This page contains a Flash digital edition of a book.
Se quiseres partilhar ou reler a história… O pequeno Trevo


Era uma vez um trevo tantas outras, que não era como todos os


No início, ainda pensa- mais tarde. Mas o Ninguém entendia a


Começaram a surgir as Uns diziam que deveria ser


pegar-se aos outros trevos.


Começaram a olhá-lo com desconfiança. O medo do que não entendiam fê-los afastarem-se do pequeno trevo, que vivia cada vez mais triste, sem per- ceber a razão por que mal lhe falavam.


A notícia de tal acontecimento correu por todo o bosque. Todos falavam do pequeno trevo que nascera com quatro folhas. Aqueles que podiam não perdiam a oportunidade de ver com os seus próprios olhos algo tão invulgar. O pequeno trevo habituou-se a ser alvo da curiosidade de todos os ani- mais do bosque. Até de longe vinham para verificar se era verdade que existia uma tal planta de quatro folhas.


Como aquelas três borboletas que um dia foram vê-lo. A princípio, o pequeno trevo achou-as muito bonitas e desejou poder voar com elas. Mas ficou muito triste quando as ouviu falar: - Olhem para ali! -Que trevo mais estranho! - Será doença? -O melhor é irmos embora… E afastaram-se rapidamente. Todos apontavam e falavam dele com medo. Outros riam-se, troçando da sua diferença. O pequeno trevo estava cada vez mais infeliz. Não entendia por que razões não gostavam dele e o olhavam com desconfiança e receio.


Só o vento lhe fazia companhia. Soprava de mansinho, tão suavemente que quase parecia uma carícia. Tinha muita pena de o vertão triste. Demorava- se sempre um pouco mais para lhe contar histórias. Falava-lhe muitas vezes de outras terras, de rios e do mar e dos humanos que viviam para além do bosque. Quando tinha que partir, tentava animá-lo, dizendo-lhe:


- Não ligues ao que te dizem. Vais ver que mais cedo ou mais tarde todos se irão habituar, e um dia tudo será diferente.


Mas para o trevo esse dia não havia meio de chegar. Continuavam a não lhe sorrir e mal lhe falavam. Os seus companheiros tudofaziam para o manter afastado das conversas.


Um dia houve grande agitação naquela parte do bosque. Ouviam-se ao longe as vozes alegres de dois meninos, que brincavam com umabola. O peque- no trevo nunca tinha visto uma criança e estava ansioso por os ver chegar. Só esperava que eles passassem por perto para os poder ver.


E assim aconteceu. Um dos meninos deu um pontapé na bola, que foi parar muito perto do cantinho onde vivia o pequeno trevo. Tiveram que se apro- ximar para a irem buscar.


O trevo estava muito feliz, pois podia finalmente ver como era uma criança. E pensou como seria bom poder ir com eles, sair daquele lugar onde era tão infeliz e conhecer todos os sítios de que lhe falava o vento.


De repente uma das crianças olhou na sua direção com um ar muito admirado e aproximou-se. Chegou tão perto que o pequeno trevo até se assustou, pensando que ela o iria pisar. Mas a criança baixou-se e, com muito cuidado, soltou-o do caule que o prendia àquele lugar onde ninguém gostava dele. -Olha um trevo de quatro folhas! - Deixa ver… E o outro menino mostrava orgulhoso o seu achado. Depois de o mirarem bem, colocou-o com todo o cuidado no bolso da sua camisa, deixando as


folhas de fora


O pequeno trevo estava muito feliz. Finalmente encontrara alguém que não se importava com a folha a mais, como por causa delao tinha preferido entre todos os outros trevos. E ainda por cima iria viajar. De tempos a tempos o pequeno trevo volta ao lugar onde nasceu. Para sua surpresa, todos o recebem sempre muito bem, chegando mesmo a dizer-


lhe que já tinham saudades dele.


que nasceu diferente dos outros. A princípio era apenas uma pequena semente, igual a começou lentamente a brotar da terra. Mas quando cresceu tornou-se logo evidente que outros trevos. Em vez das três folhinhas em forma de coração, ele tinha quatro.


ram que a folha que estava a mais e que o tornava tão diferente, iria cair mais cedo ou pequeno trevo cresceu e nada se alterou. A quarta folha crescia tanto como as outras. razão por que ele nascera com uma folha a mais.


conversas à volta de tão estranho acontecimento. uma doença, outros acrescentavam que provavelmente seria coisa ruim e que poderia até


Textos de Ana Cristina Luz Associação Portuguesa de Paralisia Cerebral - APPC – Leiria 17


Page 1  |  Page 2  |  Page 3  |  Page 4  |  Page 5  |  Page 6  |  Page 7  |  Page 8  |  Page 9  |  Page 10  |  Page 11  |  Page 12  |  Page 13  |  Page 14  |  Page 15  |  Page 16  |  Page 17  |  Page 18  |  Page 19  |  Page 20  |  Page 21  |  Page 22  |  Page 23  |  Page 24  |  Page 25  |  Page 26  |  Page 27  |  Page 28  |  Page 29  |  Page 30  |  Page 31  |  Page 32  |  Page 33  |  Page 34