GESTÃO
administrador. “Muitas vezes busca-se fora a solução
para um problema quando ela está à mão, na própria
companhia”, diz Santos.
“Em um mercado competitivo, com a concorrência
acirrada e bem informada, é impossível a tomada de
decisão a partir de feeling”, pondera Douglas Ricardo
Zela, especialista em Marketing Estratégico e coorde-
nador dos cursos de pós graduação em Marketing da
FAE Business School. “Muitas vezes ocorrem variações
imperceptíveis ou contrárias ao pensamento dos
empresários e gestores. Assim, a gestão desta infor-
mação deve ser profissional. E profissionais compe-
tentes não são aqueles que levantam informações e
sim os que conseguem transformá-las em ferramenta
de decisão”.
Além de favorecer a tomada de decisões e o compro-
metimento dos funcionários com os destinos da
empresa, a GI elimina ou reduz a altura das barreiras
que alguns consideram intransponíveis quando se
Paolo Silva junto a um dos murais
trata da relação capital/trabalho. O caso da AAM,
instalados na Faurecia Automotive para
multinacional norte-americana com 26 filiais
facilitar o fluxo de informações
espalhadas pelo globo, é simbólico. No Brasil, a
unidade instalada em Araucária, na Região
Metropolitana de Curitiba, é especializada em usi-“Internamente, o gestor deve fornecer a informação
nagem e sistemas de montagem. A boa GI empreen-correta para quem precisa na hora certa, suportando o
dida na companhia reduziu o risco de conflitoprocesso decisório. Na relação com o mundo externo,
durante as discussões sobre o dissídio coletivo.a gestão da informação está relacionada à inteligência
competitiva”, explica Razzolini. Segundo ele, a GI está
“Negociar com o Sindicato dos Metalúrgicos requermais disseminada nas grandes companhias, que têm
muito preparo, em virtude do alto nível e da capaci-uma compreensão mais avançada do valor da infor-
dade de mobilização por eles conquistados”, explicamação. “A gestão de informação é uma função-meio,
Joarce Fedorowicz, gerente de Recursos Humanos. “Émas estratégica em qualquer empresa”, afirma.
necessário informá-los sobre como a empresa funciona
e quais são os recursos que ela possui para atender asEle exemplifica com o caso de uma multinacional espe-
reivindicações. Assim, conseguimos o seu comprome-cializada na implantação e gestão de plantas indus-
timento com a proposta da empresa”, afirma.triais (especialmente do setor de papel e celulose), que
emprega ex-alunos e estagiários da UFPR na gestão do
A jornalista Michelle Thomé, da MT Gestão emimenso volume de dados com o qual lida diariamente.
Comunicação, observa que “o empresário tem a opção“Cada projeto dessa empresa gera de 5 mil a 10 mil
de deixar que as informações fluam naturalmente den-documentos. Se uma máquina instalada numa fábrica
tro da empresa ou de gerir canais para que isso acon-gerida pela empresa pifar, é preciso encontrar rapida-
teça”. Ao fazer uma correta GI, o administrador for-mente as informações necessárias para indicar o que
talece a cultura da empresa, reforça valores, multiplicafazer”, diz Razzolini. “Com uma boa GI, fica muito
o alcance das notícias relevantes e estabelece meiosmais fácil.”
formais e informais para transmitir conteúdo a quem
faz a empresa dele lucrar e crescer, seja o públicoMENOS CONFLITO
interno (funcionários) ou externo (clientes, fornece-
dores, comunidade, etc.).“Uma boa gestão da informação é importantíssima,
em todas as áreas da empresa”, afirma Henrique
A ferramenta, contudo, tem de ser usada com eficiên-Ricardo dos Santos, diretor da Universidade da
cia. “O que fazer com a informação é que é poderoso.Indústria, a Unindus, ligada ao Sistema Fiep. Tanto a
O empresário precisa selecionar a quem dá ouvidos einformação do mercado quanto a informação interna
o que olha”, observa Michelle, que faz um alerta:contêm subsídios que ajudam a nortear a decisão do
46 OBSERVATÓRIO DA INDÚSTRIA agosto/setembro 2009
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