CRISE
e médio padrões. Lopes frisa, no entanto, que a construção
das casas não envolve necessariamente a Caixa: “Nós ainda
estamos estudando outras alternativas”.
Quanto ao preço das casas, Tockus diz que é cedo
para falar, mas acredita que poderá ser bem
menor do que na Alemanha. “Uma casa no Brasil
não precisa da sofisticação tecnológica alemã,
afinal o país tem clima tropical e não enfrenta
invernos rigorosos”.
PROPOSTA
No mês passado, as indústrias de madeira de Santa
Catarina apresentaram uma proposta ao programa
nacional “Minha Casa, Minha Vida”, do governo
federal, prevendo a inclusão de habitações de
madeira entre o 1 milhão de novas casas previstas.
Altamente dependentes do mercado externo, madeireiras
Uma proposta detalhada foi apresentada em reunião
sofrem com a crise externa e a cotação do dólar
da Câmara de Desenvolvimento da Indústria Florestal
da Federação das Indústrias de Santa Catarina
tações. A maior oferta é de pinus, mas há, também, a(Fiesc), cujos filiados também foram convidados
opção de eucalipto.para a viagem à Alemanha.
A construção de residências de madeira, principal-O presidente da Câmara, Odelir Battistella, assegura
mente unifamiliares, é tradicional no Primeiro Mundoque as indústrias do estado têm produção sustentável
(caso da Alemanha). Conforme o presidente da Câmarae tecnologia para oferecer matéria-prima dentro dos
Florestal da Fiesc, cerca de 90% das residências feitaspadrões exigidos pela Caixa. Segundo ele, o banco
nos EUA são de madeira.O professor da UFSC Carlosexige que o imóvel dure, no mínimo, 30 anos, e há
Alberto Szucs, que cursou doutorado em madeira napesquisas comprovando que imóveis de madeira
Alemanha, diz que aquele país tem um programa deduram tanto quanto os de alvenaria, com algumas van-
casas de madeira para os mais pobres.tagens.
Ele informa também que, no Canadá, 90% das residênciasPara Battistella, a construção de casas de madeira
são de madeira. Segundo a última estatística, de 2007, oseria uma alternativa para dar dinamismo ao setor flo-
setor madeireiro de SC tinha 2,9 mil indústrias e empregavarestal do estado, que produz madeira renovável há
40 mil pessoas. No ano passado, exportou US$ 507 milhões.várias décadas e enfrenta dificuldades nas expor-
SINDICATO RESPONSABILIZA MEIO AMBIENTE POR CRISE
O presidente do Sindicato das Indústrias de A prorrogação do prazo das linhas de crédito para
Madeira do Estado do Paraná, Jorge Valentim empresas exportadoras que já tenham vendido sua
Camilotti, atribui parte da responsabilidade pela mercadoria para outros países, o chamado
crise à vinculação do setor ao Ministério do Meio adiantamento de contrato de câmbio (ACC).
Ambiente e não ao Ministério da Agricultura, como
ocorria anteriormente. “O Meio Ambiente virou as “Estes contratos estão cada vez mais raros e não
costas para nós. Tem agido mais como órgão fis- temos mais a prorrogação de 30, 60 dias como
calizador e punitivo” do que parceiro na movimen- antes, embora essa solicitação já tenha sido feita
tação do setor madeireiro, afirma. para o Banco Central”, afirma.
Além da abertura de linhas de financiamento e pro- Se o apoio do governo não vier, as perspectivas são
gramas de fortalecimento do mercado interno, sombrias, diz Camilotti: “Os empresários que se
Camilotti reivindica outra medida do governo federal. preparem, a competição será ainda maior”.
43OBSERVATÓRIO DA INDÚSTRIA agosto/setembro 2009
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