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Entrevista | Lutas Olímpicas


lutador, treinador, árbitro, dirigente ou até desempenhar outras funções na área das práticas desportivas. Todavia, nem todos os que as exercem


ou pretendam exercer essas actividades, tem apetência, formação, intuição ou vo- cação para desempenhar tais cargos. Shakespeare disse: Ser ou não ser, eis a questão


É a chave do provável êxito ou da vi- tória, não se pode parecer, tem mesmo de se ser.


A Luta é um desporto pouco divulga- do a nível nacional, porque é que isso acontece?


terreno numa constante, ter sido em tudo diferente dos outros seis que me proce- deram. Naturalmente nada teria conse- guido sozinho, tive o acordo de vários Presidentes e Directores da Federação, dos Clubes, Treinadores e principalmen- te dos que queriam que a modalidade fosse em frente.


“Só uma mudança radical de pessoas e começar tudo de novo é talvez a única hipótese!”


Então o que se passa com os clubes da modalidade? Porque não encontra estabilidade da secção ou núcleo de Luta?


Se tiveres oportunidade de dar uma leitura um pouco mais concentrada nos documentos: “Luta Olímpica em Portu- gal”, no que recentemente escrevi para o Blog “Mundo da Luta Olímpica” e para o que julgo que entreguei ao pessoal faz uns meses, encontras muitas respostas à tua pergunta. Mas acrescento mais algumas, falta de


informação e formação desportiva duma grande percentagem do povo português. (Quantos clubes já surgiram desde que se transmite a luta na TV?). Como podem os clubes suportar secções que só dão despesas? Quais as capacidades e dinâ- micas que foram aplicadas ao longo dos anos? Quantos treinadores é que actual- mente querem perder tempo sem contra- -partidas? Quantos clubes terão logística em condições para práticas desportivas como a Luta? Porque não se paga uma taxa ou mensalidade como em todas as outras modalidades? A luta terá de ser sempre o desporto dos coitadinhos? Para terminar: Cada individuo normal e são, pode praticar qualquer desporto contemporâneo. Todavia, cada desportista não pode


ser recordista ou campeão. Cada individuo normal e são, pode ser


Em anos já distantes a modalidade tinha um certo apoio dos Órgãos de Comunicação Social porque era uma modalidade bem vista e tinha alguns in- divíduos que acompanhavam e faziam reportagens da Luta.


Com o passar dos tempos a ditadura do Futebol tomou conta de tudo, o que, aliado à falta de imaginação dos respon- sáveis, a Luta está novamente numa fase agonizante tal como se encontrava em 1954.


O que deve melhorar na Luta? Da forma que as coisas se encontram, penso que muito dificilmente se pode melhorar o actual panorama. Perderam- -se todos os valores!


Só uma mudança radical de pessoas e começar tudo de novo é talvez a única hipótese!


Recentemente lançou um artigo o “Lutas Olímpicas – O Futuro do Des- porto”, o que quer transmitir. Como deves compreender a nossa mo- dalidade está cheia de gente inteligente, nomeadamente alguns ocupam os car- gos importantes e de decisão, achas que iam dar importância a documentos elaborados por uma pessoa que não tem passado desportivo na modalidade? (E o burro sou eu?) Tudo o que já fiz ou faço, seja em actividades no terreno ou em do- cumentos, servem para informar, chamar atenção dos mais distraídos, esclarecer algumas situações e dar a conhecer que existem alternativas.


Está a colaborar e a ser mais activo com o Blog “Mundo da Luta Olímpica”, quer dizer o que está a transmitir? A minha colaboração com o “Mundo da Luta Olímpica”, é e vai ser, se assim o entenderem, neste sentido de contar algumas histórias e situações desconhe- cidas dos mais jovens e do pessoal em geral.


Que acha do projecto do Blog “Mun- do da Luta Olímpica”?


73 Maio 2011


Penso ser um meio útil para a divul- gação da modalidade. No entanto, para que o Blog tenha ainda melhor qualidade e credibilidade, torna-se necessário que as pessoas tenham um certo equilíbrio no que declaram e escrevem em Artigos e Entrevista, devem servir o Blog e a Luta e não servir-se do Blog e da Luta para se tornarem notáveis.


Julgo que também seria determinantes as pessoas apresentarem mais ideias, soluções ou criticas sobre a modalidade e seus responsáveis, juntarmo-nos todos. É apenas um desafio!


É conhecido pelo seu temperamento


e frontalidade, nesta pergunta exprima o que vai na sua alma referente às Lu- tas Olímpicas Nacionais.


Já vai para trinta anos que alguém


dentro da modalidade deu inicio a uma” guerra pessoal “contra o Orlando Gon- çalves, a qual tem tido os seus efeitos colaterais para a Luta, nunca percebi porquê! Talvez por pôr os interesses da modalidade à frente dos meus? Ou por não gostar de oportunistas, mercenários, de hipócritas, dos “diz que disse” e dos que espetam facas nas costas? Não foi por acaso que me demiti 2 ve- zes do cargo de DTN e sempre que re- gressei foi a pensar que as coisas seriam diferentes, mas fui forçado à terceira de- missão por motivos óbvios!


Partilhe connosco uma história des- ta modalidade que a tenha marcado. São muitas, algumas mais interessan- tes, outras muito negativas como por exemplo o das Eleições de 1984, em que o processo e actos acontecidos nas Assembleias decorreram sob situações mafiosas, de pouca lisura com efeitos tão colaterais que se repercutem ainda hoje e que marcaram para sempre o futuro da modalidade.


Que última mensagem gostaria de


deixar aos leitores desta entrevista? Espero que gostem, que se sintam elucidados de alguns pormenores desta modalidade e que tentem a mudança, fa- çam algo para as Lutas. Depois que as Lutas têm sido uma fraude nos últimos 20 anos! Que me sinto frustrado depois de 55 anos de amadorismo, sinto-me en- ganado, sinto-me triste pela modalidade. Mas acima de tudo, sinto que a moda- lidade foi invadida por incompetentes, que as pessoas passam por cima de tudo e de todos para atingirem aquilo que querem, assim vamos muito mal. Um bem-haja!


João Vitor Costa Mundo da Luta Olímpica www.mundolutaolimpica.blogspot.com


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