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CAPA
O contágio da crise, que teve seu nascedouro no setorempresarial aliada a uma regulamentação rigorosa. No
bancário norte-americano, se dá pelo aperto de crédi-Brasil o limite de alavancagem – recursos que os ban-
to. Num momento de instabilidade, há uma preferên-cos podem emprestar – é equivalente a 15 vezes seu
cia dos agentes econômicos pela liquidez. Trocandopatrimônio líquido. Na prática, porém, esse valor
em miúdos: regra geral, é melhor ter dinheiro em caixachega a, no máximo, cinco vezes o PL, em média. Nos
do que imobilizá-lo, seja em plantas fabris, seja emEstados Unidos, a proporção é de até 50 vezes o PL.
empréstimos, para fazer frente a eventuais dificul-“O sistema financeiro brasileiro é mais regulado e
dades futuras. “Não há falta de recursos para o crédi-monitorado”, declara André Malucelli, diretor do
to, mas numa situação de incerteza, todos preferemParaná Banco.
ficar líquidos”, explica o economista José Oreiro, pro-
fessor da Universidade de Brasília.Outra característica que tem se mostrando relevante
neste período de incertezas é o relativamente baixo
A escassez de crédito não é a única fonte de contami-endividamento das famílias e empresas brasileiras.
nação do setor real. Outra é a retração da demanda. OEnquanto aqui ele equivale a 33% do Produto Interno
consumidor também age com cautela em momentosBruto (PIB), nos Estados Unidos, vulgo “olho do
assim. “Se você vê fogo na casa do vizinho, você sefuracão”, corresponde a 150% do PIB. Esse baixo
prepara, pelo menos reservando alguns baldesendividamento dos agentes econômicos tem um
d’água”, ilustra Fábio Dória Scatolin, professor deduplo efeito: reduz as possibilidades de se entrar em
Economia Industrial da Universidade Federal docrise e facilita a retomada do crescimento quando
Paraná.ela passar.
9OBSERVATÓRIO DA INDÚSTRIA fevereiro/março 2009
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