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Opinião A Nova Escola Jaime Quesado (*) Numa recente Conferência Internacional em Lisboa foi defendido que estudar é uma condição essencial para garantir a liberdade do exercício da cidadania. De facto, só com o


domínio do conhecimento o indivíduo pode assegurar a sua intervenção cívica numa sociedade colectiva complexa e global cada vez mais exigente. A questão é que a liberdade que muitos defendem implica uma mudança no paradigma da Educação. De facto, num tempo de crise e de falta de soluções, a Escola tem que encontrar novas respostas. A Nova Ambição para a Escola é também a Nova Ambição que queremos para uma sociedade bloqueada e que precisa de se reencontrar com o futuro. Na “Escola Nova” de que o país precisa, tem que se ser capaz de dotar as “novas gerações” com os instrumentos de qualificação estratégica do futuro. Aliar ao domínio por exce-


lência da Tecnologia e das Línguas a Capacidade de com Criatividade e Qualificação conseguir continuar a manter uma “linha comportamental de justiça social e ética moral” como bem expressou recentemente Ralph Darhendorf em Oxford. Tem que se ser capaz de desde o início incutir nos jovens uma capacidade endógena de “reacção empreendedora” perante os desafios de mudança suscitados pela “sociedade em rede”. Precisamos de um Portugal voltado para o futuro e apostado no papel das Novas Gerações. A “Cooperação” estratégica entre a Escola, o Meio social, áreas de conhecimento, campos de tecnologia, não pode parar. Vivemos a era da Cooperação em Competição e os alicerces


da “vantagem competitiva” passam por este caminho. Sob pena de se alienar o “capital intelectual” de construção social de valor de que tanto nos fala Anthony Giddens neste tempo de (re)construção. Na economia global das nações, os “actores do conhecimento” têm que internalizar e desenvolver de forma efectiva práticas de articulação operativa permanente, sob pena de verem desagregada qualquer possibilidade concreta e efectiva de inserção nas redes onde se desenrolam os projectos de cariz estratégico estruturante. Por isso, a oportunidade e a importância da “Escola Nova”. Que para além dos efeitos ao nível da revolução na utilização das TIC como um instrumento de qualificação pedagógica


tem que ter a capacidade de elevar na escala produtiva as empresas portuguesas, aumentando as exportações, consolidando dinâmicas de inovação e reforçando o emprego. É isso que conta nos tempos difíceis que vivemos. Assumir rupturas estratégicas e implantar uma Agenda de Modernidade para construir um país realmente diferente. A Educação assume-se desta forma como o “driver” efectivo da mudança e da construção duma identidade cultural mais forte. A ambição da Escola tem que ser a de dar resposta a uma sociedade aberta colaborativa e participada, exigente na sua procura de uma ambição de excelência.


(*) Administrador do Instituto Francisco Sá Carneiro


Por favor, Seguro, não me surpreenda Ferreira Fernandes (*) Seguro disse: “Irei surpreender os portugueses com futuro Governo.” Eu preferia não ficar surpreendido. Já chega de estranhar sobre como, por cá, é possível chegar a primeiro-


ministro ou candidato a primeiro-ministro. Das próximas vezes preferia não estranhar e passar logo à fase de entranhar políticos capazes. Eficazes e sem conversa mole em entrevistas. Que não chamem “laboratório de ideias” àquilo de pensar como vão governar, nem “viveiro” ao lugar onde vão buscar os potenciais governantes. Não os quero enxertados, só bons políticos. E era simplesmente assim que gostava que eles me fossem apresentados por quem se farta de dizer “deixe-me dizer-lhe com muita clareza.” Mas houve um momento da entrevista de Seguro de que gostei. Ele recordou que haver crise política ou não “depende do dr. Pedro Passos Coelho e do dr. Paulo Portas porque eles dispõem de maioria absoluta.”Boa malha! São coisas assim, simples, não surpreendentes, que quero na vida política: com muita clareza (não dita, mas aplicada), mostrar contradições dos adversários. Depois, Seguro disse que a crise política começou quando Portas disse publicamente: “Se me perguntarem se eu sabia das medidas da TSU, eu respondo que não...” Ora, o que Portas disse, na altura, foi: “Se me perguntarem se eu soube [da TSU], claro que soube.” Está a ver, Seguro, as surpresas que eu não quero? Um candidato a primeiro-ministro, citando mal, a estragar um seu bom argumento...


(*) Jornalista Contradições Luís Marques Mendes (*) 1- Há coisas na política que não dá para entender. Uma delas, a mais recente, tem a ver com a alegada falta de legitimidade do Governo para fazer cortes na despesa do Estado.


Ainda por cima, quando a acusação vem do PS. É certo que o tema não foi tratado, da forma minuciosa como agora é colocado, na última campanha eleitoral. Mas essa é a prática habitual, cá dentro e lá fora, com este Governo e com os seus antecessores. Então o PS já se esqueceu dos PEC 1, 2 e 3 que Sócrates lançou? E do estado de pré-bancarrota em que deixou o País? E da troika metida cá dentro? Será que José Sócrates tinha legitimidade para fazer isto? É caso para dizer: quem tem telhados de vidro não atira pedras à casa do vizinho.


2 - Outra razão que a razão desconhece é a que leva o PS a pedir eleições justamente na altura em que o País começa a ter sinais positivos. O regresso aos mercados, que tantos


diziam impossível, pode estar para breve; os bancos, voltando a financiar-se no exterior, começarão a ter mais crédito para as empresas; a Europa pode finalmente recompensar os países que cumprem, como é o nosso caso. Embora nada disto proporcione para já aumento de emprego, o certo é que são sinais positivos – relançam as condições da nossa recuperação. Assim sendo, pergunta-se: eleições para quê? Para piorar a situação? Para nos fazer andar para trás? Para que a troika imponha mais sacrifícios? Há coisas que alguns políticos não per- cebem. Falar do País e agir depois contra o interesse do País só mina a credibilidade política. Quando a bota não bate com a perdigota, não há retórica que nos salve. É mesmo suicídio.


3 - Está a generalizar-se a moda de os autarcas do PSD começarem a criticar o Governo e a demarcar-se das suas políticas. O objectivo, percebe-se, é o de não serem afectados


pelo voto de protesto que seguramente vai existir nas próximas autárquicas. Esta prática é humanamente compreensível. Mas é politicamente perigosa. Se soa a manobra táctica e oportunista, então o feitiço vira-se contra o feiticeiro. Os eleitores gostam de quem age com verticalidade e coragem, não de quem troca convicções por conveniências. Argumento e pretexto são coisas muito diferentes. Até na política.


(*) Conselheiro de Estado , ex-Presidente do PSD


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