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ALHADINHAS Nº9 -2010 –2011 Escrita Criativa


O Menino dos Mil Tra- balhos


Olá, eu sou o Joaquim e sou muito atarefado. Vivo em África num campo de um senhor que diz que é meu ami- go, mas eu não acredito muito que ele seja meu amigo. E na verdade não é, pois descobri que este senhor me comprou quando eu era pequeno aos meus pais por 25 guinéus. Vejam como os meus pais eram pobres. Eu já não me lembro deles, dos meus pais. Os outros meninos que vivem aqui dizem-me que também não se lembram dos pais. Eu cá acho que eles têm a mesma história do que eu. Nós trabalhamos muito e quando fazemos algu- ma coisa mal apanhamos com as canas do canavial,


pesca-


mos, caçamos, tratamos dos animais aqui da quinta, culti- vamos os campos e somos obrigados a satisfazer os dese- jos dos nossos “chefes”. Acor- damos às 5:00h da manhã e deitamo-nos à 1:00 da manhã. Uma vez, escutei no rádio que as crianças deviam


dormir


12horas por dia. Uma dia veio cá um branco a perguntar aos


“chefes” quanto queriam pelo campo e por nós Ele dizia que dava muitos milhões de euros e eu fiquei com cara de extra- terrestre, pois não sabia o que- ria dizer “milhões” nem “euros”, mas o Kevin, um rapaz esperto e mais velho do que eu, explicou-me que euros era a moeda dos brancos e milhões era um número muito


esquisitos que só tapavam a parte de cima da cabeça. Esses senhores que pareciam ter muitos milhões de


euros,


grande. Eu não fiquei muito convencido mas lá acabei por me convencer. O branco que veio cá perguntar isso, saiu daqui expulso aos pontapé e disse que chamava a polícia. Eu não entendo o que é que essa mulher tem a ver com isso, mas também os brancos põem cada nome nas suas mulheres! Uns dias depois apareceram aqui uns brancos com umas roupas muito jeito- sas e com desenhos nas costas, também tinham uns chapéus


como o Kevin diz, a moeda dos brancos, andaram a ver tudo quanto é sítio pela casa fora. Parecia que estavam à procura de alguma coisa. Enquanto os brancos viam a casa, um dos nossos “chefes” escondeu--nos nos currais. Aqueles senhores lá acabaram por nos encontrar e levaram os nossos “chefes” com umas correntes à volta dos braços. Quando eles nos estavam a levar para dentro de uma caixa dura, com rodas e que deitava muito fumo por um cano, eu comentei para os meus amigos que gostava de passar o natal com a minha família. E eles concordaram comigo. Mas, na verdade, eu não sabia o que queria dizer natal, aliás nenhum de nós sabia, eu só disse aquilo porque escutei no rádio umas pessoas a dizerem que o natal era a época mais feliz do ano.


Página 19


Olavo Silva ,nº 12 ,8º C


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