sejam corrigidas. A dexametasona pode ser utilizada na dose de 0,5 a 2mg/kg/EV, antes ou mesmo durante o teste de estimulação pelo ACTH, sem que altere os resultados deste 10,14
ção do teste, a prednisona pode ser uti- lizada na dose de 0,6 a 1mg/kg por dia15
. Após a realiza- .
Os mineralocorticoides devem ser administrados para manutenção da ho- meostase dos eletrólitos. O pivalato de desoxicorticosterona (DOCP) é um mi- neralocorticoide de longa ação, descrito como de eleição para o tratamento de animais com hipoadrenocorticismo pri- mário, podendo ser utilizado em ani- mais que apresentem êmese na dose de 2,2mg/kg/ IM ou SC a cada 25 dias. Como possui baixa atividade glico- corticoide, é necessária a reposição de doses fisiológicas de corticosteroides (0,2mg/kg/dia) 8,10
. No Brasil, como o
DOCP não é comercializado, o minera- locorticoide recomendado para cães com hipoadrenocorticismo clássico é o acetato de fludrocortisona na dose de 0,01mg/kg/VO, BID, embora a absorção dessa droga pelos cães seja menos efi- ciente do que em humanos e só possa ser instituída após o controle da êmese, pois sua apresentação é oral 8,11
. A flu-
drocortisona apresenta pequena ativida- de glicocorticoide, portanto, em alguns casos, não é necessária a sua suplemen- tação. Este trabalho tem como objetivo
principal revisar os principais aspectos diagnósticos e terapêuticos do hipoadre- nocorticismo, além das alterações labo- ratoriais descritas, a partir do relato de caso de quatro pacientes atendidos em um hospital veterinário – um deles com a apresentação atípica do distúrbio –, a fim de alertar o médico veterinário sobre a importância do reconhecimento das diferentes apresentações clínicas da doença de Addison e da necessidade de sua inclusão no diagnóstico diferencial das emergências na clínica médica de pequenos animais.
Relato de casos Foram atendidos em um hospital ve-
terinário na cidade do Rio de Janeiro, no período de um ano, quatro cães com sinais de hipoadrenocorticismo, sendo três fêmeas – duas sem raça definida (SRD) e uma da raça poodle – e um macho da raça maltesa, com idades variando entre seis e doze anos.
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Caso 1 Cadela SRD, de onze anos de idade,
porte médio e 12kg de peso corpóreo, foi encaminhada para atendimento com histórico de prostração, êmese e sensibi- lidade abdominal havia cerca de três dias, com agravamento do quadro clíni- co. O animal apresentava-se em estupor evidenciado pelo decúbito e pela ausên- cia de reação aos estímulos realizados (Figura 1). Ao exame físico observou-se bradicardia (40 bpm), temperatura retal de 37˚ C, mucosas oral e ocular hipoco- radas e tempo de retorno capilar (TRC) diminuído. A aferição do pulso femoral foi dificultada pela baixa celeridade deste e a auscultação pulmonar apresen- tou ruídos hipofonéticos. Além disso, havia intensa fraqueza muscular e não foi confirmada a sensibilidade abdomi- nal relatada pelo proprietário. Os sinais observados e a presença de grave desi- dratação (maior que 10%) e hipovole- mia, aliados a bradicardia, levaram à suspeita de hipoadrenocorticismo pri- mário.
Diante da suspeita, coletou-se sangue
para a realização de hemograma e deter- minação da concentração sérica de ureia, creatinina, alanina aminotransferase (ALT), fosfatase alcalina (FA), gama glu- tamiltransferase (GGT), colesterol, sódio, potássio, glicose, proteínas séricas to- tais, albumina e globulinas. Instituiu-se fluidoterapia com solução de cloreto de sódio (NaCl) a 0,9%, e após as primei- ras quatro horas de reposição de volume, em que se administraram 80mL/kg/h nas primeiras duas horas iniciais de flui- doterapia, seguidos de 100mL/kg/24h, a paciente apresentava-se menos pros- trada. Foram também administrados: metoclopramida a
um bloqueador dopaminérgico antiemé- tico e procinético; ranitidina b
0,3mg/kg/q 8h/SC, 1mg/kg/q
12h/EV, antagonista de receptores H2 da
histamina, um inibidor de secreções gastroduodenais e procinético; e um composto de substâncias de ação anti- tóxicas c
(aspartato de L-ornitina; clo-
ridrato de L-arginina; L-citrulina; acetil metionina; cloridrato de colina; levedu- lose e água biodestilada) 1mL/kg/24h, efetivo na reposição de elementos energéticos vitais para desintoxicação de substâncias nocivas, indicado em perturbações funcionais hepáticas. Os exames laboratoriais indicaram
anemia normocítica e normocrômica arregenerativa, leucograma dentro dos níveis de normalidade para a espécie, ureia, creatinina, proteínas séricas totais e suas frações, ALT e FAdentro dos va- lores de normalidade, hiponatremia, hi- percalemia e relação sódio:potássio igual a 13,2:1. Havia moderado aumen- to da atividade sérica da GGT (9,6UI/L) e glicemia com níveis discretamente di- minuídos (62mg/dL). Após o resultado dos exames laboratoriais de triagem, a suspeita de hipoadrenocorticismo se tornou mais evidente. Como o quadro clínico poderia se agravar antes da libe- ração do resultado do teste de estimula- ção pelo ACTH, realizou-se a aplicação de fosfato de dexametasonad
por via en-
dovenosa (2mg/kg) em caráter de emer- gência. Por volta de 40 minutos após a administração da dexametasona, o ani- mal apresentava melhora do quadro clí- nico, esboçava reações aos estímulos e tentava se colocar em posição quadru- pedal. A remissão de todos os sinais descritos ocorreu dois dias após o início do tratamento. Para a realização do teste de estimu-
lação pelo ACTH, foram coletadas amos- tras de sangue para dosagem do cortisol antes e uma hora após a administração de uma ampola (0,25mg/mL/cão/EV) de ACTH sintéticoe
. Os valores de referência
utilizados pelo laboratório onde foi rea- lizado o exame são de 0,5 a 5,5mcg/dL antes da estimulação e de 6 a 20mcg/dL após a estimulação. Os resultados encon- trados foram de 0,5mcg/dL e 2mcg/dL antes e depois da estimulação respecti- vamente, que confirmaram, juntamente com os valores da relação sódio: potássio e os sinais clínicos, o diagnóstico de hipo- adrenocorticismo primário ou clássico. Após três dias de internação (Figura 2),
Figura 1 - Cadela (caso 1) no primeiro dia de internação, apresentando sinais de estupor e ausência de reflexos
a) Cloridrato de metoclopramida - Neo Química, Anápolis, GO b) Cloridrato de ranitidina - TEUTO, Anápolis, GO c) Ornitil®
- Vetnil, Louveira, SP Clínica Veterinária, Ano XIV, n. 83, novembro/dezembro, 2009
Luciana Peralta S. Gonçalves
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