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jogadores, do amor à camisa versus os milhões em salários e o interesse apenas pelos lucros. Soma-se a isso a situação dos serviços públicos, decadentes, a falta de moral dos políticos, os escândalos que não param de acontecer e uma infl ação crescente. Não podemos fi car passivos quanto ao efeito real que ligar nossa mar- ca à Copa do Mundo pode causar.


Os lados das correlações Por último, mas não menos considerá-


vel, também temos a própria consciência quando chegamos a esse ponto em uma sociedade. De forma alguma sou contra ou tenho alguma crítica pessoal às pesso- as que estão ligando suas marcas à Copa do Mundo, mas pessoalmente prefi ro dei- xar as marcas que tenho a obrigação de fazer crescer e ser bem-vistas aos olhos dos consumidores fora de qualquer liga- ção com a Copa do Mundo e do que ela representa atualmente neste país. E faço isso porque conheço muito bem o meu consumidor, falo com ele diariamente e sei que não está ligado ao momento político brasileiro de forma positiva e, consequen-


temente, à Copa do Mundo. Sei que para ele é muito mais impor-


tante ter um bom e reconhecido músico profi ssional usando nosso produto do que associar a marca ao Neymar — um dos cachês mais caros do País para uma campanha publicitária. Também sei que relacionar meu


produto à Copa do Mundo é dizer que sou a favor do desperdício do dinheiro público e a favor de trabalhar quatro me- ses do ano apenas para pagar impostos não revertidos para a nossa sociedade. Investir em educação musical e


apoiar eventos nessa área signifi ca mui- to mais para o meu consumidor direto e vai gerar respeito e carinho em relação à minha marca, enquanto que colocar as cores do Brasil em meu produto e apro- veitar um momento em relação ao qual o resultado fi nal é duvidoso e cheio de obs- curidade pode causar o efeito contrário.


No travesseiro


e nos negócios A mais sutil dúvida do resultado de que usar a Copa do Mundo junto ao meu produto


@musicaemercado


poderia gerar na mente do consumidor já é o sufi ciente para eu investir em ações nas quais essa dúvida não paira, garantindo que a minha marca sempre será lembrada como aquela que faz seu papel social e fo- menta a arte, apoia o músico profi ssional e amador, patrocina eventos educacionais e boa música, especialmente as não veicu- ladas na grande mídia. Enfi m, uma marca que ama a música e os músicos e cum- pre sua função social de ajudar a cons- truir carreiras e difundir a cultura musical. Copa do Mundo? Pode ser uma opção, mas sem dúvida com grandes riscos. Existe outra questão importante a


ser considerada: quem está por trás das decisões de criação e investimento da empresa deve fazer vista grossa e não se importar com o momento político que vi- vemos? Deve tomar suas decisões única e exclusivamente visando a possibilidade de lucro e o crescimento fi nanceiro? Se isso é possível para uns, é impossível para outros. Nem sempre o lucro e o ganho fi - nanceiro precisam estar contra nossas crenças pessoais e nossas posturas po- líticas, não é? Saúde e paz.n


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