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ocorre. Há a descrição do surgimento de metástases em tecido escrotal e cordão espermático em doze cães orquiecto- mizados, sendo que um apresentava sín- drome de feminização 13


. No caso des-


crito, antes do procedimento de or- quiectomia, o animal já apresentava sin- tomas de feminização (alopecia em re- gião dorsal e hiperpigmentação), po- rém, com a evolução das metástases em linfonodos sublombares e inguinais, houve o agravamento do quadro de hi- perestrogenismo: aumento de regiões alo- pécicas, ginecomastia, prepúcio pendu- loso e atrofia peniana, sinais e sintomas de síndrome de feminização, caracte- rizando uma situação incomum, pois, mesmo após a excisão da neoplasia, as metástases mantiveram a produção hor- monal1


. Além disso, alterações prostáti-


cas como metaplasia escamosa da prós- tata, prostatite, cistos e abscessos pros- táticos também são manifestações se- cundárias ao hiperestrogenismo, e foram achadas após a orquiectomia 8 Os exatos mecanismos da síndrome


.


de feminização não são claros. Tal sín- drome pode resultar da síntese direta de estradiol pelas células neoplásicas testi- culares, da conversão de compostos an- drogênicos em estradiol pelos tecidos periféricos ou pelas células neoplásicas e pelo desequilíbrio na relação testoste- rona/estradiol 1


com formações paliçadas), além de me- taplasia prostática 10,11


. No presente relato, denota-se quadro


de anemia normocítica e normocrômi- ca em fase avançada. O hiperestroge- nismo é causa conhecida de pancitope- nia em cães e ferrets com característi- cas de feminização, que pode evoluir para aplasia medular 12


. A pancitopenia


aplásica é caracterizada como pancito- penia sanguínea associada a uma me- dula óssea hipocelular com espaços he- matopoiéticos substituídos por tecido adiposo 12


.


Em cães com doença localizada, o tratamento de escolha é a orquiectomia com ablação escrotal, que na maioria dos casos é curativo; porém, cães com hipoplasia de medula óssea têm prog- nóstico reservado, pois estão mais su- jeitos a infecções secundárias e hemor- ragias 1,14


. No caso descrito, devido ao . Há três tipos mais im-


portantes de estrógenos circulantes nos machos: estrona, estradiol e estriol, sendo que o estradiol é a forma fisiolo- gicamente ativa. O sertolinoma é o principal tumor testicular produtor de altas concentrações de estrógenos em cães; altos níveis de estradiol, associa- dos à redução da testosterona e da rela- ção testosterona/estradiol, são indicati- vos de tumores testiculares 9


. Adiminui-


ção dos níveis de testosterona decorre do hiperestrogenismo, que suprime a secreção do hormônio luteinizante e, consequentemente, a produção de tes- tosterona, pelo eixo hipotálamo-hipó- fise-gonadal7


. Há relato de dois casos de


diminuição significativa de testos- terona, que apresentavam hiperestro- genismo associado 9


. Pela citologia aspirativa por agulha


fina dos linfonodos e da próstata estabe- leceu-se respectivamente o diagnóstico de processos metastáticos de sertolino- ma (arranjos paliçados, citoplasmas ma- crovacuolizados e fusões de citoplasma,


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Agradecimentos Agradecemos a Emerson F. F. Mota,


do Histopet, pela atenção e gentileza de ceder as micrografias das análises histopatológicas.


diagnóstico tardio da doença e à pre- sença de metástases, o prognóstico foi reservado. Deve-se lembrar que o esta- do geral de animais muito debilitados deve se mostrar estável para que pos- sam ser submetidos a intervenção cirúr- gica. O manejo de metástases é limita- do e o uso de radioterapia e quimiotera- pia sistêmica tem sido relatado. Os agentes quimioterápicos usados in- cluem a cisplatina e a bleomicina e o prognóstico é de cinco a 31 meses de sobrevida 14


.


Considerações finais O hiperestrogenismo associado ao sertolinoma deve ser suspeito em qual- quer macho de idade média a idoso que apresente criptorquidismo ou massas testiculares, principalmente quando associado a sinais e sintomas de femini- zação. A retirada dos testículos pode não fazer cessar a produção hormonal e o quadro de síndrome de feminização pode se manter ou evoluir, provocando anemia secundária ao hiperestrogenis- mo. É importante ressaltar que, apesar de raros, deve-se atentar para tumores testiculares metastáticos mesmo em cães castrados com sinais de feminiza- ção ou pancitopenia.


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Clínica Veterinária, Ano XIV, n. 83, novembro/dezembro, 2009


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