ESPORTE
Quem é você? Por: Fernando “Trol” Faro Quando explodiu para o futebol no ano passado, Paulo Hen-
rique Ganso passava a imagem de jogador maduro, centra- do e correto. Imagem oposta tinha Neymar. Dono de técnica e habilidade infernais, o atacante colecionou polêmicas ao longo de 2010 e dava a impressão de ser uma fera fora de controle. Mesmo quem admirava seu futebol tinha grande bronca pelo jogador pela forma aparentemente mascarada como se comportava. Foi então que Ganso machucou o joelho e foi nesse momento que algo além de seus ligamen- tos havia se rompido. De repente, o camisa 10 passou a reclamar da di- retoria e se dizer “desva- lorizado” porque não foi procurado para renovar seu contrato – que vence em 2015(!) e pelo qual recebe “apenas” R$130 mil mensais (!!!). Pas- sou a se comparar com Neymar, dizendo que o amigo tivera tratamento diferente, esquecendo- se que o amigo recusou uma proposta milionária do Chelsea e topou aumentar a multa. Vale lembrar que Ganso teve apenas uma proposta oficial para sair, do Lyon, da França. Veio a história da negociação com o Milan e seu estágio de
seis meses pelo Corinthians. Obcecado com a Europa, Ganso aceitou se prestar ao papel de jogar em um rival para se livrar do Santos. A negociação existe e vem arranhando cada vez a imagem de um jogador que é craque de bola, mas tem demons- trado uma ambição sem limites e é capaz de virar as costas para um time que o acolheu, paga um salário que a esmagadora
maioria da população sequer consegue juntar em um ano e in- vestiu em sua formação. Enquanto isso, quem diria, Neymar amadureceu. A forma pro- vocativa como atuava deu lugar a um futebol objetivo e vertical (mas com os mesmos dribles espetaculares de sempre), as polêmicas fora de campo acabaram e o atleta parece ter enten- dido que sua condição de ídolo requer alguns sacrifícios, mas até agora ele vai tirando de letra. Transferência para o exterior? Ele dá de ombros e parece nem ligar para isso. Sabe que sua hora irá chegar natu- ralmente e vai na direção oposta do parceiro. Ganso não é o único a
agir desse jeito, mas a categoria do seu futebol ajuda a transformar o imbróglio em algo ainda mais marcante. Ele não precisava forçar a barra para sair do Santos nem ver sua imagem desgas- tada dessa forma. Até a torcida está contra o jo- gador, sinal de que – tro-
cadilhos à parte – o mar não está para peixe. Ainda dá tempo de mudar e provar que o Ganso de verdade é aquele que encantou o Brasil no primeiro semestre. A novela deve terminar em breve. Por enquanto, o enredo re-
servou uma reviravolta onde o herói virou vilão. Triste, não pre- cisava ser assim.
Fernando “Trol” é repórter do Jornal Mais, foi acam- pante NR de 1988 a 1999 e monitor NR de 1999 a 2006.
faro@maisjornal.com.br twitter.com/fernandofaro
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