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COMUNICAÇÃO
Pela primeira vez você não diz que o cliente tem razão,
porque ninguém perguntou. Ele tem razão, sabe disso,
tem o poder (que agora é de compra e também de
venda) e, pior, está armado e anda em bandos. Ou,
como eles dizem, tribos, indexadas não geografica-
mente, mas por interesses comuns.
Que o rompimento é criativo, não se contesta; mas é
lucrativo? É administrável? O mercado Web virou um
carnaval, todo mundo dança como prefere e todo
mundo pode se dar bem, só que nem todos têm a
ginga. Quantos de nós não estão se sentindo como o
Tiozão da Sukita, ao tentar usar as mídias sociais?
Blogs, Twitter, Flickr, Orkut, Bebo, BpliFM, Delicious,
MySpace, Facebook, Digg, Technorati, Twitpic, Vimeo,
Youtube, Wikipedia, LinkedIn… São tantos que um site,
o Namechk (namechk.com), oferece o serviço de ras-
trear aqueles em que determinado nome já consta
como usuário, em um painel de 72 mídias, que são só
as mais populares.
Cláudio Torres constata que os empresários brasileiros
questionam muito os blogs. Porém, segundo ele, as
ação
pesquisas mostram que mais de 50% dos internautas
vulg
Di
do País lêem diariamente pelo menos um blog e mais
Cláudio Torres: “Aquela publicidade ‘o meu é o
de 80% o fazem pelo menos uma vez por semana, sem
melhor do mundo’ não funciona mais”
falar que, de acordo com pesquisas do setor publicitário,
mais de 80% dos internautas do Brasil participam de
alguma rede social.
mais de meio milhão de seguidores), e o já clássico
Wikinomics (editado no Brasil pela Nova Fronteira), de
Elói Zanetti, que começou a trabalhar com comuni-
Don Tapscott (twitter.com/dtapscott) e Anthony
cação em 1968, já viu mudanças e modismos sufi-
Williams (twitter.com/adw_tweets).
cientes para ter o direito de ser cético. A Web é
mais uma entre muitas ferramentas de marketing,
A teoria de Tapscott e Williams é que a nova Web é um
pondera. Mas ele admite que, embora haja muita
mercado que impacta todos os demais e os força a se
coisa que “é só barulho mesmo”, as mídias sociais
reorganizar. Fazer marketing do modo antigo nesse
“não devem ser vistas como um caso de muito tro-
ambiente pode ser, no mínimo, ineficaz. Embora
vão e pouca chuva. Principalmente porque o proces-
pareça anárquico, ele na verdade é regido por leis
so todo é muito prático”.
muito firmes, só que embasadas em uma nova ética,
novos valores – como a colaboração, o trabalho volun-
A inversão do fluxo das informações na Web, maior
tário, a riqueza não monetária, o mérito, o conteúdo
marca dessa praticidade, colocou o usuário (consumi-
gratuito, o código aberto e a diluição da autoridade.
dor e eleitor) em condições de igualdade com as
Inclusive, ou principalmente, da autoridade editorial.
empresas e governos, ou acima. Por isso o marketing
unidirecional, em que uma agência bolava a campanha
Embora aparentemente a dispersão da autoridade edi-
e a levava ao usuário por uma ou várias mídias quais-
torial entre milhões de blogueiros deva preocupar
quer, de repente ficou limitado. Basta um vídeo no
somente os negócios voltados à comunicação, como os
Youtube para construir uma celebridade, ou uma
jornais, revistas e TVs, ela afeta todos os negócios, pois
postagem no Twitter para atacar a reputação de um
eles dependem do fenômeno da reputação, a qual pas-
produto.
sou a ser permanentemente testada nesses novos
canais auto-organizados. Um blog pode ser elaborado
Nas livrarias de aeroportos, termômetros caseiros para
em menos de meia hora e já surgirá com o mesmo
as tendências da literatura empresarial, acumulam-se
potencial de impacto sobre a reputação de uma empre-
best-sellers como O Mundo É Plano, de Thomas
sa ou produto que tem qualquer jornal centenário. Ou
Friedman (twitter.com/tomfriedman), A Cauda Longa,
talvez mais que o sóbrio papel de imprensa, pois
de Chris Anderson (twitter.com/TEDchris, que tem
assume um comportamento viral. E você não conhece
10 OBSERVATÓRIO DA INDÚSTRIA agosto/setembro 2009
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