COMPORTAMENTO
RUMO AO MUNDO ÁRABE
Para Luiz Fernando Custódio Junior, executivo da
área de Administração em Curitiba, o sabático
durou quase um ano – tempo que ele passou via-
jando pelo mundo árabe. Apesar da pouca idade
– tinha 26 anos na época –, ele já ocupava um
cargo de importância na corporação em que tra-
balhava e tudo sinalizava para uma carreira de
sucesso.
“Eu tinha um salário muito bom e o reconhecimen-
to dos meus pais e amigos. Mas sentia que faltava
alguma coisa”, conta. A participação num semi-
nário ministrado por um filósofo deu mais um
“empurrão” na direção do sabático. “Passei a sentir
uma inquietude, uma sensação de que poderia
fazer mais, se eu trabalhasse com a minha
vocação”, conta.
Movido por esses sentimentos e decidido a se afas-
tar dos pensamentos do mundo corporativo,
Custódio Junior partiu rumo à Europa e ao mundo
árabe. Depois de alguns meses de viagem, conta,
começaram a aparecer naturalmente oportunidades
de negócios. “Saí do Brasil querendo me desligar
dos negócios e oportunidades foram acontecendo
espontaneamente,” lembra.
Para o jovem profissional, as reflexões durante o
sabático levaram-no a confirmar que ele deveria
continuar no mundo dos negócios e trabalhando
com administração. Custódio Junior voltou para o
Brasil mais motivado. “Fui achando que a ilumi-
nação e as respostas viriam quando eu me perdesse
no deserto e que um anjo apontaria o caminho. Mas
a resposta não chega pronta, não há uma revelação.
É o conjunto de experiências que vai ensinando”,
afirma.
VIDA NOVA
Ao contrário do que aconteceu com Custódio Junior,
para Telma Pereira de Souza o período sabático foi
o marco de uma guinada profissional e pessoal.
Telma era executiva de uma grande corporação da
área de telefonia e em 20 anos de trabalho chegou
ao cargo máximo da área de recursos humanos.
Ao completar 40 anos – que considera “uma idade
simbólica para a mulher” –, Telma começou a ali-“A minha carreira tinha chegado ao topo. Não teria
mentar a ideia de mudança e a preparar asmuito mais o que galgar, a partir de onde eu esta-
condições para uma nova vida, mais
equilibrada.va. Minha satisfação deveria estar plena, mas eu me
Telma passou um ano programando-se para pedirsentia um pouco frustrada porque estava fazendo a
demissão – inclusive fazendo um “pé-de-meia”. Elamesma coisa há muito tempo. Além disso, não
sabia que precisaria abrir mão do que havia con-tinha tempo para nada”, conta.
56 OBSERVATÓRIO DA INDÚSTRIA agosto/setembro 2009
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