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Economia


SUPLEMENTO COMERCIAL


GAZETA RUSSA WWW.RBTH.RU


SEGUNDA-FEIRA, 4 DE OUTUBRO DE 2010


Fertilizantes Fusão resulta na segunda maior produtora de potássio do ranking mundial


da chegou a US$ 1 mil em 2008, até despencar para o nível atual de US$ 350 a US$ 375 por tonelada. Entretan- to, espera-se que a alta nos preços seja significativa na medida em que as economias ao redor do mundo se recu- peram, principalmente em importantes mercados emer- gentes como China e Índia. Além do mais, em consequên- cia das temperaturas recordes desse verão na Rússia e dos subsequentes incêndios que destruíram um terço da colhei- ta de grãos do país, os preços dos produtos agrícolas tam- bém estão subindo rapidamen- te, puxando consigo os preços do potássio.


Potássio rumo ao topo do mercado


RIA-NOVOSTI


Depois de adquirir a Uralkali e a Silvinit, deputado Suliman Kerimov se prepara para bater a produção da líder canadense PotashCorp.


TIM GOSLING BUSINESS NEW EUROPE


Outra gigantesca fonte de re- cursos naturais da Rússia se levanta para dominar seu


mercado, e não se trata de vender petróleo ou gás. Em agosto, o oligarca e mem- bro do parlamento russo Su- liman Kerimov comprou o controle acionário da Uralka- li e da Silvinit, duas das maio- res mineradoras russas de po- tássio, principal ingrediente em fertilizantes agrícolas. A Rússia abriga o segundo


maior depósito do mundo desse recurso natural e a união dessas companhias re- sultará no segundo maior pro- dutor mundial, atrás apenas da canadense PotashCorp. A alta dos preços de cereais incitou uma frenética ativi- dade de fusões e aquisições no setor de fertilizantes. Na última semana de agosto, a


BHP Billinton, maior compa- nhia mineradora do mundo, apostou bilhões na demanda crescente por commodities agrícolas dando um lance ten- tador de US$ 39 bilhões pela PotashCorp. O preço do potássio subiu a níveis astronômicos desde o boom provocado pelas com- modities. O custo da tonela-


Apesar da crise de crédito in- ternacional que assolou o mundo, especialistas preve- em que praticamente nada mudou na dinâmica de su- primento de alimentos desde 2008, quando a escassez no abastecimento provocou uma drástica elevação nos pre- ços.


Conhecido como “o funcioná- rio público mais rico da Rús- sia”, Kerimov chegou à Câma- ra dos Deputados (Duma) em 2007. O empresário é membro do partido dominante Rússia Unida e deputado pelo Da- guestão. Kerimov chegou a ser repre- endido recentemente por ser o mais ausente dentre os po- líticos russos, mas é mais co- nhecido por seus vastos in- vestimentos em ouro, petróleo, imóveis e tecnologia Segundo alguns analistas, o deputado estaria construin-


Panorama Crescimento econômico russo depende de motivos que fogem ao controle do Estado


Um país à mercê dos humores internacionais


Dependente do preço do petróleo e do custo internacional do capital, a Rússia é o país que mais sofre com grandes guinadas econômicas.


ROLAND NASH ESTRATEGISTA-CHEFE DO RENAISSANCE CAPITAL


Tanto entre os admiradores como entre os críticos da Rús- sia existe o mito de que o país tem controle sobre seu desti- no econômico. Não tem. Na última década, e até há mais tempo, a economia russa tem sido impelida principal- mente por dois fatores: o preço dos recursos naturais e o custo do capital, ambos fora de seu domínio. Nesse sentido, o cartel do petróleo OPEP, o governo chinês e o Fed (banco central norte-ame- ricano) têm tanta infl uência sobre a Rússia quanto o Kre- mlin ou os oligarcas. Claro que a maioria dos pa- íses é influenciada de um modo ou de outro pelo preço do petróleo e pelo custo in- ternacional do capital. Mas a


Rússia depende de ambos. O país é o maior produtor e exportador mundial de recur- sos naturais. No ranking de recursos energéticos não-re- nováveis (petróleo, gás e car- vão), a Rússia exporta 50% mais do que o segundo lugar, a Arábia Saudita. Mas, ao contrário de outros produto- res importantes, a Rússia não pode depender exclusivamen- te de sua produção. Apesar da contribuição que trazem para a economia, os hidrocar- bonetos são responsáveis por menos de 2% dos empregos da população ativa.


A Rússia também está sob o jugo do custo global do capi- tal. Quando sua conta de ca- pital foi aberta, em 2006, pres- supunha-se que os mercados internacionais estariam em melhor posição para alocar capital no país do que o anê- mico mercado fi nanceiro do- méstico. Mas, com a crise de 2008, a combinação de setor bancário frágil, mercado fi - nanceiro subdesenvolvido e conta de capital aberta tor- naram a Rússia vulnerável às


alterações de humor bipola- res dos mercados fi nanceiros globais.


A exposição singular a duas variáveis que estão fora de seu controle e são sujeitas à vo- latilidade faz da Rússia o exemplo acabado de econo- mia do “sobe e desce”. Através de uma taxa de câmbio con- trolada, os mercados e a eco- nomia da Rússia importam diretamente a volatilidade dos mercados globais de bens de consumo e capital. Quando as coisas vão bem, poucos paí- ses parecem em melhor situ- ação. Quando o sentimento internacional muda, a econo- mia e os mercados russos en- tram em colapso.


A boa e a má notícia A boa notícia é que o pano- rama a curto prazo é ideal para a Rússia. Os desafi os es- truturais com que se defron- tam Estados Unidos, Euro- pa e Japão lhes deixam pouca escolha a não ser manter as taxas de juros virtualmente em zero no futuro. Da mesma forma, por motivos totalmen-


te diferentes, a OPEP e o go- verno chinês parecem deter- minados a manter elevado o preço do petróleo. Um pes- simismo a curto prazo pode refrear os preços do petró- leo neste ano, mas a pers- pectiva a médio prazo para preços de bens de consumo parece tão sólida quanto em 2007, quando o preço do pe- tróleo subiu a quase US$ 150 o barril.


Não há motivo pelo qual a Rússia não possa voltar ao crescimento econômico anual de 5% a 7% que teve duran- te grande parte da década passada, ou pelo qual os mer- cados imobiliários não deves- sem fi gurar de novo entre os de melhor desempenho glo- bal. Devido à crise de 2008, o país desacelerou, reestru- turou-se e está em boa posi- ção para embarcar numa nova onda de crescimento. Mas, como no passado, qual- quer novo crescimento eco- nômico ou fi nanceiro não será totalmente graças aos ganhos de produtividade na Rússia. Na verdade, quanto mais a


Rússia subir no próximo ciclo, maior deverá ser a queda da próxima vez em que houver um desconforto internacional nos mercados. O governo há muito tempo tem noção de sua vulnerabi- lidade em relação aos preços de bens de consumo e os úl-


timos anos demonstraram que os mercados financeiros podem ser igualmente deses- tabilizadores. Por isso, as re- formas enfocam os mesmos objetivos de diversifi car a eco- nomia além dos recursos ener- géticos e criar um setor fi nan- ceiro capaz de intermediar a poupança russa para compa- nhias russas. A taxação ex- cessiva do setor petrolífero e a baixa taxação do resto da economia é uma resposta. Um novo gerenciamento visando a reformas nas concessoras de empréstimos Sberbank e VTB é outra. O programa de modernização do presidente Dmitri Medvedev é uma ter- ceira resposta.


Dada a volatilidade dos mer- cados globais, o programa de reforma vai ser uma dura ta- refa, mas é crítico que ele seja executado durante o próxi- mo boom do país. Se a Rús- sia saiu da crise de 2008, isso foi devido às ações tomadas pela OPEP, pelo Fed, pelo go- verno chinês e pelo ministro das Finanças, Alexei Kudrin, nessa ordem de importância. Mas caso essa combinação deixe de se materializar na próxima crise, as consequên- cias poderão ser muito pio- res. Num país com um siste- ma político tão inflexível como a Rússia, grandes cri- ses econômicas podem ter efeitos imprevisíveis.


Relação entre o preço do petróleo e o PIB da Rússia


do seu império em nome do Kremlin. Ele estaria juntan- do bens em vários setores para formar uma série de “campe- ões nacionais”, que poderiam usar seu tamanho e força avassaladores para tirar van- tagem nos mercados glo- bais. Conforme sugere o banco de investimentos Troika Dialog, “Kerimov é um típico fi nan- cista e suspeitamos que ele esteja encenando um drama de muitos atos com o intuito de monetizar seu investimen- to”.


Ainda assim, a fusão faz sen- tido economicamente.


Preços de fertilizantes devem subir, puxados pela retomada do boom de commodities


Os efeitos da consolidação e a alta dos preços agrícolas já se fi zeram sentir no setor dos fertilizantes depois que a Uralkali subiu os custos para pronta entrega em torno de 10% no início de setembro. Uma tentativa similar em fe- vereiro foi abortada pela re- ação agressiva dos compra- dores e pela indisciplina da parte da Silvinit. Enquanto o mercado obser- va a BHP cortejar a Po- tashCorp, também se indaga quais são as cartas da Rússia na jogada. Sugestões de que o novo cam- peão poderia se juntar à No- rish Nickel para formar uma


gigante da diversifi cada mi- neração são pouco prováveis, enquanto um acordo com fa- bricantes de fertilizantes quí- micos como a Phosagro ofe- rece poucos benefícios porque os métodos de produção são inteiramente diferentes. Em vez disso, Kerimov esta- ria tentando expandir o novo gigante através da fronteira com a Bielo-Rússia, que pos- sui o terceiro maior depósito de potássio do mundo. No começo de agosto, o vice- premiê da Bielo-Rússia, Vla- dimir Semashko, desmentiu que o governo estivesse dis- cutindo uma oferta de US$


Analistas veem dedo do Kremlin no negócio. Governo estaria interessado em criar gigantes


7,5 bilhões de Kerimov para adquirir 51% da maior pro- dutora de potássio do país, a Belaruskali. No entanto, apesar de infor- mações sobre o interesse de chineses e indianos pela pro- dutora bielo-russa, Semashko espera que o conglomerado russo emergente esteja entre os principais compradores da companhia. O premiê afi rmou acreditar que o interesse de Kerimov nasceu de sua recente aqui- sição da Uralkali. “Espero que depois [que assuma o contro- le] da Silvinit, a Belaruskali venha a seguir,” disse Se- mashko.


(US$ por barril)


Brasil ultrapassa EUA na exportação de carne à Rússia


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Em alguns desses produtos, além dos antibióticos, foram detectados micro-organismos anaeróbicos, bactérias E. coli, listeria e salmonela. Apesar do medicamento te- traciclina não apresentar pe- rigo imediato, sua ingestão regular pode ter efeitos não desejados em humanos. Um deles é a diminuição dos efei- tos de remédios antibióticos em pessoas submetidas ao consumo. Na Rússia, epide- mias de resfriados e de gripe comum ocorrem uma ou duas vezes por ano, e os órgãos sa- nitários não querem correr riscos por conta dos lucros


dos pecuaristas dos Estados Unidos.


Não é a primeira vez que os serviços sanitários embargam produtos norte-americanos. Segundo especialistas russos, 41 frigorífi cos foram incluídos na lista de exportadores aptos a fornecer carne suína para a Rússia, sob a garantia ofi cial do governo de Washington. No entanto, já foram impostos embargos temporários a 26 deles. O quadro da carne bo- vina norte-americana não está melhor. Dos 32 frigorífi cos cer- tifi cados na Rússia, 21 estão sob regime de controle inten- sifi cado devido à descoberta de antibióticos ou contamina- ção por bactérias.


Mas epidemias animais são alarmantes na própria pro- dução russa. Segundo Anna Evangeleeva, analista do site MeatInfo.ru, entre janeiro e fevereiro o país registrou 54 casos de peste suína africa- na, nove de peste suína clás- sica, um de gripe aviária e um de febre aftosa. Isso pode retardar os planos da Rússia de desenvolver a produção doméstica, mesmo depois de um grande salto produtivo dos fazendeiros locais, que têm contado com subsídios do Estado.


Até pouco tempo, a partici- pação da carne de frango na- cional no consumo era infe- rior a 40%. A quantidade de


Com aumento da produção, Rússia importa cada vez menos


frango importado dos EUA era tanta que o produto foi apelidado como “pernas de Bush”, em homenagem a Bush pai, sob cuja gestão começa- ram as exportações da ave para a Rússia. Nos últimos anos, entretan- to, a produção russa recebeu grandes investimentos esta- tais e privados. Graças a isso, a produção nacional passou a ocupar de 70% a 75% do consumo. Já o aumento de produção de carne suína não se tornou tão relevante, ainda que tenha sido notável nos últimos anos. Nos sete primeiros meses de 2010, a produção subiu 28,7%, se comparada com o mesmo período de 2009. Por enquanto, somente a po- pulação de gado bovino e a produção de carne estão di- minuindo. Segundo Anna Evangeleeva, a produção entre janeiro e julho deste ano diminuiu 3%, se compa- rada com o mesmo período do ano passado. Mas a ana- lista também destaca que a carne de frango ocupa 75% do total de consumo na Rús-


sia, a suína 20%, e a bovina somente 4%. Segundo Evangeleeva, “desde o início da realização do pro- jeto nacional de produção de carne, a avicultura é o seg- mento que se desenvolve de modo mais dinâmico. E ainda que isso também seja infl u- ência dos embargos, os vo- lumes de importação estão diminuindo”.


A especialista não exclui a possibilidade, no caso do crescimento contínuo da pro- dução nacional, de a Rússia se transformar de importa- dora em exportadora nos próximos anos. Segundo ela, o volume de produção nos oito meses de 2010 somou 1,5 milhão de toneladas, e a im- portação nos sete primeiros meses foi de apenas 133 mil toneladas, 2,8 vezes menor do que nos primeiros sete meses de 2009. Dos outros frigorífi cos que tiveram sua carne impedida de entrar na Rússia a partir de 28 de setembro, três eram espanhois, três holandeses, quatro alemães, um francês e um polonês.


REUTERS/VOSTOCK-PHOTO


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