COMPORTAMENTO
FIM DDO ““PÃO QQUENTE”
As histórias desses moradores de diferentes regiões de
Curitiba mostram o que as empresas que atuam no
mercado imobiliário já aprenderam. Não há um perfil
determinado de compradores de imóveis e, por isso,
há espaço para muitos tipos de empreendimentos na
cidade. Hugo Peretti Neto, presidente da Associação de
Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário
(Ademi), explica que há 10 ou 15 anos as construtoras
já não têm mais o “pão quente”, aquele empreendi-
mento que se encaixa em qualquer região. “Há uma
variação grande. Você pode observar duas famílias
com quatro pessoas e o perfil de imóvel que cada uma
procura será diferente”, analisa.
Economia compensa o incômodo de gerenciar uma
Para Peretti Neto, este não é um fenômeno local. “O
obra, dizem Cecília e Sidney
mundo passou por mudanças no estilo de vida. É com-
portamental e atingiu o mercado imobiliário também.
cução da obra levou um ano e quatro meses e foi um Por isso as empresas se renovam e buscam atender
processo de aprendizagem: “É legal porque você todos os perfis”, diz.
começa a entender de qualidade e preço de materiais.
Mas tem dor-de-cabeça porque precisa supervisionar o As construtoras que investem na capital mostram
trabalho dos pedreiros e se conformar com a lentidão preocupação com as exigências do mercado local. “O
da obra em períodos de chuva”. curitibano em geral preza pela qualidade do produto,
observa detalhes de acabamento e não se importa em
Outra vantagem apontada pelo casal é a possibilidade pagar a mais para ter um imóvel do jeito que quer”,
de se envolver com o projeto da casa e prever ampli- declara Aloizio Henrique Pereira, gerente comercial da
ações para o futuro. “O projeto já prevê a construção Plaenge Empreendimentos, que é especializada em
de mais dois quartos e a ampliação da cozinha daqui condomínios de alto padrão.
a alguns anos, quando a família aumentar”, planeja
Cecília. Mariane Caponi, diretora de marketing da LN
Construtora, explica que para atender o mercado a
empresa investe em empreendimentos que vão do alto
padrão ao popular. “O que o comprador mais preza,
seja qual for o investimento, é uma planta funcional,
com área útil compatível com o número de
moradores”, diz.
Segundo dados do Sinduscon-PR, de janeiro a agosto
de 2008 foram lançadas em Curitiba 4.592 unidades
de apartamentos em condomínios verticais. Número
164% maior do que o apresentado no mesmo período
de 2007, quando foram entregues 1.740 unidades de
apartamentos.
Análise da entidade mostra ainda que entre o fim
de 2007 e o segundo semestre de 2008 foram
lançados projetos com potencial de venda aproxi-
mado de R$ 1,3 bilhão na grande Curitiba. O presi-
dente do Sinduscon-PR, Hamilton Pinheiro
Nelson preferiu
Franck, diz que o aumento no valor dos terrenos
um apartamento
desde 2006 já revelava o aquecimento do mercado
pequeno, mas
que, segundo ele, deve se manter bom mesmo em
num prédio cheio
tempos de crise econômica.
de comodidades
57OBSERVATÓRIO DA INDÚSTRIA fevereiro/março 2009
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