EDITORIAL
Rodrigo dda RRocha LLoures
O TTSUNAMI CCHEGOU
No CDES ficou clara aonda chegou forte. A queda da produção industrial em
necessidade de união.dezembro, somada à retração de outubro e novembro,
Esse sinal é essencial paraAé a pior da série histórica da pesquisa do IBGE. A frea-
que possamos trabalharda equivale ao efeito de um tsunami sobre a nossa economia.
em torno de objetivos que
nos ajudem recuperar oEstávamos crescendo a taxas altas. A produção industrial dos nove
círculo virtuoso de cresci-primeiros meses de 2008 era 6,1% maior do que no mesmo perío-
mento e de redução dado de 2007. Tudo virou fumaça. Voltamos a patamares de 2004.
desigualdade que
vínhamos trilhando.Esse quadro revela a desaceleração do investimento e pre-
nuncia um 2009 muito difícil. A pauta do ano será a crise e ela
A construção de um con-exigirá de todos nós um esforço extraordinário para a reestru-
senso mínimo é indispen-turação da nossa economia.
sável, assim como é indis-
pensável adotar um sentido de urgência que faça com que asA grande tarefa é evitar uma longa recessão. Isso dependerá
medidas necessárias para combater a crise sejam postas emdo desenvolvimento da nossa capacidade de articular, alinhar
prática com rapidez.e mobilizar o enorme acervo de competências que se encon-
tra disperso e subutilizado. E é exatamente isso que está
Nós empresários temos papel relevante neste processo. Osendo colocado à prova.
desafio é exercitar nossa capacidade de articulação.
Andamos um bom trecho nesta direção, ampliando aResponder a atual situação exigirá vontade política, superação
interação com o governo e os trabalhadores. Falta aindade nosso viés personalista e muitos sacrifícios. Só a união de
envolver o sistema financeiro, que é um ator relevanteesforços é que nos proporcionará poder para mitigar os piores
para o desenvolvimento de soluções que propiciem o res-efeitos da crise e, simultaneamente, colher os melhores frutos
gate da dinâmica econômica.que ela certamente há de propiciar.
As expectativas sobre 2009 pioram a cada dia. Se entrar-Precisamos de remédios fortes e de uma boa dose de coragem
mos numa espiral de redução de emprego e renda, apara enfrentar estes tempos bicudos. Na última reunião do
queda do consumo poderá sancionar um ano ainda maisConselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES) ficou
amargo e um forte retrocesso.claro que há espaço para um entendimento entre governo, tra-
balhadores e empresários. A agenda desse entendimento é
O tempo aqui é um fator crítico. Poderíamos estar melhorampla, mas o vital é dar atenção às seguintes questões:
se tivéssemos prestado atenção aos sinais de inversão na
atividade econômica a partir de setembro de 2008. Quem QFortalecer a atividade econômica com incentivos às expor-
sabe se, com o necessário sentido de urgência, o Comitêtações, ampliação de crédito e desonerações de impostos;
de Política Monetária se digne a fazer reuniões num perío- QIntensificar a ação do Banco Central para estabilizar o câmbio
do menor do que 45 dias.e para restaurar o crédito ao comércio internacional;
QRestabelecer o crédito interno destinado às atividades produ-
O momento exigirá muito de todos. O interesse maior devetivas, intervindo junto aos bancos públicos e privados;
ser proteger a nossa economia. Assim, é vital que nos QManter os investimentos públicos e uma política fiscal capaz
organizemos para participar de forma competente tantode compensar a desaceleração dos demais componentes da
do processo de redesenho da economia mundial quantodemanda agregada;
da formulação de uma estratégia que possa beneficiar a QAcelerar o calendário de redução da taxa básica de juros,
nação de forma abrangente e sustentável. É isso que nosampliar a liquidez e fazer cair o custo final do crédito para as
fará vencer a crise e prosperar.atividades produtivas.
RODRIGO DA ROCHA LOURES
Presidente da Federação das Indústrias do Estado do
Paraná – FIEP –
rloures@fiepr.org.br
5OBSERVATÓRIO DA INDÚSTRIA fevereiro/março 2009
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