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A projeção RCd/ba exige que o ani-


mal esteja anestesiado e seja colocado em decúbito dorsal sobre a mesa. A ca- beça deve ser posicionada de modo que o palato duro e o plano sagital formem um ângulo reto em relação ao filme. A boca é aberta com auxílio de mordaças, e o feixe principal de raios X é direcio- nado verticalmente através da boca aberta do animal. Essa projeção permite uma boa avaliação das bulas timpâni- cas, com menor grau de sobreposições (Figura 3), embora seja tecnicamente mais difícil que qualquer outra projeção radiográfica para crânio 6,7


. A bula timpânica dos gatos difere da


dos cães, uma vez que há uma lâmina óssea fina que divide a bula felina em dois compartimentos. Nos gatos, a pro- jeção RCd/ba é particularmente útil por permitir visibilizar essa compartimenta- lização 1


.


Na projeção ODV, o animal deve ser posicionado em decúbito dorsal e a arti- culação atlantocciptal é posicionada em um ângulo de aproximadamente 60º em relação à coluna vertebral. A boca é aberta, de modo que o feixe central de raios X divida em dois o ângulo da arti- culação temporomandibular aberta. O palato duro e a mandíbula devem ser an- gulados em aproximadamente 30º quan- do comparados ao feixe principal de raios X, em direções opostas. Normal- mente, a angulação para padronizar as radiografias oblíquas é estabelecida pelo radiologista, por meio de tentativa e erro. A literatura 6


indica a projeção


OVD na avaliação da otite média em cães justamente por evitar sobreposi- ções desnecessárias e também por mini- mizar a magnificação da imagem final. As radiografias oblíquas são alterna-


tivas à projeção RCd/ba, pois permitem uma acurácia semelhante a esta 7


.


quentes na otite média, em caninos e fe- linos, são 2


Os achados radiográficos mais fre- :


a) espessamento e esclerose da bula tim- pânica: o espessamento se inicia com a instalação de um processo inflamatório, devido ao aumento de células secretó- rias, com consequente aumento no volu- me de secreções. A lâmina óssea reage, espessando-se e emitindo espículas ósseas para o espaço intracavitário; b) preenchimento do espaço intracavitá- rio da bula timpânica: outrora ocupado por ar em animais hígidos, o espaço


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Figura 3 - Crânio de cão com marcação da bula timpânica (em vermelho) posicionado para radio- grafia rostrocaudal de boca aberta (RCd/ba), em caso de suspeita de otite média. Observar a míni- ma sobreposição das bulas timpânicas com outras estruturas ósseas adjacentes


como atestam alguns autores 2,6 . Os


achados radiográficos das neoplasias que afetam o ouvido médio incluem os- teólise, distorção da parede da bula, pro- liferação óssea e aumento da radiopaci- dade de tecidos moles nas regiões adja- centes 1


. Certos autores 1,5 listam outros acha-


Figura 4 - Radiografia oblíqua ventrodorsal late- rolateral esquerda (OVDLLe) de cão com otite média. Observar radiopacidade aumentada de bula timpânica esquerda (seta)


intracavitário passa a ser ocupado por fluidos oriundos das células, lisozimas e proteinases originárias dos microrganis- mos presentes no ouvido (que também aumentam a inflamação) e no tecido hi- perplásico (Figura 4); c) proliferação óssea envolvendo a parte petrosa do osso temporal e/ou a articula- ção temporomandibular: o aumento da radiopacidade óssea dessas regiões pode ser originário tanto de processos inerentes ao sistema vestibulococlear como de periaurais; d) calcificação/ossificação do conduto auditivo externo: as cartilagens auricu- lar e anular sofrem deposição acelerada e descontrolada de sais de cálcio (calci- ficação), normalmente como sequela da otite externa. Em sequência, ocorre o processo de ossificação, podendo, inclusive, ocorrer fraturas espontâneas no osso neoformado; e) alterações na densidade óssea das re- giões adjacentes ao sistema vestibulo- coclear: embora raras, essas alterações sugerem neoplasia (carcinoma de célu- las escamosas, comum em felinos) ou osteopatia craniomandibular em caninos,


dos radiográficos na otite média, como lise óssea da bula timpânica e presença de flaps calcificados intracavitários. Aavaliação radiográfica da bula tim-


pânica é limitada. Uma angulação im- própria da cabeça ou um mau posiciona- mento da língua podem resultar em um exame inadequado 4


. Existe uma varia-


ção normal na densidade das bulas entre as diferentes raças que pode dificultar o reconhecimento das mudanças patológi- cas nessa estrutura anatômica 8


. A apa-


rente densidade da bula também pode ser afetada pelo posicionamento e pela técnica radiográfica. Posicionamentos ou exposições radiográficas inadequa- dos podem criar ou mascarar mudanças na bulas 8


. Os achados radiográficos podem fe-


char o diagnóstico de otite média, entre- tanto, a ausência de sinais radiográficos compatíveis com essa afecção não ex- clui a possibilidade da sua presença 2,6 A radiografia é útil nos casos de in-


.


fecção crônica, mas pode mostrar-se normal no início de uma infecção do ou- vido médio 9


tivos parecem ser mais comuns que os achados falso positivos 3


. Os achados falso nega- . Foram encon-


trados achados radiográficos falso nega- tivos em 25% dos casos de otite média, confirmados cirurgicamente, em um trabalho realizado com dezenove casos clínicos. Assim, o exame radiográfico não é considerado um método de alta sensibilidade no diagnóstico de otite


Clínica Veterinária, Ano XIV, n. 83, novembro/dezembro, 2009


Carlos Artur Lopes Leite


Carlos Artur Lopes Leite


Carlos Artur Lopes Leite


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