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Passamos então ao livro de Senos da Fonseca, que nos leva às cinco mais simbólicas embarcações saídas dos esta- leiros em redor da laguna Aveirense. Obra que recentemente recebeu o pré- mio “Almirante Sarmento Rodrigues”, atri- buído pela Academia da Marinha Portuguesa.


Arquitectura Naval Lagunar O livro «Embarcações Que Tiveram o seu Berço na Laguna» tem, entre outras, duas firmes intenções:


1- Combater frontalmente opiniões de ilustres historiadores, que olhando só e apenas para as fotos, cataram seme- lhanças (e logo por isso inspiração) das embarcações lagunares em embarcações havidas em tempo de uma história dis-


tante. A comparação do «meia-lua» da Xávega – a mais atrevida e desafiadora embarcação do quebra-mar – é de todas a mais absurda. Passada de mão em mão com chancela de erudição errónea. A laguna é um fenómeno natural que tem cerca de dez séculos. E só se tornou lençol de águas interiores circundado por paredão arenoso, após o século XV (XVI). As embarcações lagunares, interio- res e da borda, têm pois, idade recente (pouco mais ou menos cinco séculos!). Ora a arte naval lagunar já no século XV produzia (e permitia) enviar cinco deze- nas de caravelas «pescarezas», cons- truídas nos arredores de Aveiro, aos mares da longínqua Terra Nova. Número espantoso, que ombreou com o passado, ainda recente, da «Faina Maior». Assim, o saber da mestrança naval lagunar, ainda que empírico, passado de boca em boca, vertido num simples pau de pontos (uma espécie de plano de formas e construção, da embarcação, contido numa simples vara de secção quadrangular, a fazer lembrar os «me- tros» das lojas de fatico), era contudo prodigioso, multifacetado e esplêndida- mente criativo. O livro acompanha os momentos lagunares e comprova (carreando documentação) a data do aparecimento de cada uma das embarcações mais representativas.


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