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Saúde pública


nosso país. Um reflexo deste pensamen- to é a argumentação que considera aos “pets” como supérfluos e membros do ex- clusivo mercado de luxo. De forma oposta aos defensores da idéia anterior, se inserem os resultados de um estudo com um grupo de 58 crianças e suas fa- mílias, em Porto Alegre, RS, no ano de 2003. Os dados obtidos chamam a atenção, já que mais do que 60% das famílias relataram ter rendimentos infe- riores a dois salários-mínimos regio- nais. A maior parte das crianças envolvidas possuía animais de estimação


International Pet Meeting, na Av. Paulista, em São Paulo, SP, contou com a participação do público na I Para- da Pet e no Pet Show


e o número médio por domicílio era de 2,98 animais. Estes animais eram con- siderados membros da família e con- sumiam ração comercial. Refletindo sobre esta informação e aliando-a com outras prestadas pelas crianças, pode-se reconhecer que, para estas famílias, o envolvimento afetivo suplantava o en- cargo econômico. A condição previamen- te relatada, aos olhos de muitos dos profissionais da Saúde e responsáveis por elaborar políticas públicas, trans- forma-se em um problema de grande amplitude e, muitas vezes, incom- preensível, mas, sobretudo, eviden- cia um forte vínculo e é expressão dos laços emocionais mantidos pelas pessoas com seus animais. Talvez exatamente por isso, seja


pertinente ampliar o debate e reelaborar concepções e práticas”. Algumas entidades como a Comissão


de Animais de Companhia (Comac), do SINDAN (Sindicato Nacional da In- dústria de Produtos para Saúde Animal) e a Associação Nacional dos Fabrican- tes de Alimentos para Animais de Es- timação (Anfalpet) tem investido em di-


vulgar o quanto é forte o vínculo das pessoas com seus animais de companhia e o quanto eles estão presentes nos lares brasileiros. Em abril, a Comac publicou resultados do Radar Pet, importante pesquisa de avaliação do perfil de pes- soas das classes A, B e C que possuem animais de estimação. A Anfalpet, por sua vez, no dia 13 de setembro de 2009, em plena Av. Paulista, realizou a abertu- ra do International Pet Meeting, com atividades extremamente interativas: a I Parada Pet e o Pet Show, que contou com a participação de Sergio Vilassanti realizando realces na estética de diversos cães que passeavam com seus donos pelo local. Todas estas atividades e pesquisas


são muito importantes, pois são os da- dos que acabam sendo utilizados pelo mercado, uma vez que não há levanta- mentos oficiais publicados pelo gover- no, como, por exemplo, os que estão disponíveis no sítio do IBGE (www. ibge.gov.br) sobre outros setores. Se- gundo informações desse órgão, os ani- mais de estimação não são importantes para o Censo 2010. Adecisão dos tópicos


Primeira pesquisa Radar Pet avalia com profundidade o mercado de cães e gatos do Brasil e identifica as principais características e tendências deste mercado


Dados do Radar Pet 2009, pesquisa


inédita com representantes das classes econômicas A, B e C, indicam que a posse de animais domésticos ainda está muito relacionada com a faixa etária dos membros da família e com a formação dos lares. Com base na pesquisa, a população estimada total para as classes A, B e C é de 25 milhões de cães e 7 milhões de gatos, no Brasil. O cachorro continua sendo o animal de estimação preferido nos lares que possuem cão ou gato, atingindo 79% das escolhas, sendo que o gato é preferido por 10% destas resi- dências. Cães e gatos coexistem em 11% dos lares que têm animais de companhia. Encomendado pela Comissão de Animais de


Companhia (Comac), do SINDAN (Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal) o Radar Pet tem base científica e foi esmiuçado para apresen- tar características importantes sobre os proprietários de cães e gatos e os seus animais de estimação. Para levantar os números do Radar Pet, a Comac contra- tou a Diferencial Pesquisa de Mercado que avaliou mais de 2.100 domicílios em abril de 2009. Trata-se de uma pesquisa abrangente envolvendo seis regiões do País que, somadas, representam 20% dos domicílios brasileiros. A pesquisa identificou que 44% dos lares das três classes possuem pelo menos um cão ou gato. Alguns números ajudaram a desmistificar a idéia de que os membros da classe A preferem gatos, que são preferidos por apenas 9% deste grupo. Os cães são prediletos em 85%, e as duas espécies convivem em 6% dos lares desta classe.


10 O gato também não é preferido dos


solteiros, que – acreditava-se até então – enfrentavam mais desafios para cuidar dos cães. Os felinos são escolhidos por ape- nas 20% dos solteiros e os cachorros, por


73% destes proprietários. Acoexistência está em 7% dos lares de quem vive sozinho. No caso dos casais sem filhos, a preferência por cachorro é ainda maior: 83% contra 6% dos que elegem os gatos. Ainda nos lares dos casais sem filhos a pesquisa


mostra que a penetração de cães e gatos é de 43%. Porém, ao considerar o ciclo de vida dos proprie- tários como casal com filhos pequenos, de até nove anos, esse número cai para 33%, o que demonstra que os casais preferem não manter animais quando estão com filhos pequenos, devido a preocupações e mitos ligados a segurança e higiene. “Essas informações são fundamentais para que


possamos investir na desmistificação desse conceito, uma vez que é possível e especialmente, saudável, a convivência entre crianças e animais de estimação. Inúmeras pesquisas indicam claramente o impacto positivo do animal no dia a dia e também na saúde e no comportamento das crianças”, acrescenta Luiz Luccas, presidente da Comac. Apesquisa ainda aponta que os lares de casais


com filhos jovens e adolescentes lideram na pre- sença de cães e gatos com 50%. “Esses dados, inclusive, podem nos auxiliar a melhorar o índice cita- do acima entre os casais com filhos pequenos, pois é justamente o valor dos animais na relação com as crianças, jovens e adolescentes que explicam a


concentração maior de animais nesse ciclo de vida do proprietário. É possível que essas crianças pos- sam se tornar adultos e idosos que prefiram mais ter pets”.


Nos lares da terceira idade, nota-se, porém uma


queda na presença de cães e gatos, segundo a pesquisa. Isso provavelmente se deve a diversos fatores, desde ao fato de que o animal nesse perío- do está mais velho e morre, até ao fato do filho que morava com os pais ir embora e levar o cão, e ainda ao casal idoso que ficou com o cão do filho que foi morar sozinho, o cão faleceu e não foi reposto. “Diante desse quadro, é também importante


realizarmos um trabalho de conscientização da ter- ceira idade para a questão de que os cães são muito benéficos também nesse período de vida. Uma alter- nativa excelente é a adoção de animais adultos, me- nos dependentes de seus donos”, analisa Luccas. “O grande valor da pesquisa reside na avaliação


do perfil e comportamentos dos lares brasileiros com animais de companhia. Foram analisados diversos aspectos ligados a atitudes e preferências dos dife- rentes proprietários e núcleos familiares com relação à saúde, alimentação, cuidados e serviços relaciona- dos aos seus pets. “São dados importantes e inédi- tos que auxiliam na análise do perfil e tendências deste mercado, de acordo com as necessidades dos proprietários, servindo de base para uma orientação sólida aos veterinários e demais envolvidos no setor. Pretendemos atualizar esta pesquisa a cada dois anos para observar a evolução do segmento no Brasil”, conclui Luiz Luccas, da Comac.


Clínica Veterinária, Ano XIV, n. 83, novembro/dezembro, 2009


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