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PERFIL SETORIAL
UM PIONEIRO DE NOME SALVADOR
Povoada por famílias de agricultores paulistas São Paulo. Então, achei que poderia explorar o
que migraram para as regiões Norte e Noroeste mercado paranaense”, lembra. A 575
do Paraná no auge da cultura do café, nos anos quilômetros de Curitiba, a logística era um
50, Loanda tinha tudo para conservar o perfil obstáculo a ser vencido. “No início, foi muito difí-
essencialmente rural. Mas acabou percorrendo cil distribuir a produção. Comecei vendendo para
uma trajetória bem diferente. Desde a sua fun- Paranavaí. Depois Maringá e Londrina. Até que
dação oficial, em 1955, o pequeno município de chegamos em Curitiba”, relata ele, destacando
21.720 habitantes transformou-se para ser hoje que essa evolução durou 10 anos. “Depois o
conhecido como a “Cidade da Torneira”. negócio engrenou.”
Essa transformação deve-se à iniciativa de um Foi então que Salvador recebeu uma proposta tenta-
personagem de nome sugestivo e espírito dora e vendeu a Imperatriz. “Aí abri a Delta Metais.
empreendedor. Foi Salvador Duarte Casado, hoje Na mesma época, também abri uma fábrica de
com 68 anos, que abriu a primeira empresa de torneiras em sociedade com um amigo em Goiânia
metais sanitários de Loanda, em 1983: a (GO). Depois abri a Real Metais e a Talita Metais. Das
Imperatriz, até hoje em atuação. 14 empresas de torneiras de Loanda, 12 passaram
pela minha mão”, diz, orgulhoso, admitindo que,
Natural de Dracena, no interior de São Paulo, apesar do faro apurado para os negócios, não con-
Salvador migrou para Loanda em 1965, motiva- seguiu enriquecer. “Nadei e morri na praia. Tem
do pelo mercado cafeeiro. “Vim para vender muita gente rica com torneira aqui em Loanda. Eu
móveis. Mas percebi que na região não tinha rede não. Mas dá pra viver bem. Moro bem e estou tran-
de água nem energia elétrica. Então, decidi quilo”, afirma.
investir no comércio de material de construção e
instalação elétrica e hidráulica”, recorda ele, que Mas se engana quem pensa que, perto dos 70
na época tinha 25 anos. O negócio prosperou e anos de idade, Salvador acalmou o espírito
Salvador chegou a empregar 50 pessoas em seu empreendedor. “Às 6 horas ligo o forno. Parar, só
comércio. quando estiver de muleta. Por enquanto ainda
dou conta do recado”, garante ele, que há cerca
Mas, no início da década de 80, entusiasmado de quatro anos abriu a Reciclagem Imperial, a
com as histórias de sucesso de lucrativas fazen- primeira recicladora de areia do Brasil. A empre-
das do Mato Grosso, que se espalhavam como sa recicla a areia utilizada para a fabricação do
rastilho de pólvora pela região Sul do País, macho (interior) da torneira. São recicladas 250
Salvador decidiu deixar o comércio e investir em toneladas de areia por mês.
agropecuária. “Fiquei dois anos no Mato Grosso
e perdi a fazenda. Aí voltei para Loanda, vendi “Esse processo foi mais difícil do que fabricar
tudo que tinha e decidi fabricar torneira. Me torneira. Demorei um ano e meio para desen-
chamaram de louco”, conta. volver todo o processo de reciclagem. Torneira foi
só copiar de São Paulo”, compara Salvador, que
A experiência com material hidráulico foi fator tem como sócios nesse empreendimento os pro-
determinante para a decisão. “Como eu já prietários da Delta e da Imperatriz, as duas
conhecia um pouco do assunto, achei que seria maiores fábricas de metais sanitários de Loanda
fácil. Fui a São Paulo aprender técnicas de fabri- e região.
cação. No começo, me bati um pouco. Demorou
seis meses até que eu conseguisse fabricar a Mais uma vez precursor, investindo na tercei-
primeira torneira. Era uma torneirinha bem sim- rização do processo de fabricação de metais
ples e pequena. Depois fiz 20. Depois fiz outros sanitários, Salvador não sabe explicar o suces-
modelos e assim foi”, revela Salvador. so do negócio de torneiras em Loanda e
região. “Realmente, é curioso como o negócio
Outro fator que o motivou foi o mercado de torneiras prosperou tanto em um lugar que
regional. “Sabia que não havia fábricas no só tem gado e mandioca”, admite o
Paraná. Na época, existiam indústrias apenas em empreendedor mais famoso da região.
46 OBSERVATÓRIO DA INDÚSTRIA fevereiro/março 2009
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