04 especial 15/04/09
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24horas
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quarta-feira
o jornal do cidadão
HECATOMBE. “Vamos de
pior previsão em pior previsão
e temos estas previsões de
hecatombe do BdP no mes-
mo dia em que a Qimonda
anunciou o despedimen-
to de mais trabalhado-
res”, disse a deputada
do BE Ana Drago.
BOLETIMECONÓMICORELACIONAEDUCAÇÃOCOMAQUELESQUENÃOTÊMEMPREGO
Ricardo
Martins
Pereira
PobrezaalarmaConstâncio
nota dodia
Osactuaisnúmeroshistóricosdedesempregados,
Economia
Pobres
comodescreveoBancodePortugal,farão“aumentar
em queda
apobrezanofuturopróximo”.Em2006haviadois
P
ortugal sempre foi
um país de pobres.
milhõesabaixodolimiardepobreza
O Banco de Portugal (BdP) pre-
Não é por o Banco de
vê uma queda de 3,5% no Produ-
Portugal vir agora
to Interno Bruto (PIB), revendo
avisar que o
em baixa a previsão da activida-
desemprego e a
de económica em 2009, na que
GOULÃO/LUSA
pobreza vão aumentar
será a pior situação desde 1975.
SENA
que temos de ficar mais
Segundo o “Boletim Económi-
JOÃO
preocupados. Até
co de Primavera”, a economia
porque também temos
portuguesa vai deteriorar-se
vindo a aprender que o
este ano. A previsão anterior do
que o Banco de
Banco de Portugal, de 6 de Ja-
Portugal diz nem
neiro, apontava para uma queda
sempre se escreve.
de 0,8%, pelo que a revisão foi
de 2,7 pontos percentuais. Po-
rém, já várias vezes nos últimos
O
s portugueses
vivem acima das
meses o governador do BdP deu
possibilidades. Levam
a entender que esse número se-
vidas a crédito, que
ria revisto em baixa.
garantem o carro que
Ontem, Constâncio disse que,
não podem ter, o LCD
sem a recuperação dos parcei-
desadequado ao
ros europeus, dificilmente a eco-
salário, as férias com
nomia nacional sairá da reces-
que só deveriam
são.
sonhar. Mas somos
A queda agora prevista é mais
assim, um povo a
forte do que o esperado. A justi-
crédito.
ficar a revisão do BdP estão as
Quanto mais
desempregados, mais
revisões do consumo e sobretu-
do das exportações e do investi-
S
e assim não fosse
pobreza, diz o Banco de
uma coisa era
Portugal
mento.
certa: continuávamos a
O consumo privado deve re-
ser pobres e seríamos
Texto
cuar 0,9 por cento este ano, pe-
● Miguel Marujo
A situação complica-se quando cento dos indivíduos com um cur-
ainda mais infelizes.
nalizado pela queda da despesa
miguel.marujo@24horas.com.pt
no casal se encontram os dois de- so superior viviam numa situação
em bens duradouros e pela de-
sempregados: cerca de metade das de pobreza.”.
O
aumento do número de de-
saceleração das compras de
famílias nestas condições “vivia O documento do BdP torna cla-
sempregados vai contribuir
produtos não duradouros.
numa situação de pobreza”. ro que “o nível de educação é um
“para aumentar a pobreza em Por-
Por sua vez, “os agregados fami- importante factor explicativo dos
tugal no futuro próximo”, alerta o
liares em que o representante em níveis de pobreza em Portugal”. Os explica – aliado à importância que
Banco de Portugal (BdP), num tex-
idade activa não exercia uma pro- números mostram que “comparati- esta tem na pobreza – “a transmis-
to ontem divulgado no “Boletim da
fissão apresentavam uma incidên- vamente ao caso de uma família são intergeracional da pobreza”.
Primavera”, que prevê a pior reces-
cia de pobreza significativamente cujo representante e/ou cônjuge O sistema educativo, avisa o
são desde 1975 para este ano.
superior à média da população”, não possuía percurso escolar, as fa- BdP, mostra-se incapaz de “elimi-
Segundo o BdP, “o número de
segundo os dados apresentados em mílias cujo representante e/ou côn- nar as diferenças de enquadramen-
pobres em Portugal em 2005/06
“Novos factos sobre a pobreza em juge tinham 4 anos de escolaridade to familiar dos estudantes, mesmo
Isaltino Morais
ascendia a perto de dois milhões,
Portugal”, pelo economista Nuno apresentavam probabilidades de para os modestos níveis de educa-
dos quais 300 mil eram crianças”,
Alves – que se baseia no último in- pobreza inferiores em cerca de 15 ção obrigatória em Portugal”.
1
Ontem teve um dia
uma situação que se agravou no
quérito do INE à despesa das famí- pontos percentuais”, valores que É nas zonas rurais que mais pro-
negro, com uma
quadro actual: desde 2006, “a taxa
lias, de 2005/06. sobem para mais de 35 por cento vavelmente se cai na pobreza. “As
sessão de julgamento
de desemprego em Portugal au-
“no caso em que o representante famílias residentes em zonas urba-
onde várias
mentou significativamente, para
Educação ajuda e/ou cônjuge possuía um nível de nas têm uma menor probabilida-
testemunhas revelaram
níveis historicamente elevados”.
Cair nas malhas do desemprego escolaridade superior”. de”, lê-se. São também as famílias
que recebeu dinheiro e
Ontem, mais 300 trabalhadores
é pior para quem não tem um per- de Lisboa e Vale do Tejo e do Al-
uma casa como
na Qimonda souberam que iam
curso académico: “Em 2005/06, Pais “determinam” pobreza garve as que melhor resistem. Nos
pagamento de favores.
para o desemprego, enquanto ou-
cerca de 40 por cento dos indiví- Outro aspecto defendido pelo arquipélagos da Madeira e Açores e
E agora?
tros 800 viram os seus contratos
duos com mais de 14 anos e sem texto ontem divulgado é a “signifi- no Alentejo, por esta ordem, é onde
(pág. 9)
serem suspensos por seis meses
qualquer percurso escolar eram cativa transmissão intergeracional há uma maior probabilidade de as
(ver texto na página ao lado).
pobres, enquanto apenas 3 por da educação em Portugal”, o que famílias viverem na pobreza. ■
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