COMPORTAMENTO
mais satisfação e o sabático foi um período de
incubação da minha nova vida. Estava certa de que
não queria dar um tempo, queria mudar de car-
reira”, conta. “Nesse período fui tentando fazer
algumas coisas, perceber do que gostava e do que
não gostava.” Hoje Telma dedica-se a projetos na
área de gastronomia, uma paixão que sempre a
acompanhou.
PLANEJAMENTO
Telma seguiu o que todos os especialistas recomen-
dam: planejamento é essencial para um período
sabático. Além de ter uma reserva reserva financeira, é
preciso articular a decisão com as pessoas que estão à
sua volta: família, filhos, sócios. O planejamento evita
que o período de afastamento se transforme em um
“inferno sabático”.
Bernt Entschev cita o caso de um conhecido que tra-
Luiz Fernando, hoje e
balhava no banco HSBC e resolveu tirar um ano sabáti-
durante a viagem:
co. “É uma pessoa competente, estava em uma
afastamento confirmou
posição muito boa profissionalmente, mas pediu
a vocação para o
demissão e saiu, fez tudo o que queria fazer. Voltou e
mundo dos negócios
não foi recolocado no mercado de trabalho.” recorda-
se Entschev.
Para Entschev, havendo planejamento, o sabático pode
ser uma experiência muito produtiva. Ele lembra que
em geral vamos avançando na vida sem oportunidade
para intervalos, para experimentar de maneira mais
intensa ideias e projetos pessoais.
Os especialistas também lembram que o sabático não
é um beneficio coletivo, um programa de prateleira do
setor de Recursos Humanos das corporações. É uma
ação pessoal, exercida muitas vezes independente-
mente da empresa. Mas que, para Herbert Steinberg,
vale a pena: “O profissional precisa buscar sentido no
que faz. Muita gente diz que é feliz na vida pessoal e
não na vida profissional. Mas o ser humano é integro,
no sentido de totalidade. Se vai mal no trabalho, vai
mal em casa”.
Dez anos depois de ter vivenciado seu período sabáti-
co, Steinberg ainda guarda as lições que aprendeu no
período: “Há um trecho na Espanha chamado de Las
Mesetas. São aproximadamente 320 quilômetros no
meio de uma monótona plantação de trigo. Aquele tre-
quistado – um alto salário e status – e começar do
cho consome alguns dias de caminhada. E no meio
zero, “como uma recém-formada”. “Quando saí da
daquela monotonia toda você consegue perceber que
empresa precisei de um tempo para aprender a não
de fato não precisa mais do que água e pão, talvez um
fazer nada e pensar novamente em mim”, conta.
pouco de vinho. Ali seu cartão de crédito não funciona,
a conta bancária não ajuda. O que fortalece é aquilo
Telma ficou quase dois meses na França e fez um
que você é”.
curso de culinária. “Decidi que na nova fase eu teria
57OBSERVATÓRIO DA INDÚSTRIA agosto/setembro 2009
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