CRISE
MADEIREIRAS EM BUSCA DE
Por Marcus Vinicius Gomes
NOVOS
MERCADOS
Imersa numa crise grave, a indústria da madeira reivindica apoio do governo
e estuda uma alternativa: a construção de casas com tecnologia alemã
A construção de casas com tecnologia alemã pode ser
uma alternativa para o setor madeireiro do Brasil, cuja
exportação vem caindo drasticamente desde que a
crise internacional ganhou corpo no mundo. A possi-
bilidade foi aberta a partir de uma visita de
empresários e técnicos do setor à Alemanha, organiza-
da pela Federação das Indústrias do Estado do Paraná
(Fiep), em parceria com entidades de outros estados.
Integrada por 16 empresários e quatro técnicos, a
comitiva foi organizada depois do Fórum Setorial da
Madeira – um dos 16 que a Fiep promoveu nos últimos
meses, para debater a conjuntura econômica e traçar
planos para enfrentar a crise. O panorama descrito
durante o fórum por representantes do setor foi
preocupante. Uma soma de fatores – que inclui a crise
internacional e a cotação do dólar – vem provocando
queda nas exportações, na produção e no emprego do
setor, altamente dependente do mercado externo.
Desde outubro do ano passado, as vendas externas do
setor madeireiro paranaense caíram entre 46% e 54%,
dependendo do item, segundo conta o presidente do
Sindicato das Indústrias de Madeira do Estado do
Paraná, Jorge Valentim Camilotti. Com isso, o Paraná
perdeu participação relativa nas exportações nacionais
de madeira: até o início da crise, o estado era respon-
sável por 12% das exportações; agora, o percentual
caiu para algo entre 6% e 7%, segundo o sindicato.
Camilotti diz que a crise já provoca desemprego nos
setor. Dos 600 mil funcionários das 1.200 madeireiras
filiadas ao sindicato, pelo menos 6% (36 mil pessoas)
foram demitidos no primeiro semestre. Camilotti avalia
que esse número pode ser ainda maior, uma vez que o
sindicato calcula que há 800 madeireiras no estado
que não são filiadas à entidade.
40 OBSERVATÓRIO DA INDÚSTRIA agosto/setembro 2009
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