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EFICIÊNCIA ENERGÉTICA


REE: Desenvolver projetos de efi- ciência energética passa, mui- tas vezes, pelo desenvolvimento de produtos e soluções inovado- res. Como o PEE da Light encara a questão da inovação? Camillo: A importância dada à inova- ção é uma característica marcante do PEE da Light. A tendência é aplicar os recursos da tarifa em projetos já con- sagrados, aquilo que comprovada- mente funciona bem e proporciona economia. Apostar em ideias novas é sempre mais arriscado, mas a Light vai em frente. Tanto que fomos indica- dos para desenvolver o projeto de um controlador digital de temperatura no Tribunal Regional do Trabalho (TRT). Ao receber o projeto, a ANEEL ime- diatamente se lembrou da Light, que é reconhecida como uma empresa com vocação para inovar. Outro exemplo é o Projeto de Iluminação Natural Sola- tube, que ninguém queria desenvolver por não acreditar nos resultados. Ago- ra vamos começar a trabalhar em um controlador mais eficiente para a tem- peratura da água nos chuveiros.


REE: A economia total de energia decorrente desses 151 projetos realizados é de 500,46 GWh/ano, o que equivale a, aproximada- mente, 2,6% do consumo do mer- cado regulado da Light em 2010.


É um esforço enorme, mas esperamos ter outro panorama no Rio de Janeiro daqui a dois anos. Será uma cidade muito mais eficiente em energia elétrica.


10 • AGOSTO 2011


Como o senhor avalia a evolução do PEE desde a sua criação e os benefícios gerados? Camillo: O Programa de Eficiência Energética evoluiu de ações simples de iluminação pública, que envolviam basicamente a troca de lâmpadas e luminárias, até chegar aos projetos pi- lotos, como a iluminação pelo Sola- tube e o controlador de temperatura dos chuveiros, que beneficiará muito as comunidades, já que todas utilizam chuveiros elétricos. Isso demons- tra a evolução de ações simples pa- ra ações inovadoras e mais comple- xas. Quanto aos benefícios, é preciso ressaltar que sempre desenvolvemos os projetos pensando na população. Uma prova disso é o Kit Retrofitting de Refrigeradores. Identificamos nas co- munidades de baixa renda que, em certos casos, o morador não dese- ja se desfazer de sua geladeira anti- ga para receber uma nova. Desenvol- vemos, então, um kit que promove a eficiência energética ao trocar peças da geladeira obsoleta, além de subs- tituir o gás. O cliente continuará com o mesmo eletrodoméstico, só que mo- dernizado e mais eficiente.


REE: A palavra de ordem deste século é sustentabilidade. Como o senhor avalia a contribuição dos projetos de eficiência energética no desafio de preservar os recur- sos do nosso planeta? Camillo: Eficiência energética é a es- sência do consumo sustentável. Vou dar um exemplo muito claro: não adianta


simplesmente colocarmos


um medidor de consumo de ener- gia nas residências das famílias de baixa renda que antes não tinham o consumo auferido por questões de segurança pública. Isso não seria sustentável. O nível de desperdício os levaria a uma conta que não con- seguiriam pagar e, no mês seguinte, teríamos que cortar a energia. Desse modo, ao efetuar trocas de geladei- ras e de lâmpadas, reforma elétrica e


até mesmo orientação educacional, o PEE torna esse novo consumidor sustentável. Cada kW não desperdi- çado é um kW que não precisa ser gerado. Por menor impacto que exis- ta na geração da energia – como é o caso da Light, sempre se discutirá al- gum tipo de dano ambiental.


REE: Falando de futuro, quais os desafios e objetivos estraté- gicos do Plano de Investimen- tos do Programa de Eficiência Energética da Light para o biênio 2011-2012? E qual o papel da Co- ordenação do PEE para o cumpri- mento dessas metas? Camillo: Os desafios são enormes, porque a companhia decidiu aplicar todos os recursos disponíveis nes- te biênio de maneira que, em 2012, tenham sido totalmente utilizados. Os recursos continuarão entrando, apenas deixaremos de ter um esto- que em caixa. Pela legislação vigen- te, não seria necessário realizar es- se gasto, mas é uma orientação da diretoria da Light depreender esfor- ços para promover a eficiência no estado do Rio de Janeiro e o con- forto da população. O objetivo estra- tégico é justamente cumprir as me- tas da ANEEL na aplicação dos 60% em projetos de baixa renda e 40% nos demais. Já o papel da Coorde- nação é fundamental. Nosso traba- lho é identificar e adequar os proje- tos à regulamentação da ANEEL e coordenar as ações das áreas exe- cutoras, que são duas: uma volta- da para os projetos de baixo poder aquisitivo e outra destinada aos de- mais projetos. Estamos indo além do que manda a legislação, até mesmo visando aos grandes eventos espor- tivos que acontecerão no Rio de Ja- neiro em 2014 e 2016. É um esfor- ço enorme, mas esperamos, no final de 2012, ter outro panorama na ci- dade. Acreditamos que, daqui a dois anos, o Rio será muito mais eficiente em energia elétrica.


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