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COMUNICAÇÃO
preços pela Web; na classe A foram 78% e na classe B,
62%. Os computadores estão em praticamente 100%
dos domicílios empresariais (o menor índice é o das
pequenas empresas: 94%).
Os empresários que se mantêm céticos em relação ao
webmarketing são aqueles que não conhecem a
2.0
estatística, diz Cláudio Torres. Até 2006, concorda ele,
o número de internautas ainda era realmente pequeno,
mas agora representa um mercado de 45 milhões de
pessoas, um quarto da população brasileira. Um mer-
cado do tamanho da Argentina e que inclui a virtual
totalidade da classe A (88% na pesquisa do Cetic),
mais de 75% da classe B e mais de 50% da classe C.
“E a tendência, a partir de 2010, com a redução ainda
maior do preço dos computadores, é de uma entrada
forte também da classe D”, afirma.
O publicitário Eloi Zanetti, que ficou conhecido espe-
cialmente pela comunicação do banco Bamerindus e
d’O Boticário, revela que participou recentemente da
leitura de uma pesquisa, em São Paulo, sobre as
classes populares, e que ficou impressionado: “Esse
pessoal já usa muito a Web, o computador já chegou à
casa do pobre”. Um dos dados interessantes da
pesquisa seria o fato de que as famílias pobres sacrifi-
cam o orçamento e compram um computador porque
é uma maneira de reter os filhos em casa, onde estão
em segurança, e de fazê-los se habituar ao equipa-
mento. Fora de casa, confirma Eloi, a grande pracinha
do encontro de hoje é a lan house.
IRRECONHECÍVEL
O empresário que ficou desatento nos últimos três
anos e que se sentir desafiado (e tentado) por esses
dados, no entanto, pode ter um susto ao voltar-se
novamente para a internet. Enquanto a infraestru-
tura crescia e a banda larga se viabilizava, enquan-
to os brasileiros se equipavam ou se habituavam a
ir à lan house, mas as empresas não redefiniam seu
marketing, a Web converteu-se num organismo
irreconhecível.
A Web 2.0, que sucedeu a primeira como canal de
comunicação e ambiente de negócios (após o rompi-
mento da bolha das empresas pontocom), simples-
mente não se submete ao esquema que vigorava desde
a invenção da imprensa por Gutemberg. O caminho
elementar da comunicação, linear e monitorado (emis-
sor-canal-receptor) virou uma bagunça. Agora o recep-
tor é que é o emissor, o canal não tem dono, nem con-
trole, e as empresas têm de se ocupar em gerenciar as
informações que recebem, mais do que aquelas que
produzem.
9OBSERVATÓRIO DA INDÚSTRIA agosto/setembro 2009
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