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GAZETA RUSSA WWW.RBTH.RU SEGUNDA-FEIRA, 4 DE OUTUBRO DE 2010


SUPLEMENTO COMERCIAL


Política e Economia NOTAS


NÚMEROS 73%


É a proporção de habitantes da região de Khimki que são contra a derrubada da flores- ta para dar lugar a uma nova rodovia


Iuri Shevchuk COMENTÁRIO


ROQUEIRO


penetrou nas nossas almas. Ou ela floresce ou é destruída por completo. Se Khimki for derrubada não deixaremos nada para nossos netos, nada para nossos filhos. Apenas campos mortos”


'' VASILY SHAPOSHNIKOV_KOMMERSANT Protestos salvam floresta CONTINUAÇÃO DA PÁGINA 1


No fi nal de agosto, um pro- testo contra a rodovia foi re- alizado no centro de Moscou e contou até com um show acústico do roqueiro russo Iuri Shevchuk, da banda DDT. Diferentemente de outras grandes manifestações, a multidão ali reunida era composta não apenas pelos costumeiros ativistas da opo- sição, mas também por cida- dãos interessados na causa. A audiência foi tanta que che- gou a preocupar o governo do país.


Antes de cantar, Shevchuk fez um discurso e destacou que a fl oresta de Khimki é um símbolo da região. “[Se Khimki for derrubada] não deixaremos nada para nos- sos netos, nada para nossos fi lhos, apenas campos mor- tos”


, afi rmou o roqueiro.


Três dias depois, no primei- ro concerto do U2 em Mos- cou, ele foi convidado para dividir o palco com a banda irlandesa e cantou Knockin' on Heaven's Door, de Bob Dylan, ao lado de Bono Vox. Na Rússia, o convite do U2


a Shevchuk foi interpretado como um claro gesto de apoio à campanha. No dia seguinte, Medvedev interrompeu a construção da estrada para “maiores dis- cussões cívicas e técnicas”. O primeiro passo foi dado. As somas envolvidas na cons- trução das pistas, no entan- to, indicam que a vitória dos ambientalistas está longe de ser garantida. “Uma das pos- sibilidades é que os protes- tos diminuam durante um mês ou dois e, então, depois de algumas discussões, o pro- jeto original seja retomado”, diz Nikolai Petrov, analista político do Carnegie Center de Moscou. O passado confi rma a teoria. Outros exemplos de casos em que ambientalistas se uniram em manifestações tiveram su- cesso apenas inicial. Em 2008, uma fábrica de polpa de papel que poluía o lago Baikal foi fechada após pro- testos e reabriu neste ano. A destruição de casas cons- truídas ilegalmente na região de dachas (casas de campo) de Rechnik também foi in- terrompida no começo do ano


Trecho da discórdia


após manifestações, mas tri- bunais locais acabam de dar permissão para que as demo- lições continuem. “Talvez eu esteja enganado, mas existe um receio de que a determi- nação tenha sido para apa- ziguar as tensões e de que daqui a algum tempo a cons- trução prossiga”, disse Krein- dlin, do Greenpeace.


Já há sinais de que os defen- sores da estrada vão pegar pesado. Um dia após o anún- cio de Medvedev, a adminis- tração de Khimki havia lan- çado uma petição em favor da construção. Segundo Ev- guenia Chirikova, líder do movimento de proteção à fl o- resta, os funcionários das lojas e dos institutos ligados


ao governo local receberam ordens de assinar e de reco- lher assinaturas. Em três dias, foram levantadas 20 mil assinaturas a favor da estra- da, um número impossível de ser alcançado sem uma séria pressão da administração. O grande problema que surge é para onde levar a estrada, caso ela não passe pela fl o-


resta de Khimki. “Atravessar Khimki é ruim, porque ha- verá dano ecológico”, explica o especialista em transpor- tes Mikhail Blinkin, mas ou- tros trajetos irão exigir des- locamento de moradores e imensos pagamentos de in- denização. “Não existe ne- nhuma decisão que possa agradar a todos.”


Como na Amazônia, o dilema entre progresso e devastação


De Manaus, jornalista traça paralelo entre consequências da Transamazônica para população regional e protestos de Khimki.


FELIPE MILANEZ ESPECIAL PARA GAZETA RUSSA


Uma estrada conecta pontos onde vivem pessoas que pre- cisam de transporte e comu- nicação. É difícil imaginar que obras de infraestrutura bási- cas como a ligação rodoviá- ria Moscou – São Peterburgo pudessem sofrer tanta oposi- ção e protestos.


Mas não é a estrada em si, e sim o que passa por ela e o acesso que ela permite a re- cursos naturais, que geram as críticas. Na Amazônia, a cons- trução de uma estrada, ao mesmo tempo em que abre uma nova fronteira econômi- ca, pode acelerar a destrui- ção da fl oresta.


O Plano de Combate ao Des- matamento do Governo Fe- deral, de 2009, atesta: “O des- matamento da Amazônia correlaciona-se com o proces- so de ocupação em curso


desde a década de 70 e com a abertura de longas rodovias em meio à fl oresta, algumas pavimentadas.” O desmata- mento está, dessa forma, di- retamente ligado às estradas. Elas são a porta de entrada da ocupação e, por consequên- cia, da devastação. O Imazon, instituto indepen- dente de pesquisa, já detec- tou por satélite milhares de quilômetros de estradas ile- gais criadas a partir dos ra- mais centrais. Antes da cons- trução das estradas, inicia-se um processo de grilagem e violência no campo. Segundo a antropóloga Mary Allegretti, existem basica- mente dois modelos de cons- trução de rodovias na Ama- zônia, e para ambos a BR-364, que liga Acre e São Paulo, serve como exemplo. “O pri- meiro é o asfaltamento do tre- cho ligando Cuiabá (MT) a Porto Velho (RO), que no iní- cio da década de 80 provocou altas taxas de desmatamen- to”


, afi rma.


O outro modelo foi criado na metade da década de 80 para


Estradas intensificam desmatamento, mas trazem benefícios


controlar o impacto da mesma estrada na conexão entre Rondônia e Acre. Allegretti afi rma que esse “também teria provocado alto impacto, não tivesse sido objeto de pressão por parte dos movimentos so- ciais”. De qualquer forma, os dois modelos, construídos na tran- sição da ditadura militar, foram marcados por destrui- ção ambiental e violência. Assim como em Khimki, os mais recentes projetos para a Amazônia - como o asfal- tamento da BR-319 ou a construção da Transoceâni-


ca, rodovia que liga o Acre ao Oceano Pacífico - terão sua viabilidade discutida em uma sociedade com mais tec- nologia e conhecimento fren- te à natureza. Isso pode acar- retar uma destruição ainda maior – mas também uma nova dinâmica social e de pressões por preservação. Estradas trazem impacto am- biental, mas vêm acompanha- das de benefícios sociais e econômicos para as pessoas que vivem a seu redor. As con- sequências da extinção fl ores- tal, entretanto, podem ser de- sastrosas.


A floresta de Khimki já se tornou um símbolo, uma metáfora. Ela já


Jovens cientistas


ganham bolsa


A Academia de Ciências da Rússia receberá do governo federal recursos adicionais para destinar ao patrocínio de jovens cientistas. O anún- cio foi feito pelo chefe da instituição, Iuri Osipov, du- rante assembleia da presi- dência da academia. “Deci- diu-se que serão distribuídas mil bolsas para esses jovens cientistas”, disse ele. Além dos 600 milhões de ru- blos (cerca de R$ 30 milhões) em bolsas que não estavam previstos no orçamento, o acadêmico revelou que uma quantia equivalente a R$ 111 milhões será destinada à própria Academia e cerca de R$ 55 milhões serão reser- vados ao custeio de mora- dia dos bolsistas. Osipov interpretou a medi- da como “uma concreta mu- dança de postura” do gover- no em relação à Academia. ITAR-TASS


Fauna de Sochi é relocada para Olimpíadas


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RIA NOVOSTI


Já começou a transferência de animais como salaman- dras, rãs e lagartos que ha- bitam a área onde estão sendo construídas as estru- turas esportivas para as Olimpíadas de 2014 de Sochi, no sudoeste do país. A medida é parte do progra- ma de compensação de danos ecológicos decorren- tes das construções olímpi- cas. Segundo o vice-minis- tro do Meio Ambiente da Rússia, Igor Maidanov, o pro- grama será concluído ape- nas em 2015. “Mas algumas espécies de anfíbios - sala- mandras e rãs, entre outros - e lagartos já estão sendo transferidos”


, afi rmou.


Também serão replantados mais de 20 hectares de ve- getação ameaçada de extin- ção. De acordo com Maida- nov, sob o programa já foi realizado o replantio de 30% das espécies ameaçadas, re- movidas para construção das instalações olímpicas. As próprias companhias res- ponsáveis pelas obras, Fer- rovias Russas (RZhD) e Ga- zprom, teriam executado o trabalho, disse ele.


Interfax.ru


Tigre russo para as favelas brasileiras


Fiscalização Atendendo a pedidos presidenciais, governo afrouxa política de vistorias surpresa Pequenos empresários aliviados


Desde que as medidas entraram em vigor, em maio deste ano, 97% das novas empresas não teriam tido problemas com fiscalização.


PETER FRANCE THE ST. PETERSBURG TIMES


O número de vistorias sur- presa a negócios diminuiu sig- nificativamente desde que novas regras limitando a carga regulamentar sobre as empresas entraram em vigor, afi rmou a ministra do Desen- volvimento Econômico da Rússia, Elvira Nabiullina. Os dados mais recentes, do


primeiro trimestre de 2010, mostram que foram feitas apenas 405 mil inspeções em pequenos negócios, excluin- do aquelas feitas pelas auto- ridades da receita federal e da polícia. Essa cifra caiu em relação ao terceiro e ao quar- to trimestre de 2009 (que foram de 595 mil e 613 mil, respectivamente). Em maio de 2009, entraram em vigor mudanças para que a maioria das agências regu- ladoras estatais consigam per- missão das promotorias locais antes de inspeções não-anun- ciadas. As novas regras vie-


ram em resposta a um apelo do Presidente Dmitri Medve- dev para que o governo pa- rasse de “causar pesadelos” aos pequenos negociantes. Nabiullina afi rmou que as me- didas funcionaram e que ape- nas 54% do número total de inspeções a pequenos negócios teriam sido realizadas. “Essa cifra parece alta, mas os pe- quenos negócios representam 68% do número total de em- presas, o que signifi ca que a frequência das inspeções aos pequenos empresários dimi- nuiu”, explicou a ministra. Apesar da menor pressão


sobre as pequenas empresas, apenas 3,8% das inspeções realizadas precisariam rece- ber autorização do Gabinete Geral da Promotoria. “Existem duas razões para isso. Em primeiro lugar, as re- gulamentações que exigem consentimento da promoto- ria foram emitidas para au- toridades de certas agências, incluindo fi scais, alfândegá- rias, de orçamento, de trans- porte e antimonopólio. Em se- gundo, outras agências simplesmente não estão obe- decendo à lei, infelizmente”, informou ela.


Cerca de 80% das inspeções são hoje executados por ape- nas cinco corpos fi scais: o Mi- nistério para Situações de Emergência, a Agência Fede- ral de Proteção ao Consumi- dor, o Serviço Federal para Inspeção Ambiental, Tecno- lógica e Atômica, o Serviço Federal de Migração e o Ser- viço Federal de Trabalho e Emprego. O premiê Vladimir Putin pediu à ministra que apresen- tasse propostas para reduzir o número de agências exclu- ídas das regras e criar um sis- tema de monitoramento que


reduzisse o número de viola- ções.


Com as novas medidas, que afunilam o processo de aber- tura de fi rmas a 20 setores, 97% daqueles que começa- ram negócios dizem que não tiveram problema com a fi s- calização, afi rmou Nabiulli- na, citando um levantamento do grupo lobista de pequenas empresas Opora.


“Então abrir um negócio aqui, podemos dizer, foi liberaliza- do num grau signifi cativo?”, perguntou Putin. “Mas somen- te em 20 esferas de ativida- de”, replicou Nabiullina.


ITAR-TASS


O Batalhão de Operações Especiais (Bope) do Rio de Janeiro recebeu no dia 7 de setembro o modelo para tes- tes do primeiro veículo blin- dado Gaz-2330 Tigre, impor- tado da Rússia. O veículo está em produção desde 2005, possui blindagem de nível cinco e pode desenvol- ver velocidade de até 140 km por hora. O preço de uma unidade é de, aproximada- mente, US$ 300 mil. Além disso, está sendo dis- cutida a possibilidade de se instalar uma montadora do veículo no Brasil.


Interfax


br@rbth.ru


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