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O PSD e o Governo


“PS não acompanha a velocidade do País”, afirma Miguel Santos


Na passada sexta-feira, o deputado do PSD, Miguel


Santos, acusou o PS de ter feito uma “proposta estapafúr- dia e de laboratório” sobre a ADSE e de estar a “viver um meio-tempo” sem conseguir acompanhar a “velocidade mais elevada” do País.


Em declarações à agência Lusa, o deputado eleito


pelo círculo do Porto, que pertence à Comissão de Saúde, considerou as declarações do PS sobre a ADSE (Direcção- Geral de Protecção Social aos Trabalhadores em Funções Públicas) “um caso paradigmático” e que “extinguir a ADSE é uma proposta completamente estapafúrdia, uma proposta de laboratório”.


Para Miguel Santos “o Partido Socialista de António


José Seguro está a viver um meio-tempo, dividido entre aquilo que são os resquícios do ‘socratismo’ – com altos responsáveis dessa época que ainda integram o grupo parlamentar e os órgãos nacionais do PS e que, dessa maneira ainda conformam aquilo que são as suas opções – e um PS anunciado, de António Costa”.


Segundo o deputado social-democrata “o problema


é que este não é o tempo de Portugal, porque o País está a viver a uma velocidade mais elevada, que o PS não consegue acompanhar”.


Na opinião de Miguel Santos “Portugal precisa de


propostas alternativas, precisa de debate e de discussão e precisa das decisões finais; e António José Seguro, um ano e meio após a sua tomada de responsabilidades no partido, ainda está a viver um período de fase de laboratório”.


Recordando a polémica em torno da ADSE o deputado


sustentou que o PS não tem uma posição fundamentada “porque há uma crença no PS de que a maior parte dos funcionários públicos são eleitores do PS e assim se conforma esta posição”.


“Tivemos o principal responsável do PS para a área


da Saúde e uma pessoa da confiança do Secretário-Geral a afirmar que a ADSE devia ser pura e simplesmente ex- tinta, de uma ‘forma radical extremista’, e precipitaram- se logo declarações de correcção do Carlos Zorrinho, do próprio António José Seguro e de mais responsáveis do PS a negar isto”, afirmou Miguel Santos.


Em entrevista ao JN, na segunda-feira, Álvaro Beleza


defendeu o fim da ADSE, um “sistema único na Europa e injusto”, e que é preciso preparar o Serviço Nacional de Saúde (SNS) para acolher 1,3 milhões de pessoas que usufruem da ADSE”.


Para Miguel Santos, o PSD defende que se tem de


seguir “um caminho que tem que ir para a convergên- cia, para compatibilização e para uniformidade” com o regime geral de apoio aos cidadãos na Saúde, “mas que tem de se garantir a prestação de cuidados de saúde a 1,3 milhão de pessoas”.


“Estamos perante a necessidade de ter um debate


profundo sobre a reforma do estado e temos um PS a colocar-se num casulo, a fugir a esse debate”, disse o deputado.


A este propósito, Pedro Lomba escrevia no “Publico”


que o “coordenador” do PS para a Saúde ao dizer aos jor- nais que é preciso acabar com a ADSE, deixava claro que a eventual chegada ao poder do PS seria o fim da ADSE. Mas essa afirmação foi desmentida imediatamente por eminências do partido: Carlos Zorrinho e Vieira da Silva. O deputado José Lello lembrou que os funcionários públicos são uma quota importante do eleitorado socialista. Para adicionar à confusão, o antigo ministro Correia de Campos afirmou que a ADSE é um “mau” sistema que precisa de ser reformado e o coordenador socialista acabou o dia esclarecendo que dissera tudo “em nome pessoal”, nunca em representação do PS, que continuaria, como sempre, a ser o partido do funcionalismo público.


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