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PÁGINAS DE UM DIÁRIO


6 março 2100 Querido Diário,


Eu já sou velho, como tu sabes. Hoje não fiz muita coisa, apenas fui à farmácia de jetpack a energia solar e vigiar os meus netos. Se eu comparar 2015, quando eu era pequeno, com agora, 2100, nem parece o mesmo mundo. Antes as rou- pas eram de algodão, tínhamos sapatilhas normais, a comida era legumes e arroz, massa… os carros e as motas andavam pelo chão, não havia teletransportes… E agora há de tudo. Toda a gente tem um jetpack a energia solar, a comida é um copo de sumo que te tira a fome, a sede e ainda te dá energia, cálcio, ferro, enfim, tudo o que precisas, agora os carros voam , as motas não têm rodas e flutuam, as farmácias, centros comerciais e outros espaços flutuam graças a uma força magnética. Os miúdos não andam na escola, aprendem através de jogos. Só faltava a Terra ganhar umas pernas gigantes de dia- mantes e sair do Sistema Solar. Algumas coisas fazem jeito só que não é por termos tudo e mais alguma coisa que vamos ser as pessoas mais felizes do mundo. Já estou farto de tudo isto, é tecnologia por to- do o lado! Quem me dera estar em 2015 outra vez.


David , 8.º A


22 de Agosto de 2100


Querida Morte, Sinto-me velho, sem forças e a desabar tal como um edifício antigo. Já nem consigo acompanhar o que se passa à minha volta. Agora o mundo é estranho e sem sentido. Carros voadores, cidades enormes, edifícios gigantes, pessoas com partes de robô. E sem um único ponte verde no planeta. Já ouviste algo parecido como terraformar? Pois é isso que agora fazemos, alteramos outros planetas para que se pa- reçam com a terra. Lembro-me de quando a vida era mais fácil de carregar. Agora só é algo de que me quero livrar. Sobre- vivi quase um século graças a medicamentos e a outras drogas que fui obrigado a tomar. Estou farto e cansado da vida. Já me apaixonei, já me casei, já tive filhos, netos, bisnetos, trinetos e já vi tudo o que tinha a ver. Quan- do era jovem a vida era bela, alegre e um grande mistério por descobrir. Adorava essa vida, esta que eu levo, não. Este não é o meu mundo, não é o meu lugar por isso penso que chegou a minha hora. Por favor, morte, leva-me nessa tua dança negra que eu tanto anseio! Do teu velho amigo,


Francisco Ferreira, 8.º A 37


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