dentro do conduto au- ditivo e submeter o paciente à radiogra- fia. Uma vez identificado contraste na cavidade timpânica, caracteriza-se diag- nóstico definitivo de perfuração timpâ- nica. Os contrastes positivos mais utili- zados para esse fim são o iohexol (300mg/mL) e a urografina (375mg/ mL), porém, o iopamidol (300mg/mL) e os diatrizoatos de sódio e cálcio (25-50%)


também podem ser empregados para tal fim6


. Com o animal anestesiado, deve ser


feita a tricotomia e a limpeza da região auditiva externa, com soluções antissép- ticas não iodadas (clorexidina). O ani- mal é então posicionado em decúbito esternal e o contraste é depositado no conduto auditivo, o mais profunda- mente possível, por meio de um cateter flexível. Acolocação de um algodão hi- drofóbico dentro do conduto é válida para evitar que o contraste extravase para o exterior 6


. Todo o procedimento


pode ser acompanhado na figura 5. Massagens na região periauricular


ajudam na difusão do contraste. Reco- menda-se que as radiografias sejam fei- tas alguns segundos após a colocação do líquido contrastante 6


. Os posicionamentos DV e RCd/ba


são mais eficientes que os demais, pois evitam ou minimizam sobreposições do contraste com estruturas ósseas. Os pa- cientes devem ser obrigatoriamente submetidos à lavagem do conduto audi- tivo e da bula timpânica ao término do exame, pois a presença do contraste no conduto pode causar intoxicação do oi- tavo par de nervos cranianos 2


. Em animais hígidos, a canalografia


A


B


Figura 5 - Procedimento de canalografia em cão: A) instilação de 3mL do contraste (iopamidol 300mg/mL) no conduto auditivo, B) colocação de tampão de algodão hidrófobo, C) canalograma em posicionamento DV de cão com ruptura de membrana timpânica unilateral – os dois condutos estão delimitados pelo contraste positivo, D) presença de contraste dentro de bula timpânica direita


Clínica Veterinária, Ano XIV, n. 83, novembro/dezembro, 2009 71


Carlos Artur Lopes Leite


Carlos Artur Lopes Leite


Carlos Artur Lopes Leite


Carlos Artur Lopes Leite


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