A criminalidade é um inevitável
destino?
Não adianta tentarmos tapar o sol com a peneira. O
vínculo entre pobreza e criminalidade existe, é fato. A regra é
que indivíduos em situação de pobreza estarão fadados ao
inevitável destino da criminalidade.
Confesse. É assim que você pensa também, não é?
A infância e a juventude das classes populares neste
País precisam de especial atenção para que possam, desde
muito cedo, criar valores morais mais rígidos que reprimam os
"impulsos naturais" que fazem com que se inclinem para o
mundo do crime. E para isso não há outro caminho senão retirar
as crianças das ruas, uma vez que o espaço que hoje
chamamos de "rua" é considerado como o grande facilitador e
até mesmo o promotor da entrada desses indivíduos no mundo
da delinqüência. A "rua", vista sob seu aspecto negativo, é
sinônimo de "escola de crime". É onde estão as tentações e
perigos da criminalidade. É onde as crianças e adolescentes,
sem oportunidades, encontram as grandes ofertas para se
converterem em criminosos.
Mas antes de pensarmos num caminho acertado para
que esse grupo possa fugir desse "destino" é preciso traçar um
breve perfil de quem são e quais as origens dessas crianças e
adolescentes.
Sabemos que centenas de milhares desse contigente jo-
vem integram famílias cujo rendimento mensal é menor que um
salário mínimo. Suas moradias estão localizadas em comu-
nidades extremamente carentes onde, como todos sabem, o
mundo da contravenção se instala. No que se refere à situação
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