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COMPORTAMENTO
casa mais afastada do centro. Foi um período de coloquei cinco centímetros de isopor antes do
adaptação”, explica Aguinaldo. piso para não perder calor”. Mesmo com estes
cuidados, o preço do metro quadrado ficou em
Opção parecida fez o advogado Maurilucio torno de R$ 520. “Em Curitiba eu gastaria pelo
Souza, que há vários anos mora na região menos R$ 900 por metro quadrado”, compara.
metropolitana de Curitiba, na cidade de Pinhais.
No ano passado, ele adquiriu um terreno no con- A casa é um grande loft, sem muitas paredes
domínio de alto padrão Pineville e construiu uma delimitando cômodos e com decoração simples.
casa de 400 metros quadrados. Para comprar o “Uma chácara já supõe algo mais relaxado, menos
novo imóvel, Maurilucio vendeu dois terrenos preocupado com as questões estéticas. Se a
grandes na região. “Investi (cerca de R$ 200 mil geladeira é antiga, tudo bem, é chácara mesmo”,
só no terreno), mas aqui tenho qualidade de vida brinca Aguinaldo.
e tranquilidade. Posso continuar tendo meus
cachorros e fazendo churrasco para os amigos.”, Além de estar em um ambiente mais tranquilo e
diz. próximo da natureza, o professor revela que
morar em lugares distantes opera uma mudança
O investimento feito pelo professor Aguinaldo na de estilo de vida, fortalecendo alguns hábitos que
chácara foi menor e determinante na hora da os pais ou avós cultivavam. “Nós temos duas
escolha. O terreno de cinco mil metros quadrados opções para ter pão na hora do café. Ou pegamos
saiu por R$ 33 mil. Ele mesmo fez o projeto para a bicicleta e pedalamos alguns quilômetros até a
uma casa confortável, mas pensando no uso padaria, ou fazemos o pão em casa. O valor de um
racional de materiais: “Tenho paredes duplas e alimento feito no forno de lenha e na companhia
do seu filho é incomensurável”, atesta.
Em meio à tranquilidade da chácara, Aguinaldo
não escapa de uma preocupação típica do meio
urbano: a segurança. “O mais importante é ter
laços de amizade com os vizinhos. Todos se conhecem
e ficam atentos a qualquer movimentação de
estranhos”, diz. Para melhorar a segurança, o
professor optou por fazer muros mais altos e
instalar um sistema de alarme. Ele acredita que
está menos exposto a riscos do que em Curitiba.
“As estatísticas comprovam isso”, afirma. “Os
números de assaltos e outros tipos de atos vio-
lentos mostram isso.”
O advogado Maurilucio concorda e lamenta o fato
de precisar se isolar dentro de um condomínio
buscando segurança. “Posso até não estar mais
seguro de fato dentro do condomínio, mas eu
pago (R$ 180 de taxa de condomínio) pela sen-
sação de proteção. É uma pena que seja assim. O
ideal seria ter segurança e bem-estar garantidos
para todos”, diz.
Nem Aguinaldo nem Maurilucio veem a distância
como um problema. Eles dizem gastar de 20 a
25 minutos para chegar até a região central de
Curitiba. “Eu chego ao centro com mais facili-
dade do que se morasse no Bigorrilho, por exem-
plo”, afirma Maurilucio. Para Aguinaldo, a van-
tagem é não ter de enfrentar semáforos e lom-
badas que “são os fatores mais estressantes do
trânsito”.
55OBSERVATÓRIO DA INDÚSTRIA fevereiro/março 2009
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